Investimento anjo em startups de base tecnológica cresce 14% no Brasil e soma R$ 784 milhões

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No período entre junho do ano passado e junho deste ano, foram aportados R$ 784 milhões de investimento-anjo no Brasil em empresas em estágio inicial ou startups, como são mais conhecidas. Na comparação com o mesmo período de 2012/2013, o crescimento foi de 14%, de acordo com informações da Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos que fomenta esse tipo de investimento no país.

A despeito do cenário econômico desfavorável, o mercado das startups continua aquecido no Brasil. A Associação Brasileira de Startups (ABStartups) informa que atualmente as empresas iniciantes movimentam R$ 2 bilhões no país, com crescimento de 18% no número de startups nos últimos seis meses até outubro.

Exemplo disso foram as companhias em estágio inicial que receberam aportes financeiros neste ano. Uma delas é a ShopBack, especializada em recapturar usuários e carrinhos abandonados no comércio eletrônico e realizar a retenção de clientes por meio de big data. A Shopback recebeu investimento de R$ 3 milhões da S22 Capital para ampliar sua plataforma.

O valor foi usado para incrementar a tecnologia de avaliação de comportamento de usuários com base em um grande banco de dados. Dessa forma, é possível identificar usuários até então desconhecidos pelos sites, retomando o contato com o consumidor por meio de e-mail ou evitando que ele abandone a página com recursos de engajamento no próprio site. Com esses recursos, a taxa de conversão aumenta em até 30%.

Big data para shopping centers

Outra startup contemplada com aporte de investidor-anjo foi a FX Flow Intelligence, voltada a avaliar o comportamento dos consumidores em lojas físicas e shoppings centers, que recebeu investimento de R$ 8,5 milhões do grupo HiPartners Capital & Work.

A empresa se utiliza do big data para ajudar lojistas e shopping centers a identificar comportamento dos consumidores. Por meio da tecnologia de visão computacional, um dispositivo instalado no ambiente é capaz de monitorar e informar via internet (Wi-Fi ou 3G) a quantidade de visitantes, as hot zones (zonas com maior fluxo), a direção e o comportamento no tráfego, entre outros indicadores, permitindo que as decisões estratégicas sejam tomadas com mais precisão. Funciona como uma espécie de Google Analytics do varejo físico.

Nesse rol está também a IguanaFix, desenvolvedora da plataforma online para serviços de reformas e construção, que recebeu uma nova rodada de investimento de US$ 3 milhões do fundo americano de private equity Riverwood Capital, que tem participações minoritárias em empresas como a GoPro e a Nethoes. A rodada contou ainda com a participação do fundo mexicano Angel Ventures e de investidores-anjo da América Latina.  A maior parte desse recurso será investida na operação brasileira, de acordo com Matias Recchia, CEO e cofundador da IguanaFix. Além do mercado brasileiro, a novata está presente na Argentina e no México.

Netflix dos quadrinhos

Com uma ideia inovadora, a startup Social Comics, plataforma de streaming que é uma espécie de Netflix dos quadrinhos, é outra que recebeu aporte neste ano de investidor-anjo. Com um investimento de R$ 2 milhões do Grupo Omelete — criador da CCXP-Comic Con Experience e do site Omelete.com —, a empresa dá acesso a mais de 800 quadrinhos. Entre os títulos, exemplares de editoras como a Devir, a JBC, a HQM (que tem os direitos da Valiant no Brasil), a Mythos, Editora Nemo e a Revista Mundo dos Super-Heróis. O grupo planeja também a internacionalização da plataforma para países da América Latina e para os Estados Unidos, visando alcançar 10 mil leitores até o final de 2015.

A startup Contabilizei, que funciona como um escritório de contabilidade online para micro e pequenas empresas, recebeu um aporte pela KaszeK Ventures, gestora de capitais criada pelos fundadores do Mercado Livre. O valor do investimento, porém, não foi divulgado.

Fundada em 2013 por Vitor Torres e Fábio Bacarin, a plataforma exerce a função de um escritório de contabilidade, possibilitando que profissionais autônomos, micro e pequenos empresários estejam regularizados com as obrigações contábeis e fiscais, incluindo elaboração e transmissão de todos os documentos e relatórios obrigatórios para o governo.

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