NFT, metaverso, sustentabilidade e governança tecnológica. Qual será a tônica do mercado em 2022?

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O ser humano só deseja aquilo que conhece e a tecnologia pode criar produtos e serviços antes mesmo do mercado e as pessoas demandarem. É o caso do metaverso, anunciado pelo Mark Zuckerberg há pouco mais de dois meses. Um mundo virtual, com interações reais, e um potencial de disrupção tão grande – ou maior – do que o lançamento da internet.

A primeira referência ao termo foi feita no livro de ficção científica Snow Crash, de Neal Stephenson, em 1992, em que as pessoas usavam o metaverso para escapar de uma realidade distópica. Quase 20 anos depois, ele chega com uma nova proposta – criar experiências imersivas – abrindo um universo de possibilidades que começam a ser impulsionadas por algumas empresas e setores de mercado e irão mudar a lógica dos negócios e das interações humanas.

Assim tem sido na história da humanidade – a inovação gera a mudança de comportamento de uma geração e prepara tantas outras para se abrirem ao novo. Isso se intensificou nos últimos dois anos, em que em meio a uma situação sem precedentes, fomos todos, indivíduos e empresas, colocados à prova. A tecnologia foi ainda mais essencial para conseguirmos nos comunicar, trabalhar, nos relacionar e dar continuidade a tantas outras necessidades inerentes ao ser humano. O criador nunca dependeu tanto de sua criatura – aqui representada pela tecnologia – para sobreviver. Diante de tantas transformações, tecnológicas e comportamentais, o que será que nos aguarda em 2022 além do metaverso? Quais são as novas fronteiras a serem transpostas?

De acordo com o Chris Cox, CPO da Meta, o metaverso não deve substituir a vida real, mas é importante olharmos para tudo o que ele pode nos proporcionar. Um exemplo é o encontro de uma família que não pode estar junta nas festas de final de ano em um ambiente 3D em que possam interagir de uma forma diferente. E essa é apenas uma das situações que poderiam ser melhoradas a partir desse universo virtual.

Outra tecnologia que ganhou destaque em 2021 são os NFTs (sigla em inglês para tokens não-fungíveis). Ao longo do ano passado, eles se tornaram os queridinhos dos criptoativos e cresceram 55% em comparação à 2020, tendo sido eleitos a palavra do ano pelo Dicionário Collins. Os NFTs funcionam como um certificado de autenticidade e garantem a propriedade de um ativo digital por meio da tecnologia blockchain, possibilitando seu uso em todos os setores de mercado. Eles podem garantir a singularidade de um quadro, atestar a autenticidade de um contrato, ou alavancar e rastrear todos os serviços de hospitalidade e turismo relacionados a um evento específico, como um musical, por exemplo.

O mundo dos games está mais preparado do que os outros mercados para este cenário que se aproxima. Porém, outros setores já estão ingressando fortemente nesse universo, como o da moda. A Nike adquiriu a startup RTFKT, especializada em produtos virtuais e NFTs colecionáveis, para lançar uma linha de produtos no metaverso, enquanto a concorrente, Adidas, lançou uma coleção de 30 mil NFTs que davam acesso a itens físicos e digitais exclusivos para colecionadores. Toda coleção foi vendida em apenas três dias e rendeu mais de US$ 43 milhões para a empresa.

Os impactos do NFT, assim como do metaverso, foram um dos principais temas do Web Summit realizado em outubro de 2021, um dos maiores eventos de startups do mundo em que tive a honra de participar. O evento abordou também as mudanças trazidas pelo trabalho remoto, que vem impulsionando a descentralização dos hubs de tecnologia, possibilitando a entrada e o fortalecimento de novos países no concorrido cenário da inovação, abrindo oportunidades de crescimento econômico para outras regiões, bem como de educação e emprego para pessoas em todo o mundo.

Outros temas que devem vir forte neste ano são a sustentabilidade – principalmente relacionada a fontes renováveis de energia e uma logística mais verde – e a governança tecnológica – em especial no que tange à inteligência artificial. Até o momento, seu desenvolvimento ainda é sub-regulamentado, mas a nova era das interações online provavelmente contará com uma rede mundial de computadores melhor e mais ética.

Essas tecnologias irão impactar todos os negócios – em maior ou menor grau -, bem como empresas e interações humanas. E, pelo que tenho acompanhado, principalmente dentro do ecossistema de startups em que convivo e que é um verdadeiro celeiro de soluções visando melhorar a vida das pessoas, posso afirmar que a integração entre elas irá impulsionar transformações ainda inimagináveis. E, nesse universo de possibilidades, temos, todos nós, um importante papel de usar a tecnologia com um olhar mais propositivo para a sociedade.

Rafael Lauand, head de Estratégia e M&A da Movile. Com cerca de 10 anos de experiência na área, já atuou como head de Desenvolvimento de Negócios no iFood e acumula passagens pela Vitta, Vá de Táxi, Easy Taxi, Itaú BBA e KPMG Corporate Finance. Sua última passagem foi no LAR.app, startup de administração de condomínios, da qual ele é fundador e atuou como co-CEO. Graduado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Paraná, Lauand foi professor de Métricas no curso "Direito da Startup" do Insper e acumula uma sequência de especializações: cursos de educação executiva focados em Contabilidade e Finanças pela Universidade de La Verne e em Intuição Estratégica pela Columbia Business School. Também tem especialização em Controladoria e Finanças na Universidade Federal do Paraná e em Ciência de Dados na Johns Hopkins University School of Education.

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