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Low-code é solução para tudo?

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Uma tela preta com linhas e linhas de códigos difíceis de decifrar. Você sabia que esse dia a dia dos desenvolvedores de TI tem tudo para ficar mais simples. Como? Graças a uma plataforma que já existe há algum tempo no mundo da tecnologia, chamada de low-code, que consiste em uma solução que funciona como ‘blocos individuais’ de código que podem ser arrastados como uma peça de quebra-cabeça. Essas combinações simples permitem que iniciantes ou usuários de negócios se aventurem com muito mais facilidade no mundo da programação, encurtando o ciclo de desenvolvimento, criando e testando protótipos em prazos bem menores. 

É indiscutível que o low-code veio para ficar, mas será que vale a pena para todas as necessidades de um negócio?  Primeiramente temos que admitir que o cenário das tecnologias de baixo código está se mostrando muito favorável no Brasil e no mundo. Estimativas feitas pelo Gartner apontam que o desenvolvimento global de low-code deve expandir 22,6% só em 2021. Outros dados da consultoria mostram que, em 2024, 80% dos produtos e serviços de TI serão produzidos por pessoas que não são especialistas em  tecnologia.  

Essas informações podem levar à seguinte reflexão: ‘Se o mercado está tão aquecido e grandes companhias estão investindo em low-code então deve valer a pena!’ De fato, há possibilidades de que essa ideia faça sentido na maioria das vezes, mas não podemos fechar os olhos para os desafios que acompanham este pacote. 

Quando tudo começou 

O low-code é uma plataforma visual de desenvolvimento de software que por meio de interfaces gráficas (arrasta e solta) possibilita  reduzir a escrita manual de código.  Esse conceito de desenhar sistemas low-code é uma preocupação desde a década de 80 e nos anos 90 as equipes de TI autodenominavam essas soluções de RAD (Rapid Application Development). Hoje, estamos na era do Low Code/No Code e apesar de serem conceitos diferentes, essas citações mostram a evolução das plataformas e a constante busca pela simplificação do desenvolvimento de aplicativos por meio de software de código baixo. 

No entanto, o termo low-code foi utilizado pela primeira vez em 2014, pela Forrester Research para se referir a plataformas com interfaces de desenvolvimento baseadas em Graphical User Interface (GUI). Já o No-code, por sua vez, é uma definição mais recente, de 2018, uma espécie de “upgrade” do low-code, já que dispensa o uso de código.
 

Consolidada na agenda de negócios, os dois termos ganharam ainda mais destaque no ano passado, quando a Covid-19 acelerou a jornada digital de várias empresas. No período, as áreas de TI passaram a adotar o desenvolvimento do low-code para aumentar a velocidade de entrega dos seus projetos. A opção parece ter fundamento, considerando uma pesquisa da Softex que mostra que o Brasil enfrentará um ‘apagão’ de 408 mil desenvolvedores em 2022, mesmo com o engajamento de escolas de programação e iniciativas gratuitas para formar novos especialistas em TI. 

A bola da vez  

Alguns anos atrás, os profissionais de TI viam com maus olhos essas ferramentas, pois achavam que elas não poderiam fazer o mesmo que eles, especialistas na área de tecnologia. Hoje, as equipes de TI são as primeiras a dizer que precisam de uma plataforma low-code ou no-code para atender pontualmente os fluxos de trabalho de uma empresa enquanto ‘apagam incêndios’, com questões relacionadas à inovação ou segurança. 

Dessa forma, são inúmeras as eficácias do low-code, já que oferece às organizações a possibilidade de agilizar a criação de soluções a partir de moldes pré definidos onde é possível incorporar um pouco de código para customizar, até certo ponto, o desenvolvimento.  A seguir, vamos apresentar as principais as vantagens e desvantagens que julgamos significativas na hora decidir adotar ou não esse tipo de tecnologia. Confira: 

Vantagens: 

Desenvolvimento rápido: a principal vantagem do low-code é a aceleração e simplificação do processo de desenvolvimento, sem desperdício de tempo e energia escrevendo milhares de linhas de código, encurtando os ciclos e agilizando a testagem das funcionalidades. Portanto, em vez de investir seis meses na construção de uma nova tecnologia, é possível usar uma plataforma low-code ou no-code para, em algumas semanas, construir um aplicativo mais simples.  

Baixo risco  as ferramentas low-code têm baixo custo, pois  são a base na criação de sistemas. É mais barato investir em um modelo do que criar algo do zero. Além disso, o sistema é bastante seguro e estável, o que representa baixo risco para as plataformas já utilizadas e para os próprios usuários. 

Implantação: por trabalhar em modelos, os sistemas desenvolvidos com low-code costumam entregar resultados esperados na etapa de planejamento. Isso facilita e agiliza a implementação, reduzindo o retrabalho. 

