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Conduta corporativa será essencial para mudar as desigualdades sociais

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Os profissionais que trabalham com capital humano passaram a enfrentar novos desafios no ambiente de trabalho, como conduta corporativa e contribuição com a comunidade. Passaram a tratar de questões no âmbito social, como a igualdade de gênero, educação, saúde e bem-estar, redução das desigualdades. Causas inclusivas tornaram-se oportunidades para que as empresas atuem internamente, com os trabalhadores, e externamente na comunidade, de maneira integrada com os outros stakeholders da sociedade. Ser ético e responsável passa a ser um diferencial cada vez mais relevante aos olhos dos investidores. Esses assuntos foram discutidos no painel de encerramento do ESG Forum, promovido pela TI Inside, nesta quinta-feira, 17.

O fator Social, do ESG, se refere aos esforços utilizados para garantir a saúde e o bem-estar do capital humano da empresa, além do relacionamento com a comunidade em seu entorno. Nesse sentido, destaca-se a preocupação com a diversidade na equipe, defesa do consumidor, engajamento com a comunidade, privacidade e proteção de dados pessoais, respeito aos direitos humanos e legislação trabalhista, saúde e bem-estar animal, entre outros.

O professor e coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS) e conselheiro da Abraps, Marcus Nakagawa, é um entusiasta do tema.  Para ele, a visão social dos negócios vem evoluindo significativamente e, nesse processo, amplia seu escopo. No passado o S do ESG não era percebido como responsabilidade social, mas somente ações pontuais de alguma ou pouca relevância.

Com a entrada no mercado de trabalho da geração Z, os colaboradores também passam a selecionar onde trabalhar em função da liberdade que têm para serem eles mesmos. Como resultado, empresas inclusivas e socialmente responsáveis atraem e retém melhores talentos”, evidenciou o professor.

“Há 30 anos já falamos sobre o S e esta inserção das empresas do social não é mais uma meta. O aspecto Social tornou-se protagonista no último ano, especialmente pela necessidade de enfrentamento da pandemia de COVID-19. E isso, se relaciona com a forma como as empresas se portam com as pessoas que fazem parte do seu universo e, se manifesta sobre questões relacionadas à satisfação dos clientes, relacionamento com a comunidade, o que engloba o combate à desigualdade social, investimentos em alimentação e saúde de populações desfavorecidas e, também, abrange a diversidade das equipes e o engajamento dos funcionários, respeitando os direitos humanos e às leis trabalhistas”, explicou.

Como salientou o professor, ao se aliar o capital humano com todo o arcabouço de tecnologias disponíveis, as empresas estarão certamente fadadas a aumentarem muito seu lucro, mas também de se tornarem muito mais participantes nas questões sociais. “Estes são os novos tempos pós-pandemia que precisaremos mudar de vez, o tradicional mindset com somente um foco e de processos lineares, com mais ESG”, declarou.

Um aspecto importante do ESG, quanto ao seu Capital Humano, foi explanado pelo diretor de Talentos da Vivo, Fernando Luciano. Com mais de 80 programas de valorização, inserção, capacitação entre outros, a Vivo tem se destacado como uma empresa que está envolvida na questão social.

“As ações a Vivo estão direcionadas ao seu entorno, às pessoas, mas há sempre o viés da valorização e da inclusão, da diversidade em cada aspecto de cada programa desenvolvido pela companhia”, salientou.

Na esfera social, por exemplo, a empresa implementou o projeto Escolas Conectadas, que estimula o ensino a distância para educadores de escolas públicas, ganhou o Prêmio UNESCO de Melhores Práticas e Desempenho no Aprimoramento da Eficácia de Professores. Para se ter uma ideia, no último ano, a Vivo ampliou suas ações de diversidade, com objetivo de tornar a empresa ainda mais inclusiva e plural. O quadro de colaboradores está mais diverso: em 2020 foram contratados 11 profissionais transgêneros; mais de 40% dos profissionais são mulheres, sendo 25% diretoras e 33% em nível gerencial. A Vivo também ampliou a contratação de profissionais negros e a última edição do Programa de trainee teve 43% das vagas preenchidas por eles. A equidade também passa pela representatividade feminina, com várias mulheres em cargos de decisão dentro da companhia e em programas específicos de Mulheres na Tecnologia, ocupando cargos anteriormente dominados pelos homens. Isso, sem mencionar ainda os postos de trabalho destinados aos deficientes em várias áreas da companhia.

