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Fundo de hedge pressiona Qualcomm a separar unidade de chips e a reduzir custos

Postado em: 13/04/2015, às 18:18 por Redação

O investidor ativista Barry Rosenstein, do fundo de hedge Jana Partners, disse que o negócio de chips da Qualcomm está "essencialmente sem valor" e tem pressionado a companhia a separá-lo da unidade de licenciamento de patentes, que responde pela maior parte do lucro da empresa, para "restaurar a confiança dos acionistas", de acordo com uma carta enviada aos acionistas nesta segunda-feira, 13.

Segundo ele, apesar da grande participação da Qualcomm no mercado de chips usados em smartphones, isso não tem sido suficiente para corrigir o que chamou de "mau desempenho" da empresa nesse segmento. Por isso, ele defende a separação da divisão de semicondutores e outras medidas para melhorar o preço das ações.

O fundo Jana Partners, que adquiriu 4,4 milhões de ações por cerca de US$ 2 bilhões, tornando-se um dos maiores acionistas da Qualcomm, também está pressionando a companhia a reduzir custos, acelerar a recompra de ações e fazer alterações em sua política de remuneração de executivos, além de mudar a forma de elaboração de relatórios financeiros e a estrutura do Conselho de Administração, segundo agência de notícias internacionais que tiveram acesso a carta de Rosenstein.

Os executivos do Jana Partners e da Qualcomm têm mantido discussões privadas desde o ano passado, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto disse às agências de notícias. Na carta, o fundo de hedge, que tem US$ 11 bilhões em ativos sob sua gestão, descreveu as conversações como construtivas. A estratégia de manter discussões com a com a alta administração nos bastidores é mesma adotada no ano passado para obter assentos no Conselho de Administração da rede de farmácias americana Walgreens. A Qualcomm, cujo valor de mercado atualmente é de cerca de US$ 114 bilhões, é o seu maior alvo no momento.

Gota d'água

A Qualcomm é a maior fabricante mundial de chips usados ??em celulares, mas recebe royalties de patentes da maioria dos fabricantes de smartphones, desde que as redes de terceira geração (3G) se consolidaram no mercado na última década. Cerca de dois terços do lucro da empresa vem desses royalties.

A pressão sobre a empresa ocorre por o preço de suas ações está 11% abaixo em relação ao ano passado e os dividentos pagos aos acionistas têm ficado muito aquém do valor pago, ao longo dos últimos cinco anos, por pesos pesados da indústria de tecnologia que compõem o índice Nasdaq 100. Mesmo assim, as ações da companhia têm superado as de muitos de sues pares da indústria de semicondutores. A Qualcomm também tem sido mais generosa do que a maioria com os acionistas. Segundo a própria empresa, desde 2003 ela já gastou US$ 37 bilhões com o pagamento de dividendos e a recompra de ações.

Mas a gota d'água para o Jana Partners e outros investidores ativistas foi a notícia, no fim de janeiro deste ano, de que a Samsung deve abandonar o uso de processadores da empresa, sua parceira há anos, em seu próximo smartphone, o Galaxy S6. De acordo com fontes, a fabricante sul-coreana decidiu usar seus próprios processadores no smartphone a ser lançado ainda neste ano, depois de o novo chip Snapdragon 810 da Qualcomm apresentar superaquecimento em testes.

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