Cultura organizacional em tempos de eternas mudanças

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Qual o grande desafio da era digital?  Penso que essa é uma pergunta cuja resposta envolve muitas áreas do conhecimento como sociologia, psicologia e economia.  Mas um elemento desafiador parece permear todas elas: a velocidade da mudança. É esta a heroína ou vilã dos novos tempos que vem transformando relações, interações sociais, formas de aquisição de bens e serviços e até conhecimento e aprendizado.

Com impacto na vida das pessoas, profissões e ambiente de trabalho, a mudança tem sido um grande desafio também para os gestores. Como lidar com diversas gerações trabalhando juntas, com demandas e velocidades tão distintas?  Como estimular o aprendizado das equipes?  Como encantar o cliente e acompanhar as demandas de um mercado cada vez mais exigente e focado em inovação?

O choque da velocidade da mudança na sociedade é contundente, atingindo pessoas e organizações. Nesse cenário, há muita instabilidade.  Pessoas fora da zona de conforto, liderança aprendendo a liderar em meio à constante turbulência e muita pressão, novas relações de poder e autonomia.  Como manter o entusiasmo e a motivação?  Como trazer algum ambiente de equilíbrio e segurança? A resposta está na cultura organizacional.

Cultura é uma força estabilizadora e conservadora no sistema humano e portanto, um dos aspectos mais difíceis de lidar num clima de eternas mudanças.  O grande desafio é a compreensão da chamada cultura inovativa, na qual elementos como aprendizado, inovação e constantes modificações se tornam processos estáveis.

A cultura inovativa é um conceito elaborado por Edgar Schein, estudioso da cultura organizacional, frente às novas necessidades: competitividade, turbulência e demandas por decisões ágeis e eficazes.

Para um bom desempenho mercadológico, as organizações deverão estimular a cultura do aprendizado, na qual conhecimento e mudanças não são impostos às pessoas, mas sim consequência de uma articulação em busca por diagnósticos, soluções e iniciativas no trabalho.

Os líderes deverão incentivar essas articulações, além de desenvolver posturas exemplares, envolvendo-se também no processo de reciclagem e desenvolvimento profissional, num modelo de organização em rede.

O perigo de uma cultura dispersa, sem alinhamento conceitual e de comunicação, é o ruído na compreensão dos objetivos e a vulnerabilidade de conflitos e soluções ineficientes.  O desafio é preparar líderes que mantenham e gerenciem uma única cultura organizacional.  Esta que permite à organização preservar sua integridade e autonomia, diferenciar-se em seus ambientes e promover a sua identidade.  A identidade, assim como o conjunto de valores e concepções comuns desenvolvidas ao longo da trajetória, funciona como um processo estabilizante e de significado para o grupo.

O que se observa na era digital é que as empresas precisam se reinventar.  Elas não estão só em situação de desconforto, como também precisam reagir a novos objetivos de mercado, e são forçadas à compreensão precoce de que não há outra forma de sobreviver, senão se adequarem às mudanças constantes, aos desafios tecnológicos, no menor time to market.  E, para isso, precisam aprofundar sua cultura organizacional e preparar sua liderança para que a trajetória preserve a sua identidade.  E como está a cultura da sua organização?

Debora Lima, gerente de Marketing da Solutis.

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