Programa de treinamento da IBM com corte de salário gera polêmica nos EUA

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A IBM adotou um programa de treinamento considerado por especialistas em RH como, no mínimo, inusitado. A companhia criou um curso de aperfeiçoamento para funcionários de sua divisão de serviços de tecnologia nos Estados Unidos, de um dia por semana, mas promoveu um corte de 10% no salário dos empregados durante seis meses.

A preocupação dos analistas é que a medida se torne uma tendência em programas de reciclagem de outras corporações, num momento em que os trabalhadores americanaos lutam para manter um salário mais competitivo, em uma economia em rápida mudança. Alguns funcionários da IBM descontentes dizem que o programa é, na realidade, uma tática de redução de custos disfarçada de programa de treinamento. A IBM diz que o programa é limitado a um pequeno número de funcionários e se destina a evitar demissões.

Na sexta-feira passada, 12, alguns trabalhadores terceirizados da empresa receberam um e-mail informando-os sobre o programa. Nele, a IBM afirmava que em uma "uma avaliação recente" tinha identificado que esses trabalhadores "não mantiveram o ritmo de aquisição de habilidades e competências necessárias para lidar com as necessidades dos clientes, a tecnologia e as exigências do mercado". E acrescentava: "Você foi identificado como um desses funcionários", de acordo com uma cópia enviada ao The New York Times por um funcionário.

O treinamento é realizado um dia por semana, por até 23 dias. Durante esse tempo, o e-mail informa que o empregado "vai receber 90% do seu salário base atual". Os funcionários que recebem o e-mail é dada pouca escolha, a não ser procurar outro lugar na empresa, "com oportunidades para que suas habilidades possam melhorar".

Procurada pelo jornal americano, a IBM, por meio da representante Trink Guarino, enfatizou que o programa de corte de salário e reciclagem não é uma prática comum para toda a empresa, mas para algumas centenas de trabalhadores terceirizados de sua divisão de serviços de tecnologia nos EUA, disse ela. "Trata-se de um número muito pequeno de pessoas", reafirmou, acrescentando que a medida visa também preservar os empregos.

"O mercado de tecnologia está mudando rapidamente", disse a representante, observando que os clientes corporativos estão passando a adotar serviços de nuvem, computação móvel e análise de dados avançada. "E os programas de treinamento irão focar nessas áreas", ressaltou ela.

Os trabalhadores afetados trabalham na unidade de negócios da IBM que gerencia operações de tecnologia para outras empresas, por meio de contratos de terceirização de longo prazo que geralmente se estendem por cinco ou mais anos. Os funcionários recebem por hora trabalhada, e se passarem um dia por semana num curso de formação, isso equivale a 20% menos horas trabalhadas. A IBM diz que o corte salarial de 10% é uma forma de "coinvestimento", com o custo compartilhado pelos trabalhadores e a empresa.

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