Google cria comitê para saber o que pensam europeus sobre o 'direito de ser esquecido'

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Preocupado com a decisão da Suprema Corte da União Europeia que dá às pessoas o "direito de ser esquecido" na internet e solicitar a remoção de alguns links de resultados de buscas com informações pessoais questionáveis escondidas, o Google deve enviar em breve à Europa um grupo de executivos e especialistas em legislação, incluindo o presidente executivo da empresa, Eric Schmidt, para explicar a posição da empresa sobre privacidade online.

A série de reuniões, que está prevista para começar no início de setembro e pode durar até nove meses, faz parte da estratégia do Google para tentar convencer os órgãos reguladores europeus sobre as implicações negativas que a remoção de links de resultados de buscas pode ter.

Nesta sexta-feira, 11, o Google deve criar um site para que as dez pessoas que formam o comitê consultivo de privacidade possam dar pareceres e incluir um formulário online por meio do qual as pessoas poderão dar sugestões sobre como a empresa deve responder à decisão do tribunal.

Além de Schmidt, o comitê de privacidade inclui o principal advogado do Google, David Drummond, Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, que tem sido um crítico do direito de ser esquecido, além de vários especialistas europeus em proteção de dados, incluindo José Luis Piñar, ex-chefe do órgão regulador de privacidade espanhol.

O Google, que comunicou a criação do comitê em maio, deve anunciar nesta sexta na Europa, a inclusão de dois novos membros — Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, ex-ministro da Justiça alemã, e Sylvie Kauffmann, diretora de redação do jornal francês Le Monde.

O Google não vai remunerar os membros do comitê, embora possa cobrir suas despesas. O grupo vai publicar um relatório no ano que vem recomendando como o site de buscas deve responder às questões envolvendo privacidade e a decisão do tribunal europeu. As recomendações, no entanto, só visam aconselhar a empresa em suas decisões futuras sobre privacidade.

Há um mês, o gigante das buscas havia recebido mais de 41 mil pedidos de remoção, feitos por meio do formulário online que disponibilizou na página do site. Atualmente, esse número já chega a mais de 80 mil pedidos de retirada de links de conteúdo online.

A decisão foi alvo de críticas de defensores da liberdade de expressão nos EUA, os quais argumentam que a decisão abre brecha para a censura e coloca o Google em uma posição difícil, como uma espécie de árbitro sobre o que as pessoas têm o direito ou não de saber. Isso porque, segunfo eles, a remoção de links inclui artigos de diversos órgãos de imprensa europeus, incluindo a BBC e The Guardian.

O comitê de privacidade se reunirá reservadamente ainda este mês, antes de iniciar a turnê por seis países da Europa. O grupo irá visitar a França, Espanha, Alemanha, Polônia, Grã-Bretanha e Itália. Em cada país irá realizar uma reunião pública em que especialistas locais irão dar suas opiniões sobre as implicações da decisão do tribunal europeu.

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