Segundo Rodolfo Fücher, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software – ABES, ao capacitar as empresas a fim de gerenciar todo o ciclo de vida dos seus talentos, desde o recrutamento até processos de requalificação, há aí uma forte impressão da tecnologia que vem impactando as práticas de gestão de pessoas, gerando modelos disruptivos em substituição a processos tradicionais.

“Na ABES desenvolvemos alguns programas que visam a redução da desigualdade digital das pessoas e além de outros projetos com um cunho mais humanitários para capacitação de jovens e sua inclusão no mercado de trabalho como forma de estimular a economia. Outro projeto recente é de reciclagem de equipamentos de TI entre os associado da entidade, cujo resultado é revertido para apoio às entidades que o doador escolher”, contou o presidente da Abes.  De forma mais genérica, Fucker aponta para um gap da economia brasileira onde há muito campo para o trabalho de mão de obra técnica no mercado, inclusive, muito estimulado em outros países mais pouco explorado no Brasil.

No mesmo caminho, conforme contou Rubem Duek, presidente da Associação Meu Futuro Digital, está esta ONG que nasceu em 2019. Um grupo de trabalho composto por CEOs, CIOs, CFOs entre outros empresários, com o propósito de transformar o futuro do Trabalho e da Educação por meio da Tecnologia da Informação. “Somos um ecossistema de empresas e entidades que tem a intenção estratégica de acelerar a inclusão de jovens e profissionais nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics), de modo a promover inclusão, formação, mentoria e emprego de alta renda na área de TI no Brasil”, explicou.

“Por meio de cursos de formação profissional e do estreito contato com empresas, o objetivo é buscamos ser um grande hub para conectar os jovens às iniciativas existentes que o levem da conscientização sobre as oportunidades ao emprego digital, passando por programas de capacitação, mentoria, apoio financeiro e colocação em empresas parceiras”, disse Duek.

Outra empresa que procura valorizar o capital humano da sociedade  é a Top Trends que desde 2005,  já realizou 13 edições da CowParade em todo o Brasil. Também produziu diversas exposições itinerantes pelo país como a Rinomania, uma exposição de rinocerontes decorados em comemoração aos 60 anos da Duratex; a Call Parade, que transformou 100 telefones públicos da capital paulista num suporte original para obras de arte a pedido da Telefônica/Vivo; a Big Heart Parade, que reuniu 78 corações customizados por arquitetos renomados da CASACOR 2013; a Mônica Parade, que homenageou, em 2014, os 50 anos da personagem, levando 50 esculturas às ruas de São Paulo, fruto de uma parceria entre a editora Panini e a Maurício de Sousa Produções, a exposição Reciclalata projeto desenvolvido em parceria com a Novelis para reforçar a importância da reciclagem das latinhas de alumínio e que passou por várias cidades entre 2015 e 2017; em 2018, a Happy Art Parade, uma exposição inédita que utilizou os emojis como suporte para arte e; mais recentemente “17 ODS para um mundo melhor”, exposição artística baseada nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU para um mundo melhor até 2030. 

Como conta Catherine Duvignau, CEO e fundadora da Toptrends, a realização da transformação digital por meio da cultura é uma forma de expandir a narrativa do ESG para as empresas e para o público.

“Ao realizar exposições e intervenções urbanas, revelar artistas e disseminar arte e cultura para o grande público há a valorização do potencial humano das cidades.  Como resultado acabamos por promover eventos, valorizando e descobrindo artistas, que terminam com um grande leilão, ao final de cada exposição, em prol de entidades beneficentes locais. Sempre com o foco local, onde eles acontecem”, explicou.

Com esses exemplos, fica claro que a estratégia ESG quanto mais eficaz permite que as empresas melhorem o desempenho, gerenciem riscos e aumentem sua posição no mercado. Assim, ao integrar todas as partes interessadas, essas mesmas empresas inspiram a confiança dos investidores e aumentam seu valor para os acionistas e são mais respeitadas pelos consumidores.

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