Sem acordo, projeto sobre cibersegurança de Obama pode ser votado na próxima semana

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Embora o presidente Barack Obama tenha dito, após um encontro recente na Casa Branca com os líderes do Congresso, que será possível alcançar um acordo com os republicanos sobre o projeto de lei que prevê o compartilhamento de informações sobre ataques cibernéticos, malwares, vírus e invasões de computadores entre o setor privado e órgãos de segurança norte-americanos, os indícios são de que a sua aprovação não será nada fácil ou não ocorrerá sem modificações.

A minuta do projeto de lei foi divulgada na semana passada pelo presidente do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, o senador Republicano, Richard Burr, e a senadora Democrata, Dianne Feinstein. Eles planejavam realizar um debate e votação da medida a portas fechadas na terça-feira passada, 3, segundo pessoas familiarizadas com a proposta disseram ao The Wall Street Journal.

Apesar de contar com apoio de mais de 30 grandes empresas norte-americanas, do porte da 3M ou da Lockheed Martin, que enviaram uma carta conjunta aos legisladores no dia 1º março conclamando-os a aprovar a nova legislação, os defensores da privacidade — e pelo menos uma empresa de tecnologia — têm se mobilizado para tentar barrar o projeto de lei, argumentando que a forma como foi redigido pode tornar mais fácil para o governo usar os dados corporativos para espionar ou realizar a vigilância sobre cidadãos americanos.

'Projeto backdoor'

"A proposta do governo é uma espécie de backdoor [porta dos fundos, em tradução livre, dispositivo que executa comandos não autorizados em servidores] para a vigilância, pois é um projeto de lei de cibersegurança de partilha de informações", disse Robyn Greene, conselheiro de políticas do Open Technology Institute, da New America Foundation, grupo que defende a privacidade e proteção de dados dos consumidores.

Funcionários da Casa Branca sinalizaram que os legisladores compartilham as mesmas preocupações com a privacidade e pretendem fazer modificações no projeto, segundo as fontes ouvidas pelo jornal americano. Segundo elas, deputados do Partido Democrata, do presidente Obama, estão esperançosos de que essas preocupações possam ser resolvidas rapidamente e acreditam que a votação do projeto possa ocorrer já na próxima semana na Câmara dos Representantes. Se for aprovado, o projeto ainda terá de ser votado no plenário do Senado.

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