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O efeito digital depende de onde vem

Postado em: 02/05/2019, às 18:08 por Fabio Camara

A maldição da modernidade é que estamos cercados por uma classe de pessoas que são melhores para explicar do que para entender. Tem uma classe ainda pior, hábil em explicar e inábil em fazer. Todas estas classes dissertam com notória habilidade na definição de transformação digital, quarta revolução industrial, inovação e outras bossas disruptivas.

Eu concordo que, em uma empresa, a transformação digital propriamente dita inicie na digitalização dos processos (eliminação de papel e pessoas demais) e na cultura de transformar milhões de dados espalhados em alguma informação válida, sejam probabilidades fundamentadas na estatística dos acontecimentos ou quaisquer outras maluquices inventadas por algum cientista de dados e aceitas pelo mercado.

Enquanto isso, ou mais coerentemente depois disso, vem o herói para alguns e vilão para outros, o "conjunto de hardware e software" – totalmente integrados – que chamam de IoT (Internet of Things – internet das coisas em português). No plano mais básico, uma proposta de interação com seres humanos através de alguma automação quase robotizada, mas sem o robô na realidade. Por exemplo: Uma câmera na entrada de uma megastore e alguns dispositivos de beacon (dispositivos de geolocalização para ambientes fechados) que criam gráficos de mapa de calor (por onde os clientes mais circulam dentro da loja) e tentam reconhecer clientes cadastrados para informar aos vendedores suas últimas movimentações de compras.

Depois ainda temos tantas oportunidades – afinal o propósito da quarta revolução industrial, para alguns pensadores, é inovar a experiência de alguma relação simples entre seres humanos, substituindo parte do ato de servir por alguma interação digitalizada. Por exemplo temos uma loja do Mc Donald's no aeroporto de Congonhas em São Paulo onde você pode fazer seu pedido como habitual na fila do caixa ou interagir com um enorme painel deslizando opções do menu e pagando com seu cartão de crédito.

Estes mesmos pensadores – gosto de apelidá-los anjos do apocalipse – tipicamente pregam dois eventos preditivos em tom de terrorismo: que as empresas que não inovarem (ou não se reinventarem) estarão falidas em aproximadamente cinco anos e que muitos ficarão desempregados pois serão substituídos por estas novas engenhosidades.

Quem te inspira, os EUA ou a China? 

Primeiro, segundo minha opinião, qualquer empresa que não inova ou se reinventa com alguma periodicidade está predestinada a falir. Não é necessária uma revolução industrial para afirmar isso. Empresas gigantes ficam burocráticas e obsoletas, lentas para manobras rápidas, e devem ficar atentas para comprar seus concorrentes iniciantes (leves e ágeis) ou devem se preparar para eventos fúnebres.

Ainda no campo da opinião, neste caso a minha, não adianta contratar pomposos executivos remunerados através de metas que serão manipuladas por números forjados. Apesar do risco do burocrata gestor da grande empresa assassinar o funcionário "faz-de-tudo" da empresa iniciante, afirmo que normalmente melhores resultados vêm de aquisições do que de contratações de altos executivos – que fingem que fazem enquanto só tentam ensinar.

Agora vamos explanar sobre o terror do grande desemprego que será causado pela transformação digital. Na minha leitura existem duas visões: a norte-americana e a chinesa.

Nossos vizinhos de continente possuem diversas características próprias (próprias aqui significa muito diferentes das nossas), porém uma característica peculiar ao assunto: excelente nível educacional da população e uma cultura que incentiva a formação de empreendedores. O efeito colateral é que sobram "cabeças" e faltam "braços". Portanto, quase que organicamente, resolver o problema da ausência de pessoas disponíveis para cargos "braçais" através de inovação é uma evolução mais que necessária, é imprescindível.

Já nossos parceiros no BRICS são o oposto dos norte-americanos. Com uma população de proporções sem igual em nosso planeta, há uma responsável preocupação em inovar sem criar desemprego. Os chineses investem como nenhum outro país em IA (Inteligência Artificial), mas me arrisco a afirmar que também investem muito acima da média na formação educacional de sua população.

As inovações criadas pelos empreendedores orientais visam tornar experiência de negócios mais lucrativas sem perder o foco na fidelização do cliente e do funcionário. É uma matemática simples: o funcionário feliz torna o cliente feliz que torna o negócio rentável. Quando escuto o Jack Ma (fundador e CEO do Alibaba), noto uma atenção enorme com as pessoas e ao mesmo tempo quando visito uma instalação do Alibaba vejo uma automação impressionante.

E o nosso Brasil, que nada investe na formação educacional de sua população e que retém grande porcentagem dos seus poucos diplomados no mundo acadêmico (ou seja, nas classes dos que explicam) deveria se inspirar na inovação chinesa em vez de seguir a norte-americana. #FicaDica

Fabio Camara, CEO da F Camara Consulting.

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7 Comentários

  1. Excelente artigo. Pra pensar.. e por em prática, já que pra explicar ou pregar o apocalipse já tem gente demais…

  2. Avatar Gustavo Terrell disse:

    Fábio, muito bom, excelente artigo.

  3. Avatar Alexandre Ramos disse:

    Aleluia!!!

  4. Excelente análise, Fábio! Fica a dica mesmo, rs

  5. Avatar Ricardo Schaefer disse:

    Excelente! Direto ao ponto do problema, com uma possível passagem de solução concreta.

  6. Avatar Natallya Verardi disse:

    Excelente texto! Não esperava nada diferente sendo escrito pelo Fábio.

  7. Avatar Augusto Gehrke disse:

    Excelente artigo sobre a atualidade do mercado de trabalho

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