Líderes de empresas e colaboradores discordam sobre o futuro do trabalho, revela nova pesquisa

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A edição 2021 do Global Workplace Report, da NTT Ltd., mostra que os líderes estão significativamente mais satisfeitos sobre como eles se ajustaram às novas normas de trabalho do que seus funcionários, e aponta para a necessidade de uma visão organizacional mais clara sobre como os colaboradores reavaliaram o que eles precisam do local de trabalho.

Ao conduzir 1.146 entrevistas em 23 países, incluindo o Brasil, com diversos entrevistados, a NTT descobriu uma concordância quase universal de que o trabalho remoto trouxe dificuldades, com 82% dos entrevistados (67% no Brasil) dizendo que tem sido desafiador, tanto para a performance das organizações, quanto dos colaboradores, e 81% afirmando que tem sido um desafio para os funcionários, sendo 75% no Brasil. Por outro lado, 63% dos CHROs (43% no Brasil), dizem que o bem-estar dos funcionários se deteriorou ao longo da pandemia.

Entretanto, a ampla conscientização sobre o problema nem sempre se traduz em uma avaliação realista da capacidade organizacional. Comparado com a equipe operacional, os CEOs têm 20 pontos percentuais mais chance de acreditar que as suas empresas são efetivas no gerenciamento das horas de trabalho, 28 pontos mais chance de acreditar que elas são eficazes na prevenção do burnout, e 41 pontos mais chance de estarem muito satisfeitas com as capacidades de experiência dos seus funcionários.

Essa falha de consciência reflete uma séria falta de confiança dos funcionários, com somente 38% dizendo que as empresas onde trabalham valorizam completamente sua saúde e o bem-estar, e somente 23% dizendo que estão muito felizes trabalhando na empresa atual.

Subjacente à falha na satisfação entre colaboradores e empresas, a pesquisa apontou um grau significativo de diversidade nas atitudes dos funcionários em relação às suas próprias preferências de trabalho futuro. Os dados da voz dos funcionários (VOE) mostram que, quando oferecida a opção de formas de trabalho em casa, híbrida, ou no escritório, os colaboradores estão relativamente divididos de maneira igual entre os três, 30% dos colaboradores prefere a opção de trabalho em casa, 30% de maneira híbrida e 40%, o retorno ao escritório.

Esta descoberta contradiz a crença partilhada por 79% das organizações, de que os funcionários preferem o trabalho remoto, quando, de fato, os dados do VoE revelam que apenas 39% deles desejam trabalhar no escritório em tempo integral.

"Atualmente, o discurso é todo sobre o trabalho remoto – mas a realidade da necessidade dos funcionários é muito mais complicada, e qualquer falha em avaliar e responder corretamente a esse fato apresenta um sério risco para as companhias", comenta Alex Bennett, Global Senior Vice President, GTM Solutions na NTT Ltd. "Descobrimos que o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e o tempo de deslocamento são agora os dois maiores fatores que as pessoas consideram ao decidir onde vão trabalhar. Então, desempenhar-se bem na força de trabalho e na estratégia do local de trabalho será uma vantagem competitiva real, para as empresas".

A necessidade de liderar pelo exemplo

Atuar com base em uma visão clara da perspectiva dos colaboradores tem sido mais difícil por conta da falta de dados minuciosos e do levantamento das ideias. Em relação à prioridade de dados, 52% das empresas (59% no Brasil) reportam o VoE como sendo o principal foco, junto com a analítica do espaço de trabalho, com 54% (63% no Brasil). Apesar disso, entretanto, somente 39% das organizações (33% no Brasil) possuem programas de VoE estruturados, e 37% (59% no Brasil) empregam a análise de sentimento em tempo real, comparado com 54% (47% no Brasil) de utilização de pesquisas de funcionários.

A pesquisa também demonstrou que a aplicação desses tipos de dados para melhorar o EX (Employer Experience) precisa ir muito além da qualidade de vida no dia a dia, aos 40%; os valores e propósitos de uma companhia são agora o terceiro fator mais importante para escolher onde trabalhar. Nesta área, colaboradores e líderes de empresas estão sincronizados, com 89% (92% no Brasil) concordando que os objetivos de ambiente, social e governança (ESG) estão no coração da agenda das empresas.

"Eu olharia para isso como um apelo para uma mudança do nosso pensamento. Devemos focar em resultados e não em ações", conclui Bennett. "O que importa não é o que fazemos para melhorar o ambiente de trabalho, mas como isso realmente beneficia a todos – e não é possível saber isso sem uma abordagem madura para mensurar o sentimento dos colaboradores. Surpreendentemente, dois terços dos colaboradores dizem que ainda não estão equipados com todas as ferramentas que eles precisam para trabalhar em casa, e apenas 55% (57% no Brasil) das organizações dizem que estão muito satisfeitas com os espaços prontos para o trabalho híbrido. No entanto, 82% (90% no Brasil) das companhias estão comprometidas em organizar os espaços dos escritórios nos próximos 12 meses, para estimular um ambiente de inovação e conexão social. Claramente, existe uma consciência em algum grau que estratégias imaturas de força de trabalho levarão a funcionários descontentes, e que o trabalho deveria ser conduzido pelo que as pessoas realmente precisam".

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