Adoção de RPA deve ser estratégico para empresas, dizem executivos

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Discutir as estratégias de transformação digital e os desafios da adoção de automação inteligente (robotic process automation) e as melhores práticas de mercado foram assuntos debatidos no painel de abertura do RPA – Robotic Summit, evento promovido pela TI INSIDE nessa terça-feira, 6, no formato digital, com a participação de Carlos Eduardo Leite, sócio e diretor de soluções na Nuveto e diretor executivo da MEX Consulting; Everton Arantes, CEO e fundador da Prime Control; Fernando Pierry, country director Brasil da Automation Anywhere e Gustavo Brancante, head de Inovação da Avanade Brasil.

Segundo Gustavo Brancante, da  Avanade, existem quatro estágios de Transformação Digital, levando em consideração a experiência do cliente e a eficiência operacional: Silos e Spaghetti (quando os dois eixos estão no modelo tradicional), Industrializado (quando a eficiência operacional já está transformada e a experiência ainda é tradicional), Experiência Integrada (quando a experiência já está transformada e a operação ainda é tradicional) e Future Ready (quando os dois eixos já estão transformados).

Estudos da Avanade apontam que empresas em Silos e Spaghettis performam -5% em relação à média do mercado, enquanto que Future Ready tem +16% em relação à linha base. Relatórios da Accenture também apontam a importância do tema, com 87% dos executivos entrevistados concordando que a customização e entrega em tempo real será o novo diferencial para vantagem competitiva.

"O principal fator hoje entre as empresas é que não existe uma homogeneidade. Há uma parcela de instituições fazendo coisas muito avançadas, com predição de dados, por exemplo, e outras ainda em sistemas manuais. Mas o que se notou nos últimos meses com a pandemia em escala global foi o impulso que o RPA teve em função das restrições e distanciamento", concluiu Brancante.

Carlos Eduardo Leite, sócio e diretor de soluções na Nuveto e diretor executivo da MEX Consulting, até 2022 os gastos com automação de processos robóticos ou software RPA serão de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em 2022, citando números do Gartner.

"O que podemos notar é que antes da pandemia a jornada de Transformação Digital das empresas estava numa fase de pré-automação, a maioria pelo menos, mas isso ganhou um impulso depois da Pandemia.  Os softwares de RPA desempenham um papel importante no conjunto de ferramentas de tecnologia hoje. O rápido crescimento da adoção da automação de processos robóticos mostrou-se, especialmente, neste período, que ainda há áreas amplas onde os funcionários executam tarefas cotidianas manualmente e as ferramentas RPA podem reduzir as margens de erro e aumentar a qualidade dos dados.

"A Transformação Digital sem automação é alucinação", afirmou Fernando Pierry, country director da Automation Anywhere. "As velhas maneiras de gerenciar e apoiar os processos de negócios estão passando por uma mudança de paradigma. Tecnologias disruptivas – como automação inteligente – estão ajudando aos decisores a reinventar suas operações de negócios, trazendo otimizações", sentenciou Pierry.

Conforme explicou o executivo, a  automação do front office e do back office em algumas empresas, juntamente com a inteligência artificial, estão sendo usadas para impulsionar os pontos fortes, reforçar áreas com deficiências e capacitar a força de trabalho para que se concentrem nas tarefas mais importantes do "core" de cada companhia. A união dessas duas tecnologias permite que toda a organização esteja sempre ativa, otimizando a entrega de bens e serviços.

"É importante atentar para alguns pontos estratégicos neste processo. Primeiro que ilhas de aplicativos não podem ser conectadas com ilhas de automação. A solução deve ser única para todas as áreas. Segundo ele, a interação de trabalho entre máquinas e humanos pode levar a uma visão ambiciosa com o melhor que ambos podem oferecer; terceiro um bom mapeamento de processos que permitirá ganhar escala rapidamente", exemplifica o executivo.

De acordo com Pierry o ciclo de vida da força de trabalho digital e humana permite atender às demandas do SLA pelo uso mais eficiente de todos os recursos de processos de negócios. "Hoje no Brasil ainda estamos há alguns passos de outros países que adotaram a automação entre 2 a 3 anos atrás, entretanto, impulsionados pelas contingências mundiais, podemos nos utilizar de modelos já experimentados e acelerar  a curva de aprendizado, sem cautelas exageradas, adotando a tecnologia desde o SMB até as grandes corporações", disse.

Everton Arantes, CEO e fundador da Prime Control, afirmou em sua apresentação que as metodologias ágeis envolvem grandes mudanças relacionadas à estrutura, capacitação, processos, cultura, liderança e até no modelo negócios. "Esse é o primeiro insight que todo gestor precisa ter: a mudança tem de atacar todos esses pontos. É claro que nenhuma revolução é feita de um dia para o outro, mas é necessário ser completo e efetivo. Também é recomendável que as empresas tragam uma visão de fora com conhecimento e poderes para impulsionar a mudança", disse o CIO da Prime Control.

"As dificuldades existem, são inevitáveis. A automação, a cultura ágil, está baseada no comprometimento dos envolvidos, na governança, na segurança e acesso enfim nas boas práticas da TI. ", reforça Everton Arantes. Ele aponta que um dos grandes valores do RPA é, além de trazer maior economia às empresas e possibilitar maior produtividade no negócio, a automação possibilita fortalecer a posição competitiva das empresas. "Porém, apesar de aportar vários índices positivos na maioria das vezes, é preciso estar atento às formas de medir a implementação e prever a expansão do RPA nas companhias para que se discuta as vantagens não só pontuais, mas em todo o business daquela empresa", reiterou.

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