Projeto para combater falta de água no Nordeste leva universitários brasileiros à final mundial do Seeds for the Future

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Um grupo de universitários brasileiros — estudantes e recém-formados de diversos estados — está na final mundial do Seeds for the Future, competição promovida desde 2008 pela Huawei, líder em TIC (Tecnologia da Comunicação e Informação). O objetivo da premiação é estimular e promover a vivência tecnológica e descobrir novos talentos com projetos que buscam resolver, por meio da tecnologia, questões sociais ou ambientais.  

Utilizando uma tecnologia de rádio frequência que permite comunicação a longas distâncias, os brasileiros finalistas criaram um sistema de gerenciamento de recursos hídricos que monitora as cisternas das famílias que não tem água encanada em suas casas. Com o monitoramento, a ideia é evitar que as pessoas fiquem sem abastecimento de água, que pode se estender por vários dias, realidade de muitas famílias na região Nordeste do país.  

"Durante nossas pesquisas, identificamos que 18,4 milhões de pessoas no Brasil não recebem água diariamente e 2,4 milhões não têm água encanada em casa. Desse total que não conta com água encanada, 10% vivem no Nordeste", explica Saskya Pimenta, de Fortaleza (CE), que em dezembro concluiu o curso de Engenharia de Telecomunicações no Instituto Federal do Ceará. "Nossa ideia foi criar um sistema que pudesse tornar o processo de entrega de água mais eficiente, automatizado e menos suscetível a fraudes e falhas", acrescentou Saskya.  

Este é o primeiro evento de impacto social desde que o programa Seeds for the Future foi criado em 2008. Para chegar à final global, o grupo brasileiro, que conta outros dez integrantes — Otávio de Freitas, da Faculdade de Engenharia de Sorocaba; Pedro Pereira, da Universidade São Paulo (USP); Luiz Gustavo Cavalcante, da Universidade Federal de Roraima; Warley Barbosa, da Universidade Federal de Alagoas; Lucas da Silva, da Universidade Federal da Paraíba; Marcelo do Nascimento Filho, do Instituto Federal de Santa Catarina; Paulo Ferreira, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão; Luís Antônio da Costa e Renata dos Santos, do Instituto Federal de Sergipe; e Pryscilla de Medeiros, do Instituto Federal do Triângulo Mineiro — venceu duas seletivas. As eliminatórias nacionais foram realizadas em setembro e reuniram estudantes de 80 universidades brasileiras, todas parceiras do Huawei ICT Academy, programa que oferece cursos com certificação reconhecidos pelo mercado de trabalho. Vencida a etapa nacional, os brasileiros competiram com outros 75 grupos, de 50 países, para ficar entre os dez finalistas. 

"Estou vivendo uma experiência muito interessante com este projeto, que inclui a aplicação, na prática, de tecnologias como Cloud e Inteligência Artificial, entre outras", diz Pryscilla de Medeiros, que está no último ano de Ciência da Computação no Instituto Federal do Triângulo Mineiro. "Estou aprendendo muito. É como se fosse um curso intensivo de experiência teórica e prática. Além disso, o projeto é todo redigido em inglês, assim como as reuniões e as apresentações. E isso tem me trazido uma vivência única como estudante o que está sendo um grande desafio e também uma grande oportunidade de aprendizado. Estou muito feliz de saber que estamos no caminho certo, vendo nosso projeto avançar", contou Pryscilla.  

Além de obterem orientação de profissionais e mentores experientes, os concorrentes do Seeds for the Future também terão contato com investidores, podendo tornar viáveis seus projetos caso saiam vencedores. "O Seeds for the Future é uma experiência que traz um pouco de vivência para quem busca conhecimento na área de tecnologia da informação. O programa mostra o compromisso da empresa em disseminar conhecimento e promover o desenvolvimento de talentos para um mercado cada vez mais digitalizado", explica Bruno Zitnick, diretor de Relações Públicas e Governamentais da Huawei.  

Chamada de Tech4Good, a edição final do Seed for the Future vai premiar as três primeiras equipes com produtos equivalentes a 20 mil dólares para o primeiro colocado, 15 mil para o segundo e 10 mil para o terceiro. Os vencedores também receberão sessões de coaching e terão uma reunião com potencial investidor para expor e defender seus projetos com a possibilidade de torná-los realidade. O Brasil concorre na final com grupos de Argentina, Tailândia, Iraque, Líbano, Líbia, Polônia, África do Sul, Vietnã e Bangladesh. O resultado dos vencedores será divulgado no próximo dia 20 de janeiro. 

Seeds for the Future  

Lançado em 2008, o Seeds for the Future faz parte de uma plataforma mais abrangente da Huawei, chamada Tech4Good, que pretende ajudar mais de 500 milhões de pessoas a se beneficiarem da tecnologia digital nos próximos cinco anos. O programa já capacitou mais de 30 mil estudantes, de 126 países. No Brasil, o programa já beneficiou 150 estudantes desde 2015, quando foi lançado em parceria com o MCTIC e o Ministério da Educação. Até hoje, 36 mil estudantes brasileiros já receberam o treinamento e a Huawei já firmou parceria com mais de 80 instituições de ensino por meio do programa ICT Academy. 

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