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BNDES dará R$ 20 milhões às empresas de IoT no Brasil… Mas afinal, isso é muito ou pouco?

Postado em: 20/06/2018, às 21:20 por Reinaldo Roveri

O IoT Business Forum 2018 que aconteceu no último 19 de junho discutiu sobre as principais novidades e tendências do mercado de Internet das Coisas no Brasil. A palestra de abertura contou com uma apresentação de Carlos Azen, gerente do departamento de TIC do BNDES, que trouxe uma atualização do Plano Nacional de IoT. Este plano, que tem como base um estudo adquirido em 2016 pelo BNDES ao valor de mais de R$ 10 milhões traz uma ampla análise sobre o mercado, o ecossistema e as aplicações de IoT no país. O consórcio ganho pela McKinsey, CPQD e Pereira Neto Macedo Advogados mapeou ao longo de 2017 as oportunidades, desafios e o potencial dessa plataforma como habilitadora do crescimento da economia. Agora em 2018, o plano começa a entregar seus primeiros frutos.

Apesar de parecer um valor alto de investimento para aquisição de um estudo, este tem sido, de fato, valioso para provocar discussões qualificadas e embasadas para a construção de uma política pública para IoT no país, com menos achismos e mais dados, que trazem objetividade aos investimentos. De acordo com Azen "o estudo vai além e faz uma provocação para ser um plano de ação, justamente para que as pessoas interessadas possam utilizar e transformar esse conhecimento em prol da formulação de uma política de governo". Até o momento, mais de 8.000 downloads do relatório foram feitos pelo site do BNDES.

Desde o começo de 2018, a agenda de ações resultante das conclusões do estudo vem se desdobrando em diferentes iniciativas, incluindo a adaptação dos instrumentos de apoio (fundos, crédito, etc.), a criação de agendas de cidades inteligentes e, mais recentemente, a construção de projetos piloto visando colocar as soluções conceituais em uma perspectiva mais prática. "Constatamos que existe muito pouco exemplo real no mercado, o que deixa a demanda confusa e inibida. Estamos muito preocupados agora em criar casos reais, que possam demostrar nos setores selecionados de Saúde, Rural e Cidades como essas soluções de IoT podem ser aplicadas na prática, diminuindo as barreiras para o crescimento do mercado" observa Azen. "Existe ainda um quarto segmento que é a Indústria, mas que será tratado em um segundo momento" completa. Especificamente para o desenvolvimento de projetos piloto de IoT, o BNDES destinará R$ 20 milhões a fundo não reembolsável. Mais informações aqui.

Além de demonstrar o valor potencial de IoT para usuários com base em casos de uso reais, o BNDES espera também que os projetos piloto tragam mais clareza quanto à identificação de modelos de negócio que viabilizem a adoção em larga escala. Este será também um campo fértil de observação e discussão para os órgãos reguladores e governamentais (como Anatel, por exemplo), ainda um pouco ausentes quanto à definição mais concreta de uma regulação e regras de tributação destes novos serviços.

Estímulo à inovação e às Startups é outra meta deste investimento. Azen ressaltou que quase metade (46%) das empresas que trabalham (fornecem soluções para IoT no Brasil) atualmente são startups com até 10 funcionários e, por isso, a avaliação e os instrumentos de crédito sofreram adaptação para atender a esse perfil de empresas. Segundo ele, "não queremos que os pilotos sejam feitos só por empresas grandes, mas que arrastem todo um ecossistema de startups junto para a criação de soluções locais. Há uma preocupação também em desenvolver soluções que sejam interoperáveis com outros ambientes, ou seja, que não seja um sistema fechado apenas para resolver um problema, mas que possa alavancar o valor de IoT por meio da interconexão com outros vários sistemas".

Para serem elegíveis, os projetos piloto deverão focar em aplicações em que IoT possa gerar maior valor para o Brasil nos próximos 5 anos, na visão do BNDES. Dentre essas categorias selecionadas pelo banco estão "Cidades" (incluindo as áreas de mobilidade urbana, segurança pública e eficiência energética e de saneamento), "Saúde" (como melhorar a efetividade dos tratamentos de pessoas com doenças crônicas, prevenir situações de risco e controlar o surgimento de epidemias) e "Rural" (Uso eficiente de recursos naturais e insumos, uso eficiente maquinário e segurança sanitária). Além dos fornecedores e clientes interessados, deverão participar dos consórcios também Instituições Científicas e Tecnológicas.

Para muitos executivos do mercado, a quantia de R$ 20 milhões para o desenvolvimento de projetos piloto nessas várias áreas como Cidades, Saúde e Rural pode parecer pouco. E é mesmo. Entretanto, considerando um cenário em que ainda existem muitas indefinições quanto à regulação, padrões de troca de dados, tributação e outras, talvez seja até um valor alto. Muito ou pouco, é inegável que este movimento do BNDES é positivo para o mercado e, como contribuintes, torçamos para que seja também um investimento capaz de demonstrar na prática os benefícios das soluções de IoT e desafiar os agentes públicos responsáveis a serem mais ágeis e atuantes caso queiram ver um Brasil mais competitivo no futuro. Caso contrário, e como muitas vezes acontece, seremos engolidos por uma espiral de burocracia sem fim, colecionando selos de órgãos reguladores na tentativa de criar uma solução, enquanto outros países se destacam e capturam benefícios reais de negócio.

Reinaldo Roveri, analista de Mercado Independente, sócio da Stratica.

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