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ESG Forum destaca a democratização do investimento sustentável

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ESG é a sigla em inglês para “environmental, social and governance” (ambiental, social e governança, em português), que tem sido usada como métrica nas práticas ambientais, sociais e de governança pelas empresas. A própria sigla ESG surgiu pela primeira vez em um relatório de 2005 intitulado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”, em tradução livre), resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas, portanto o termo não é novo, mas nunca fez tanto sentido como nos dias de hoje.

Por isso, a TI Inside apresentou nesta quarta-feira,16, a primeira edição do ESG Fórum 2021, uma iniciativa para discutir a importância das empresas adotarem as práticas de ESG, a fim de firmarem um compromisso real com a preservação dos recursos naturais, adotarem melhores práticas de governança corporativa, adotarem tecnologias habilitadoras que promovam o bem-estar no ambiente de trabalho, contribuem com a comunidade para estarem preparadas para enfrentar os desafios futuros e buscar solidez em longo prazo.

O primeiro painel do ESG Fórum 2021 trouxe à luz as estratégias das companhias para se posicionar no mercado com o que preconiza a ESG e quais os desafios para se tornar uma empresa com este footprint.

Contextualizando essa origem, como disse o sócio-diretor na Fama Investimentos, Fábio Alperowitch, o conceito que nasceu nos Estados Unidos acabou influenciando o resto do mundo. Ele aponta ainda que – ambiental, social, governança – são as principais áreas onde estão ocorrendo as grandes transformações momento. “É neste sentido que   grandes mudanças estruturais estão acontecendo quase que simultaneamente “.

“A primeira mudança clara neste sentido é a do próprio capitalismo, claramente um capitalismo que era muito hostil, especialmente na década de 90, quando as empresas se apropriaram de valores de toda sua cadeia em benefício próprio. Isso mudou em meados dos anos 2000, momento que se começa a olhar para stakeholders com outro olhar e o entendimento entre os fornecedores até o ponto e se passar a ter um relacionamento entre eles”, explicou.

Alperowitch mostra também que nesse processo houve um crescente de atenção da sociedade, passando assim o consumidor a entender quais as matérias primas, de onde vem, quem as produz, quais os impactos desses materiais no meio ambiente e principalmente qual a relação das empresas com as pessoas envolvidas na cadeia produtiva.

“Esta segunda etapa do fenômeno que a gente passa neste momento é uma transição geracional. A geração Z se importa muito mais com as questões sociais e ambientais do que as gerações anteriores. Essa geração aponta questões que fazem parte de seus valores, o que significa que vai consumir, investir e pensar nas questões que fundamentam seus princípios como homofobia, racismo, pegada de carbono ou hídrica e direitos trabalhistas entre outros”, disse.

O executivo também alerta que do alinhamento das empresas depende o futuro, que caso contrário perdem o trem da história e talvez não consigam, neste futuro, reverter o impacto que já causaram nas áreas ambiental ou social.

Luiz Fernando Quaglio, assessor de Investimentos Sustentáveis na Veedha Investimentos, conta que o projeto da empresa surgiu ano passado em vista dessa relação estrutural de mudança geracional que questiona as origens e impactos dos produtos e que com relação a investimentos não faz diferente. “Para este novo investidor, sua relação com os investimentos é importante que haja uma régua mínima ética para entender o que é o investimento sustentável e para onde está indo seu dinheiro”, reforçou.

Quaglio mostra que um viés importante nos investimentos ESG no Brasil passa pela questão da democratização, já que investir até algum tempo atrás era um ato de poucos. “Mais que a popularização do mercado, a democratização tem, neste caso, um conceito holístico do que é sustentabilidade, de como ela está inserida em cada uma das situações no nosso trabalho, em todas as companhias e todo sistema produtivo, bem como em todo sistema capitalista. Como transmitir essa comunicação é trazer as pessoas para participar da Democracia da sustentabilidade”, reforçou. “Tudo isso se relaciona com um aspecto individual das liberdades e também aspecto coletivo da responsabilidade da sustentabilidade, da coparticipação – que é a responsabilidade individual compartilhada com o coletivo”.

Na prática, conforme explicou Quaglio, a democratização do investimento sustentável no Brasil está passando por uma mudança estrutural em relação ao capitalismo deteriorado e assimétrico que temos e no seu aspecto global. “Esta relação de sustentabilidade e todas suas consequências buscam no ESG aquilo que tem que ser mitigado ou conservado”, comentou. “Poderia ser empregado um benchmark de outros países, mas trazer à realidade brasileira com suas diversidades possibilita implementar métricaa de forma mais integrada e com isso, mais rentabilidade e cuidados as comunidades que serão beneficiadas”.

Renata Campetti Amaral, sócia do escritório Trench Rossi Watanabe (TRW) e líder do grupo de prática de Meio Ambiente, Consumidor e Sustentabilidade, falou da importância do ESG sob seu aspecto legal jurídico, já que diferença que se vê hoje muito forte nas empresas que estão partindo para a questão de sustentabilidade é uma análise interativa e ter um olhar para o futuro diferente daquele que passou, onde se buscava culpados por coisas erradas, onde tinham que receber sanções e penalidades. “Hoje a ideia de que empresa se reúna em torno de um propósito, ouvindo seus stakeholders, e se prepare para um futuro dentro desse propósito. E isso faz com que a empresa esteja muito melhor preparada em termos de riscos”, analisou a executiva.

Para ela, entender o que está dentro de cada um dos pilares do ESG está também relacionado a estar atento às questões relativas aos recursos renováveis, uso de energia de forma eficiente, a questão dos resíduos, a utilização de uma política de economia circular além de todas as questões relacionadas a estas temáticas.

Ela cita, por exemplo, estudos que mostram a preocupação na América Latina onde primeiro item que aparece com 60% das preocupações se relaciona com pessoas, sobre a questão social, os Direitos Humanos de uma forma mais ampla na estrutura das empresas para atender os Direitos Trabalhistas.

Josilmar Cordenonssi Cia, professor e pesquisador na Universidade Presbiteriana Mackenzie, mostra que a economia tem uma certa dificuldade de entender essas motivações do ESG e tem um conflito interno que às vezes se contrapõe entre o lucro e o social. “Vemos que quando há o interesse coletivo com a função social da empresa, imediatamente isso é sentenciado como coisa do estado!”, argumenta o professor explicando que quando os lucros são ameaçados, o capitalismo se protege.

Dessa forma, como explicou, esse movimento vai ao encontro aos interesses dos acionistas por ser uma demanda deles: um retorno de mais de curto prazo. “Nesse conflito tem que deixar claro que ele está buscando esse retorno maximizado do valor da empresa, mas no longo prazo, se consegue fazer um alinhamento. Fica claro nos interesses do acionista e da sociedade em geral, que o grande problema é quando a empresa não é sustentável e tem que mudar, mas tem que haver uma pressão externa. Essa discussão não é transparente então o caminho para ter um mundo melhor passa necessariamente pela transparência, pela ética “, afirmou.

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