Vendas mundiais de PCs ficam estáveis no 2º trimestre, mas tablets começam a dar sinais de retração

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A retomada das principais economias mundiais, o fim do suporte ao Windows XP e a evolução da computação conspiraram, positiva e negativamente, para alterar os mercados de PCs e tablets, de acordo com institutos de pesquisa. Mas a mudança, no caso específico dos computadores pessoais, pode ser temporária — um pequeno ponto de luz frente à retração nas vendas no último ano, dizem analistas da indústria.

De acordo com levantamento feito pela IDC, as remessas mundiais de PCs no segundo trimestre deste ano totalizaram 74,4 milhões de unidades, o que representa uma queda de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2012. O declínio, no entanto, foi o menor desde o ano passado. A consultoria atribui o pequeno recuo nas vendas às substituições dos parques de computadores no curto prazo, o maior interesse do consumidor em chromebooks ­— notebooks que operam com o sistema operacional Chrome OS, do Google — e a retomada do crescimento nos EUA, Canadá e Europa.

A melhoria das condições econômicas e o aumento da confiança dos consumidores foram fundamentais para a mudança no cenário, segundo um estudo feito em empresas norte-americanas pela Spiceworks, uma rede social que reúne profissionais de TI. A pesquisa constatou que 79% dos profissionais de TI nos EUA planejam comprar um desktop ainda neste ano e 71%, um dispositivo portátil.

Os computadores pessoais — e seu poder de processamento — também se beneficiaram das novas tecnologias, tais como para imagens médicas, renderização de gráficos, impressão 3D, big data e cloud computing, de acordo com a Dell e outros fabricantes de PCs. "O mundo ficou encantado com smartphones e tablets", disse Michael Dell, em entrevista ao jornal USA Today. "Mas o que é interessante é que esses dispositivos não fazem tudo o que precisa ser feito. Impressão 3D, realidade virtual e robótica são todos controlados por PCs. A produtividade está fundamentada no PC", afirma. "De onde vem o poder da computação?", questiona Dell. E acrescenta: "Como você executa tarefas em um hospital sem PCs?"

"A razão da perspectiva mais otimista para a indústria de PCs é simples", disse ao diário americano Amiel Kamon, vice-presidente executivo de produtos e marketing da Kontera, empresa de comercialização de dados. "Assim que acabou a atualização para o Windows XP, em 8 de abril, as pessoas que precisavam atualizar seus sistemas operacionais de repente decidiram comprar novos computadores", avalia ele.

Vendas de tablets esfriam

A ligeira retomada nas remessas de PCs afetou, por outro lado, as vendas de tablets. Levantamento da empresa de pesquisas NPD DisplaySearch estima que as remessas mundiais de tablets cresçam 14% neste ano, para 285 milhões de unidades — número bem abaixo da previsão anterior, que era de 315 milhões de unidades. Em 2017, a taxa de crescimento anual deve ficar em um dígito, diz a NPD.

Uma conjunção de fatores conspirou para minar o mercado de tablets: os consumidores mais jovens estão perfeitamente satisfeitos em assistir vídeos em seus smartphones; usuários mais velhos se sentem mais confortáveis com laptops ricos em recursos, com telas maiores; e os chamados phablets (híbridos entre smartphones e tablets) têm preenchido um vácuo no mercado para usuários mais sofisticados; além de a Apple não atualizar sua família de iPads há mais de um ano.

Smartphones com telas maiores que 5,5 polegadas estão inibindo a demanda para tablets menores — aqueles com telas entre 7 polegadas e 7,9 polegadas — que responderam por 58% das remessas globais de tablets no ano passado. (Apropriadamente, a próxima versão do smartphone da Apple, o iPhone6, deverá ostentar uma tela maior para aproveitar essa mudança no mercado). A indústria de tablets está sentindo especialmente a retração nas vendas na China e outros mercados emergentes.

Além disso, a substituição de tablets é mais lenta, porque eles são frequentemente a segunda ou terceira opção de computação entre os consumidores,diz Patrick Moorhead, analista-chefe da MoorInsights&Strategy. No entanto, ele espera um aumento nas vendas de tablets no restante deste ano, possivelmente depois que um novo iPad for lançado.

Um coringa foi o surgimento do PC ultramóvel, híbrido entre laptops, desktops e tablets. "PCs ultramóveis têm dado a profissionais e consumidores a mobilidade que eles exigem e ainda permitem que executem aplicativos de negócios intensivos em recursos", diz Jay Hallberg, chefe de operações da Spiceworks.

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