TI INSIDE Online -

RSS Feed Compartilhe TI INSIDE Online no Facebook Compartilhe TI INSIDE Online no Twitter Compartilhe TI INSIDE Online no Google+ Compartilhe TI INSIDE Online no Linkedin

Dificuldades na exportação de software: de quem é a culpa?

Postado em: 16/07/2007, às 22:51 por Redação

O software tem uma característica ímpar, pois permite que seu desenvolvimento ocorra em um determinado país para um cliente situado em qualquer outro do planeta, independentemente de língua, fuso horário ou cultura. É o que chamamos de offshore, quando um serviço é prestado para um cliente fora das fronteiras do país onde está localizada a empresa produtora.

A Índia é hoje o maior pólo exportador de software. Além de ter alto desempenho em Tecnologia da Informação, utiliza a língua inglesa como seu segundo idioma, o que facilita a comunicação com os principais mercados compradores de software.

Os brasileiros têm, porém, algumas vantagens sobre os indianos, como a diversidade cultural e o fuso horário mais adequado ao da América do Norte e Europa ? o que pode ser um facilitador no agendamento de reuniões de trabalho, entre outras atividades. A indústria brasileira tem desenvolvido softwares criativos e flexíveis ? vide o nível da automação comercial no País, o Sistema de Pagamentos Brasileiro e as urnas eletrônicas.

A lamentação de empresários e empreendedores tem como alvo o governo brasileiro em relação às políticas de incentivo nessa área. O Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, não contemplou o software, embora esteja em discussão um específico para a desoneração tributária nessa área. Até o momento, em função da legislação trabalhista, o governo é um dos agentes causadores dos preços elevados de software, já que o alto nível de encargos encarece o preço final do produto desenvolvido no País.

No entanto, é preciso ressaltar que, além do fator preço, os compradores exigem qualidade, referências ou outros indicadores que mostrem a capacidade de seu fornecedor internacional. É neste contexto que surgem as certificações, sejam de empresas ou de profissionais.

Por meio de certificações as empresas podem demonstrar seu nível de especialização. A ISO 9001 evidencia que a empresa tem um sistema de qualidade implementado e auditado por entidade credenciada; a CMMI (Capability Maturity Model Integration) trata da gestão de processos e da busca de melhoria da qualidade no desenvolvimento e manutenção de produtos e serviços de software. Há outras certificações não ligadas a TI que são valorizadas do ponto de vista institucional: ISO 14000, na área ambiental, e SA-8000, de responsabilidade social.

Há também as certificações de profissionais que podem estar vinculadas a empresas de TI ou não. São exemplos aquelas associadas a empresas de tecnologia, como as certificações Microsoft, Oracle e Cisco, entre outras.

E não podemos esquecer as certificações que independem de empresas de tecnologia e são reconhecidas e valorizadas no mercado internacional: PMP (Project Management Professional) do PMI (Project Management Institute) na área de gerenciamento de projetos; o ITIL (Information Technology Infrastructure Library) nos níveis Foundation, Practioner e Manager, que trata do gerenciamento de serviços de TI; e o CFPS (Certified Function Point Specialist), na área de FPA (Function Point Analysis) relativa ao dimensionamento de software com base em suas funções.

Se quiserem participar de um mercado internacional atraente, altamente competitivo e com fortes concorrentes (a China e o Leste Europeu não estão parados!), os empresários devem buscar cada vez mais os certificados para suas empresas e funcionários, pois esses ?carimbos? têm justa valorização no mercado, evidenciando que a companhia investe na qualidade de seus processos e na capacitação profissional de suas equipes de projetos.

A competitividade da indústria brasileira de software no mercado internacional depende de políticas de incentivo do setor público e de investimentos do setor privado. Temos, enfim, uma única certeza: a de que o futuro apontará aqueles que permanecerem refratários, omissos ou inertes nesse processo.

* Armando Terribili Filho é diretor de projetos da Unisys Brasil e professor da Faculdade de Computação e Informática da FAAP.

Tags:

0 Comentários

Deixe o seu comentário!

Nome (obrigatório)

E-mail (não será mostrado) (obrigatório)

Website

Mensagem (obrigatório)



Top