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Especialistas dizem que liberdade na internet estará sob risco nos próximos dez anos

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Para comemorar os 25 anos da World Wide Web, ou melhor, da proposta do físico britânico e cientista da computação Tim Berners-Lee para a criação da rede mundial de computadores, feita em março de 1989 — que acabou sendo considerada a data de sua criação —, o Pew Research Center (PRC) realizou uma consulta a mais de 1,4 mil especialistas em todo o mundo para que indicassem as ameaças que podem afetar a internet nos próximos dez anos. As opiniões mais marcantes foram reunidas num relatório no qual eles apontam o que acreditam que deve acontecer com a web até 2025.

Para a maioria dos especialistas entrevistados pelo PRC, nos próximos dez anos não deve haver mudanças significativas na maneira como as pessoas acessam e compartilham conteúdo online como fazem hoje. Ainda assim, alguns acham que o anseio por uma internet aberta poderá sofrer forte abalo, principalmente no que diz respeito à forma como a rede mundial funciona e como fonte de conteúdo sem restrições.

Entre as principais ameaças que rodam a internet e que poderá afetá-la na próxima década eles citam o aumento do controle governamental, perda de confiança dos usuários, riscos à estrutura aberta da rede e o controle cada vez maior da web por empresas.

Primavera Árabe

Os especialistas apontam uma tendência global em direção a uma ampla regulamentação da internet por regimes que têm enfrentado protestos e, consequentemente, a um aumento da vigilância dos internautas. Eles observam que nações como o Egito, Paquistão e Turquia têm bloqueado o acesso à internet para controlar os fluxos de informação quando avaliam os conteúdos como ameaça. A China é conhecida por sua “great firewall”, que é vista pela maioria dos especialistas como uma forma de censura na internet.

Alguns entrevistados citaram a Primavera Árabe como um exemplo do poder político da internet e de organização das pessoas para se manifestarem e, em seguida, comentaram sobre como isso levou a repressão por parte dos governos. Outros salientaram a aplicação de regras que limitam a troca de informações, a fim de tentar conter a atividade criminosa por governos.

Um número expressivo de entrevistados mencionou as denúncias de Edward Snowden sobre o programa de vigilância de e-mails e telefonemas da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). Eles também citaram o roubo de dados de contas de clientes da Target e vigilância corporativa como as ações daqueles que querem acabar com o livre fluxo do conteúdo online.

Paul Saffo, diretor-gerente da Discern Analytics e professor associado da Universidade de Stanford, disse que “as pressões para balcanização da internet continuará e criará novas incertezas. Os governos vão se tornar mais hábeis no bloqueio do acesso a sites indesejáveis”.

Monitoramento de atividades online

Alguns entrevistados também prevem que as diferenças regionais, políticas e culturais contribuirão para dificultar o acesso e compartilhamento online. Um professor da Universidade de Georgetown e ex-oficial da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) escreveu: “Dada à natureza global dos fluxos de dados, interesses paroquiais nacionais podem se tornar um gargalo. Já o acesso e compartilhamento serão dificultados por leis nacionais paroquiais. Iniciativas de defesa da privacidade e a diretiva para proteção de dados pessoais Safe Harbor da União Europeia podem se tornar um gargalo sério. Nacionalismos são ameaças claras e atuais”.

Para o professor de Ciência da Computação do Instituto Politécnico Rensselaer, Jim Hendler, “se alguma coisa [que deve mudar], é a privacidade que terá que dar lugar a abertura, não o contrário… Governos repressivos estarão trabalhando duro para barrar a difusão de informações. Como hoje, haverá boas e más notícias continuamente nessa área, mas com o tempo [haverá] mais integração, acesso e compartilhamento”.

Uma parte dos especialistas prevê, no entanto, que o aumento do monitoramento de atividades online irá limitar o compartilhamento e o acesso ao conhecimento. Para o especialista em Direito de Internet Peter S. Vogel, do escritório de advocacia Gardere Wynne Sewell, “questões envolvendo a privacidade são as mais sérias atualmente para acesso e compartilhamento de conteúdo na internet, e há bons motivos para esperar que isso não mude em 2025, sobretudo levando em conta o aumento das ameaças cibernéticas que usuários e empresas enfrentam no mundo todo”.

Já para Raymond Plzak, ex-CEO da American Registry for Internet Numbers e atual membro do Conselho de Administração da Icann, autoridade responsável pela coordenação mundial da rede, “a proteção inconsistente da privacidade, se a informação privada é fornecida voluntariamente ou não, e a protecção contra a exploração inconsistente continuam a ser a pedra no sapato do ambiente conectado. A incapacidade das entidades locais, regionais, nacionais e internacionais, dos setores público e privado, e das associações de internet de produzir uma diretriz de privacidade aceita universalmente aumentará a probabilidade de limitação das actividades online”.

Restrições à troca de informações

Um número significativo de entrevistados previu que o aumento da monetização de atividades de internet vai mudar as formas pelas quais as pessoas obtêm informações no futuro. Entre as preocupações: o destino da neutralidade de rede; restrições à troca de informações, afetadas pela proteção de direitos autorais e lei de patentes; e falta de previsão e capacidade dos governos e corporações para melhorar o futuro digital, devido ao foco exclusivo nos ganhos de curto prazo.

Pesquisas sobre as influências comerciais que alteram a experiência online foram conduzidas por alguns dos arquitetos da internet. David Clark, pesquisador de Ciência da Computação do MIT e do Laboratório de Inteligência Artificial, observa que a “comercialização da experiência pode vir encadernada ou limitar a expectativa que muitas pessoas têm da internet”.

Já o conselheiro-chefe de uma grande fundação diz que “práticas de conluio e anticoncorrenciais de operadoras de telecomunicações ameaçam a recriação de uma internet controlada pelo povo”. “Estamos vendo um aumento de jardins murados, criados por gigantes como Facebook e Apple… a comercialização da internet, paradoxalmente, é o maior desafio para o seu crescimento. O lobby das grandes operadoras de redes contra a neutralidade da rede é o maior exemplo disso”, completou.

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