Melhor experiência para o usuário final: como consequência das vantagens anteriores, o resultado é que a satisfação do cliente também acaba sendo impactada positivamente pelo uso das plataformas low-code, já que é uma dinâmica  de desenvolvimento de software mais simples, rápido e adaptável que permite a equipe otimizar as funcionalidades, aprimorar as interfaces e refinar ao máximo a experiência do usuário. 

Desvantagens 

É importante ressaltar que, embora a plataforma low-code tenha uma interface amigável e a programação seja efetuada de forma relativamente fácil, é importante contar com o apoio de um especialista experiente de desenvolvimento. Dentre as possíveis desvantagens desta tecnologia para alguns tipos de configuração de negócio, estão as apresentadas a seguir: 

Mudança no perfil profissionalgeralmente, para um desenvolvedor de software tradicional, grande parte do esforço estão focados no entendimento de ferramentas e tecnologias.  Porém, no caso da utilização de plataformas low-code, as skills do especialista devem ser voltadas à capacidade de trabalhar diretamente com clientes e usuários finais, conduzindo-os através de um processo de articulação e compreensão de seus requisitos. Isso quer dizer que, ao implementar uma plataforma low-code, é preciso garantir que os envolvidos possuem as habilidades e conhecimentos mais adequados. 

Aprisionamento tecnológico: o aprisionamento tecnológico ao fornecedor da plataforma low-code pode ser um problema ao se contratar algumas ferramentas. Por exemplo, se estamos nos referindo a um sistema core business, com necessidade de alta performance, customizações, adição de novas funcionalidades e,etc., o certo é a empresa ter uma equipe multidisciplinar para desenvolver um software proprietário. Agora, se existe uma série de processos do dia a dia das empresas que estão sendo feitas em planilhas de excel, e-mail, ou outros workflow,  podem ser automatizados por ferramentas low-code e no-code. 

E qual é o papel dos programadores na era low-code? 

Com tanta facilidade para desenvolver programas em um curto espaço de tempo, há quem acredite que essa solução pode colocar em xeque o papel dos desenvolvedores “tradicionais” nesse processo. Pela nossa experiência, acredito que as equipes de TI podem ficar tranquilas, pois ainda serão fundamentais, tanto pela necessidade de colocar em prática aplicações mais complexas e robustas, quanto pela necessidade de integrar todos os sistemas com governança e segurança, garantindo assim, agilidade nos processos e negócios. 

Além disso,  o empoderamento do usuário é o principal benefício, pois permite que resolvam problemas de suas áreas sozinhos, ao estilo “faça-você-mesmo”. Inclusive, esses recursos geram produtividade: em vez de focar na criação de linhas de códigos ou na necessidade de reescrevê-las em casos de atualizações, a área de desenvolvimento pode concentrar sua energia na inovação principal do negócio. 

Uma curiosidade que comprova isso é que as próximas gerações já estão sendo educadas para terem ao menos a base necessária para trabalhar com o low-code. É o caso do jogo “Minicraft”, que oferece uma visão muito menos prolixa de aprender programação. Considerando que esse pode ser o passatempo preferido de muitas pessoas que serão os futuros profissionais de TI, ou usuários de negócios que poderão endereçar necessidades de aplicações sem depender de desenvolvimento de código. Dessa forma, abre-se um vasto campo para poderem ter ao menos uma base de como transformar as próprias ideias em algo que pode ser codificado. 

Afinal, como saber se o low-code vale a pena?  

Já vimos que essas ferramentas têm seu espaço e aplicação no mundo do desenvolvimento de software, mas antes de bater o martelo para definir se são boas opções ou não precisamos entender o contexto de cada projeto. 

O modelo tradicional também limita de alguma forma o acesso ao desenvolvimento: altas demandas e mão de obra escassa no mercado tornam o desenvolvimento mais caro, deixando pequenas e médias empresas de fora da era digital. 

O low/no-code abraça os menores negócios e gera oportunidades de economia para os maiores. Mas é preciso lembrar que quanto mais ‘pronta’ uma solução, menos customizável ela se torna. Como cada empresa possui seu próprio roadmap tecnológico, nem sempre os problemas são iguais para dispor de soluções idênticas. Então é preciso utilizar o low-code estrategicamente. Por exemplo, nas atividades repetitivas operacionais, que geralmente têm pouco valor agregado para justificar grandes investimentos.  

Outro ponto que deve ser observado é a necessidade de governança de TI no processo de desenvolvimento nas empresas. Afinal, com as fronteiras abertas para pessoas não técnicas, as alterações e criações tendem a ser mais difíceis de controlar. No longo prazo, isso pode representar dificuldade em fazer a manutenção dessas soluções. Por isso, é muito importante que as empresas adotem boas práticas para o uso e gestão das ferramentas no/low-code.  

Por fim,  para  decidir se o low-code vale a pena, analise o projeto que você quer implementar, compare com os recursos disponíveis e com o grau de customização que vai precisar na solução. Estude e entenda o momento da sua companhia e do setor que está inserida para fazer investimentos assertivos e eficientes, que apoiem estrategicamente o crescimento do negócio. 

Marcelo Mac Fadden, COO da Programmer’s.

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