No open banking, a competitividade pode estar nos detalhes – e nas APIs

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O open banking levará a um aumento no número de fornecedores e consumidores de soluções financeiras no Brasil. Empresas terão mais acesso aos mercados e clientes terão mais informações e facilidade para conhecer serviços e produtos. Isso vai democratizar a indústria financeira e elevar o seu nível de concorrência. Com a implementação do open banking já iniciada, as empresas precisam ficar de olho em como o cenário concorrencial mudará: serviços e produtos competidores surgirão em lugares menos óbvios, até mesmo de fora do setor financeiro, e a competitividade das ofertas será especialmente influenciada pela experiência do usuário (UX), que terá que subir de nível. Todos os pequenos detalhes farão a diferença, e as APIs terão papel fundamental.

As APIs (interfaces de aplicação) trazem facilidades que, às vezes, nem notamos, mas são cruciais na usabilidade. Um exemplo é o Google Maps. Por meio da API do Google, o desenvolvedor de um aplicativo integra os mapas para localização, oferecendo ao usuário uma ferramenta reconhecida, de fácil assimilação, e sem ter que criar o código do zero, com todo o tempo e custo envolvido, e para um resultado provavelmente menos funcional que o mapa do Google. Da mesma forma, no setor financeiro, algumas APIs são essenciais não só para a estruturação e venda de produtos e serviços, mas também para o aprimoramento da UX.

Um exemplo simples é o processo de abertura de conta bancária. Conhecemos o procedimento tradicional de abrir conta como algo chato e, por vezes, exaustivo, que envolve levar documentos específicos impressos ao banco. E a digitalização desse processo nem sempre facilita a vida do cliente, se não usar as ferramentas certas. Para que obrigar o usuário a digitar todos os seus dados pessoais, se ele pode inserir apenas um deles e confirmar os demais por meio de alternativas dadas pelo sistema, com as respostas certas obtidas a partir de uma API de consulta de informação? Ou, para que exigir digitação dos dados, com risco de erro, se o usuário pode simplesmente tirar uma foto do documento, por meio de uma API de extração de dados por captura de imagem? Além de melhorar a experiência, essas dinâmicas também aumentam a confiança no serviço oferecido, o que é especialmente importante para uma empresa iniciante e pequena, que precisará equiparar ou superar o nível de atendimento das conhecidas e maiores, se quiser competir bem no novo ambiente de open banking.

O consumidor acumula diversas experiências de excelência em serviços digitais e exige ser atendido da mesma forma por todas as empresas, do restaurante à academia, do pet shop ao banco, com quem se relaciona pela mesma tela. A simplificação da rotina tem que vir no pacote de qualquer solução financeira no novo cenário de open banking, pois faz parte da percepção de qualidade e seriedade da oferta aos olhos do cliente.

O processo de construção de novos serviços bancários é amplamente facilitado com o uso de APIs de terceiros, que oferecem praticamente todas as rotinas de relacionamento com o cliente, prontas. Para encontrar as APIs certas e facilitar ainda mais a inovação, as empresas podem recorrer a uma agregadora de APIs, como a GR1D, que faz uma seleção prévia, considerando a relevância, qualidade e segurança de cada serviço oferecido por APIs.

Os detalhes podem parecer pequenos, mas, acumulados, fazem toda a diferença entre o cliente adorar ou deixar uma marca. Como todo cenário inovador, o open banking oferece oportunidades a quem sabe onde encontrá-las. As fintechs e outras empresas menores e novas podem balançar a hegemonia das grandes, mas terão que conquistar seu lugar para tanto. Enquanto isso, as grandes enfrentarão maior concorrência, mas poderão monetizar as APIs que desenvolvem e, igualmente, dinamizar seus processos de inovação. Para ambos os perfis de negócios, nesse novo universo aberto, buscar os melhores parceiros e recursos nas APIs é um bom primeiro passo.

Renato Terzi, CEO da GR1D.

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