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Uso de energias alternativas vai impactar negócio de concessionárias em menos de cinco anos

Postado em: 05/02/2019, às 19:08 por Redação

Estudo feito pela Accenture revela grande preocupação dos tomadores de decisão do setor elétrico quanto ao comportamento dos consumidores de energia. De acordo com a pesquisa Digitally Enabled Grid, 95% dos executivos concordam que, ao longo dos próximos dois anos, os consumidores de energia elétrica irão optar cada vez mais pelo abastecimento off-grid – energia solar e outras alternativas – e usar a rede apenas em situações de emergência.

A implantação de tecnologias de Geração Distribuída (GD), como placas solares em regiões de grande demanda, está crescendo a um ritmo superior à capacidade de construção de novas redes pelas concessionárias, segundo 95% dos 150 executivos entrevistados em 25 países, incluindo o Brasil.

Quase metade (48%) dos entrevistados afirma que parte de suas redes de abastecimento chegará à capacidade máxima em até três anos, enquanto apenas 1% acredita que isso levará mais de cinco anos.

A proporção de consumidores residenciais e comerciais usando energia solar fotovoltaica nos mercados analisados pode ultrapassar a marca de 15% até 2036 em algumas regiões, como a Califórnia. A tendência provavelmente continuará a afetar o crescimento da demanda líquida de eletricidade no futuro próximo.

O estudo também observa que o aumento da implantação de GD irá dificultar as operações das concessionárias, exigindo que as empresas do setor tomem medidas agora para evitar os gastos excessivos de reforço da rede necessários para administrar novos fluxos de energia da GD.

De acordo com a modelagem da Accenture, alguns mercados poderiam gerar uma economia de custos significativa para reforço de capital simplesmente por meio de uma melhor identificação das restrições locais na rede de distribuição. Um aumento de 10% na precisão das previsões da GD resultou em uma economia projetada de 15% a 28% em Nova York, 14% a 18% na Califórnia, 14% a 15% na Austrália e 11% a 12% no Reino Unido e na Holanda.

A integração da GD aparece como a segunda área de maior prioridade entre diferentes oportunidades de economia de custos e foi citada por 59% dos entrevistados como uma de suas cinco principais opções. A prioridade absoluta, segundo 61% dos entrevistados, é reduzir os custos unitários da cadeia de suprimentos por meio de previsões aprimoradas de materiais e solicitações de serviço.

A GD, ao mesmo tempo que representa um desafio para as empresas de distribuição, traz diversas oportunidades. Entre os entrevistados, 95% afirmam que a prestação de serviços de GD e de armazenamento será uma das principais áreas de crescimento de lucros para as empresas de distribuição depois de 2025.

Mais da metade dos entrevistados em todo o mundo também identificou os seguintes ativos como uma oportunidade para seus negócios: GD em grande escala; armazenamento conectado à rede; "prosumidores" (produtor + consumidor) de GD em pequena escala; e armazenamento comunitário.

A modelagem da Accenture também prevê um crescimento potencial da demanda por eletricidade de até 31% entre os anos de 2026 e 2036, após um período de estagnação. O estudo e a modelagem atribuem, em parte, o crescimento ao impacto significativo dos veículos elétricos (VEs) e da eletrificação do aquecimento de edifícios no aumento da demanda, começando por volta de 2025.

Outro dado é o aumento lento da porcentagem de veículos elétricos plug-in em relação ao número total de veículos: de 1% em 2019 para 3% até 2025, podendo chegar a 37% até 2040, liderada por ônibus municipais, scooters e pequenos veículos comerciais.

Essa tendência pode resultar em uma demanda significativa por eletricidade. De fato, embora se espere que o consumo de eletricidade dos VEs represente pouco mais de 1% da hora anual de pico de demanda até 2025, esse número deve aumentar até quase quatro vezes nos mercados analisados em 2040, chegando a 4%. Em alguns mercados, como França e Califórnia, as previsões para 2040 são até mais otimistas, chegando a 10% e 8%, respectivamente.

A descarbonização dos edifícios também deve aumentar a demanda por eletricidade em longo prazo, com 96% dos executivos de concessionárias concordando que esse processo reduzirá significativamente a demanda residencial e comercial por gás natural até 2040.

Apenas os efeitos combinados da eletrificação de transporte e de aquecimento poderiam elevar significativamente a demanda de pico, com os dados da Accenture sugerindo que o consumo médio de eletricidade no horário de pico poderia aumentar aproximadamente 63% em relação a 2016 em 2040.

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