Windows fornecido na nuvem mudará radicalmente a maneira de trabalhar dos CIOs, dizem analistas

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Principal componente do lucro da Microsoft, o sistema operacional Windows deve passar em breve a ser oferecido como um serviço, já que o modelo tradicional de venda de licenças (on premises) começa a mostrar sinais de fadiga e a empresa cada vez mais vem sendo pressionada pelos acionistas a dar a guinada para a computação em nuvem.

Pelo menos foi isso que deixou escapar um desenvolvedor da Microsoft durante apresentação na conferência Ignite da fabricante de software, realizada entre os dias 4 e 8 deste mês, em Chicago (EUA), ao dizer que o Windows 10 será a "última versão do Windows", já que as atualizações do sistema operacional passarão ser feitas de forma contínua. Procurada, a empresa disse ao site The Verge que o comentário refletia "a forma como o Windows será entregue", com atualizações a cada poucos meses, em vez de uma grande revisão a cada dois anos.

Para analistas, ao assumir que dará a guinada do velho modelo de venda de software com a cobrança de uma taxa única de licença para um modelo baseado na nuvem, em que os clientes pagam uma assinatura regular, a Microsoft quer dar um recado ao mercado que a velocidade da mudança de um modelo para o outro será mais rápida, já que até agora ela passava a sensação de que isso demoraria mais do que se imaginava.

O fato é que a oferta do Windows como serviço deve mudar também a forma como os CIOs trabalham. Em vez de terem que montar uma grande equipe a cada cinco ou seis anos para fazer uma massiva e cara atualização do Windows, os departamentos de TI terão de criar processos que lhes permitam gerir atualizações incrementais em uma base contínua.

Ramificações da mudança

Analistas observam que a computação em nuvem mudou as expectativas sobre a rapidez com que os serviços são prestados, forçando os departamentos de TI a repensarem suas estratégias de desenvolvimento, testes e implantação. Com o Windows 10, os CIOs terão de considerar as ramificações da mudança para um modelo de assinatura, descobrir como garantir a aplicação e compatibilidade de versão, e incorporar mais gerenciamento de mudanças em toda a empresa.

Do lado do financiamento, os CIOs terão de lidar com as mudanças que virão como resultado do modelo de assinatura. "A questão para o CIO é em torno do custo variável versus custo fixo, e preparar a empresa para ser capaz de lidar mais com custos variáveis", disse Colin Boyd, ex-CIO da Johnson Controls, ao The Wall Street Journal. Isso contrasta com as atualizações tradicionais que, apesar de caras, normalmente permitiam orçamentos mais previsíveis.

CIOs também podem precisar repensar como implantar atualizações incrementais em toda a empresa, pois a atualização para o Windows 10 será um grande projeto em si, e as empresas terão de decidir se e como as atualizações do sistema operacional alteram as suas próprias práticas de implantação.

No novo processo, os CIOs provavelmente não serão capazes de testar cada aplicação cada vez que houver uma atualização incremental. Em vez disso, terão de priorizar as coisas que precisam ser testadas antes do tempo para, em seguida, testar coisas menos importantes. "Os consumidores de tecnologia estão muito mais conscientes e estão exigindo mais voz nas decisões da TI", disse Steve Kleynhans, analista do Gartner. "Por isso, a TI terá de se mover mais rápido."

A Microsoft disse que está trabalhando com os CIOs e as equipes de TI para ajudar a gerir a transição. Ferramentas permitirão, por exemplo, as equipes de TI especificar a ordem em que os dispositivos serão atualizados, e as janelas de manutenção permitirão que as empresas digam quando as atualizações devem ou não ocorrer. Windows Server Update Services e outras ferramentas estão sendo atualizadas este mês para se certificar de que eles são compatíveis com o Windows 10, disse a empresa.

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