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Deputado quer ouvir empresa sobre software aéreo

Postado em: 28/06/2007, às 21:47 por Redação

O deputado Ivan Valente (PSol-SP) afirmou que os parlamentares precisam saber quanto já foi investido na ATech, empresa responsável pelo desenvolvimento do sistema de controle de fluxo de tráfego aéreo (ATFM, na sigla em inglês) no Brasil. O parlamentar quer obter esclarecimentos sobre os motivos que levaram a empresa a substituir o grupo de trabalho da Aeronáutica na elaboração desse sistema, que é considerado ineficiente.

O deputado defendeu a convocação do diretor da ATech, Cláudio Carvas; do diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA) na época do acidente com o avião da Gol; do major-brigadeiro Paulo Roberto Vilarinho; e a reconvocação do atual diretor do órgão, brigadeiro Ramon Borges Cardoso. Valente também pediu que a CPI solicite à Aeronáutica informações sobre o custo do sistema da ATech.

Segundo o deputado, o depoimento do funcionário do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (Icea), Vinícius Lanzoni Gomes, reafirmou a idéia de que não houve planejamento estratégico para a área. Valente disse que as declarações mostraram que o Icea estava preocupado com o problema e chegou a montar um grupo que desenvolveu o primeiro estágio do sistema de controle. Esse sistema foi preterido em lugar do sistema desenvolvido pela ATech.

Em seu depoimento, Gomes disse que avisou a seus superiores que não concordava com o afastamento da equipe de produção de software e com a transferência do desenvolvimento para a ATech. Ele informou que, posteriormente, ele e outros funcionários foram convocados em duas ocasiões para realizar o controle do tráfego aéreo com o sistema do Icea. Uma delas na época da primeira posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra para a Operação Escudo, durante a Conferência dos Países Árabes em 2004. Isso porque o sistema da ATech não consegue fazer o controle remoto em todo o país.

As denúncias feitas já chegaram ao procurador do Tribunal de Contas da União, Lucas Rocha Furtado.

Sobre a formação dos controladores, Gomes considerou que ela é de baixa qualidade. Segundo ele, as medidas que estão sendo tomadas às pressas para resolver a crise vão comprometer ainda mais a qualidade da formação, com reflexos na segurança dos vôos. O funcionário disse que está havendo uma preocupação com a quantidade e não com a qualidade do serviço de controle aéreo. Ele avaliou que as suas críticas não teriam sido feitas se o sistema que a ATech deveria ter desenvolvido tivesse sido implantado.

Ao final de seu depoimento, Gomes pediu proteção da Polícia Federal porque teme retaliações da Aeronáutica. O presidente da CPI, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), informou que vai enviar ofício à PF solicitando proteção.

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