Big data está mudando a equação de risco das produções de Hollywood, aponta debate

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De que maneira as novas plataformas de entrega de conteúdo digital estão mudando a equação dos desenvolvedores de conteúdo? Esse foi tema de um dos debates da CES 2014, que acontece esta semana em Las Vegas. Sim, conteúdos são importantes para a indústria de eletrônicos de consumo, e entender o que muda na cadeia de valor é uma preocupação crescente na CES há alguns anos. O resumo da resposta está numa expressão da moda: big data. Essa foi a variável trazida à mesa depois que conteúdos passaram a  ser distribuídos em meios digitais e que mudou, ou pode mudar, completamente a forma como conteúdos são produzidos.

O cenário que resume bem o que acontece hoje é o que Netflix e Amazon já começam a fazer: em vez de se comprometerem com uma série por um longo período, esses centros de distribuição digital podem se dar ao luxo de lançar apenas o piloto ou alguns episódios de uma série e decidir, mediante a resposta do público, se ela irá adiante. Mais que isso, podem dar duas, três opções para que os próprios usuários digam quais são as preferidas. E podem encomendar esses pilotos com base no perfil das preferências dos usuários, nos hábitos anteriores de consumo de mídia, nas preferências e naquilo que é, estatisticamente, mais provável que o espectador aceite. em canais de TV convencionais, a grade de toda a programação está amarrada e interromper um show é algo muito mais complexo e dramático do que em plataformas on-demand.

A consequência desta tendência é uma pressão maior sobre os produtores de conteúdo, que têm menos segurança da continuidade dos projetos. Também há menos dinheiro para produtores, mas por outro lado há muito mais parâmetros para decidir o que colocar e o que não colocar no ar. Essa é a teoria, mas na prática há problemas.
O primeiro é acreditar que tudo pode ser distribuído digitalmente. "Hoje, todo mundo que chega com um projeto para distribuição digital, na verdade, vem com um projeto que foi rejeitado pelas TVs convencionais", diz Sarah Passe, diretora executiva de desenvolvimento da Creative Arts Agency

Ela lembra que os parâmetros para um programa de sucesso no meio digital não são os mesmos das redes convencionais. "Não é necessariamente audiência que está sendo buscado, mas sim engajamento, algo que faça as pessoas consumirem o conteúdo de forma recursiva e que gerem mais desejo de compra e consumo de outros conteúdos", diz ela.

Mas essa visão não é consensual. Para David Tochterman, diretor de mídias digitais da Innovative Artists, "as grandes redes de distribuição digital estão na verdade pegando os shows que tiveram mais audiência no mundo real, é isso que eles querem." Para ele, a análise dos dados é muito importante, mas não é tudo. "Se Thomas Edison tivesse se baseado apenas em pesquisas de mercado ele teria inventado velas gigantes", diz

Resumo do debate: a quantidade de informações armazenadas pelos canais digitais de distribuição, sobretudo OTT, é uma ferramenta fundamental para a orientar a produção de conteúdo e dar mais previsibilidade aos investimentos em produção. Mas, para evitar uma saturação de formatos e fórmulas, sempre será necessário alguém que dê um passo além.

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