Bem-vindo à indústria 4.0

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Eles estão por todos os lugares. Os computadores e todas as suas variações de dispositivos conectados à web (smartphones, tablets, smart TVs, smartwatches, eletrodomésticos inteligentes…) já permeiam o nosso mundo doméstico e promovem agora uma invasão irreversível também nas empresas. Os conceitos de internet das coisas e de universo digital começam a ganhar corpo inclusive na linha de produção, abrindo espaço para uma nova revolução industrial, batizada de Indústria 4.0 — número que faz alusão às mudanças históricas impulsionadas anteriormente pelas máquinas a vapor, eletricidade e pela automação.

Nessa indústria digital, tudo está conectado de forma inteligente para otimizar o trabalho e melhorar a qualidade do produto. Assim é possível coletar informações sobre o processo produtivo e colocar tudo numa única plataforma de gerenciamento. Com isso, todos os personagens envolvidos têm acesso aos dados que precisam na hora certa, cada um na sua área. A indústria digital permite, por exemplo, conectar a empresa com seus fornecedores, ao estabelecer um canal de comunicação direta entre o chão de fábrica e as companhias fornecedoras de insumos. Já o produto da Indústria 4.0 é "inteligente", capaz de tomar decisões, pois carrega suas próprias informações e conhece seus caminhos dentro da fábrica. Afinal, todas as máquinas "conversam", trocam informações entre elas. Se algo muda no início do processo, o nível de comunicação é tão alto que imediatamente todo o restante se adapta e compreende o que é para ser feito.

E com o uso de softwares de gerenciamento de ciclo de vida do produto é possível simular as etapas e desenvolver tudo virtualmente para só depois passar para o mundo real. Essa eficácia se reflete também nos custos, com concepção, design e manufatura mais eficientes. A proposta é deixar a produção o mais autônoma possível e, por outro lado, possibilitar a customização em massa. Essa personalização em larga escala faz com que os produtos tenham características próprias, mas com um nível de falhas na produção próximo do zero.

E o homem, como fica nessa história? Perde seu lugar para as máquinas? Não. A indústria digital precisa do ser humano, sim, mas de um trabalhador mais qualificado na área de inteligência. Esse é o caminho natural e cada vez mais necessário para se ter competitividade, seja como profissional ou como empresa. Ao contrário de países como Alemanha e Estados Unidos, onde já caminha a passos largos, a indústria digital ainda é tímida no Brasil, mas existe. E seu crescimento é só uma questão de tempo.

*André Felipe é diretor de marketing da Siemens PLM.

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