Digitalização e pandemia impulsionam investimentos de instituições financeiras em nuvem resultando em ROI 10 vezes maior

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O momento atual da nossa história se mostra extremamente grave no aspecto humano, mas também é um marco definitivo na área financeira. Dois são os fatores causadores da disrupção no setor financeiro: mudanças avassaladoras trazidas pela revolução digital e as intensas transformações sociais e corporativas trazidas pela pandemia de Covid-19.

O novo estudo da Capco chamado "Redefinição do Setor: após Covid, nuvem transforma liderança no setor de Serviços Financeiros" mostra que 59% das instituições financeiras esperam que o uso da nuvem aumente suas receitas.

Essa pesquisa é uma análise aprofundada de dados de finanças por parte dos especialistas da Capco sobre o relatório global "Fazendo os negócios prosperarem: Roadmap de uma empresa líder no uso da nuvem para atingir um ROI 10 vezes maior", feito pela Wipro FullStride Cloud Services com base em 1.300 respostas de executivos de alto escalão e importantes tomadores de decisão de 11 setores econômicos, 26% deles relacionados a serviços financeiros como setor bancário, seguros e mercado de capitais.

De acordo com os executivos que responderam à pesquisa, os investimentos em nuvem ajudam a reduzir custos operacionais e geram novas receitas e o retorno sobre investimento (ROI) gerado com a nuvem fica 10 vezes maior à medida que as empresas vão avançando em sua implementação. Outros benefícios relatados são lançamentos mais rápidos no mercado de produtos e serviços, melhoria no relacionamento com os clientes e tomadas de decisão mais inteligentes.

O esforço para a implementação integral da estrutura de nuvem, no entanto, levará ainda de três a cinco anos, de acordo com o estudo. "As instituições tiveram que ter agilidade para adotar novas formas de trabalho com tecnologias ainda desconhecidas ou não totalmente testadas e em um ritmo acelerado para atender as demandas digitais dos clientes. Ao mesmo tempo, essas empresas viram a concorrência crescer exponencialmente com surgimento de fintechs e até de gigantes de tecnologia criando soluções financeiras", diz Luciano Sobral, sócio da Capco Brasil.

O objetivo do estudo é identificar as tendências e oportunidades que as empresas devem considerar para se tornarem líderes no uso da nuvem. Com a crise sanitária mundial, houve uma aceleração dos roadmaps de tecnologia e mais da metade das companhias participantes da pesquisa investiram mais em nuvem para aumentar sua resiliência, reduzir riscos, ter alternativas de trabalho flexíveis e criar formas de interação com clientes.

Investimento que traz resultados

Em 2021, a previsão de gastos com nuvem foi, em média, de US? 36 milhões para bancos, US? 41 milhões para mercado de capitais e US? 55 milhões para o setor de seguros. Apesar desses investimentos, as empresas de serviços financeiros ainda não estão com os processos completamente otimizados para uso da nuvem. Atualmente, operam cerca de 38% de suas atividades por meio de nuvem e projetam que esse percentual passe a ser de 55% nos próximos 2 anos.

Os maiores avanços com uso da nuvem nas empresas financeiras foram: análise de dados e clientes (59%); gestão e experiência do cliente; operações e gestão de TI (49%); gestão financeira, relatórios e auditoria (40%) e cibersegurança e gestão de riscos (37%). "Os dados da pesquisa indicam que as organizações estão agora amadurecendo o uso de soluções digitais baseadas em nuvem e adotando uma estratégia de nuvem em toda a empresa", afirma Luciano Sobral. Um exemplo detectado no relatório é a área de Marketing: as instituições do setor financeiro usam ferramentas como Inteligência Artificial e Analytics de dados para diferenciar suas marcas e promover fidelidade e maior satisfação dos clientes.

A segurança com dados internos estratégicos e de clientes também é uma preocupação constante e necessária: as organizações necessitam escolher uma estratégia para administrarem seus recursos no ambiente de nuvem que passam por itens como armazenamento, segurança, aplicações e manutenção. A maioria das empresas espera um aumento no uso da nuvem híbrida e pública para trazer mais flexibilidade, pois ao implementar modelos de nuvem híbrida é possível integrar dados de risco ao ambiente, o que ajuda a combater a violação e o roubo de dados. Os principais prestadores de serviços para as empresas pesquisadas no estudo da Capco são Google Cloud Platform, Microsoft Azure e Amazon Web Service.

Para manter o crescimento, as empresas esperam fazer investimentos mais significativos nos próximos anos nas áreas de Desenvolvimento de Produtos/P&D (62%), Cibersegurança (48%), Desenvolvimento de Negócios e Vendas (42%) e Compras/Cadeia de Suprimentos (44%). A cibersegurança é necessária à medida que as técnicas dos criminosos vão avançando. A Central de Denúncias de Crimes na Internet do FBI (Federal Bureau Investigation, nível de Polícia Federal dos EUA), reportou 2.084 denúncias contra ransomware (ataque virtual que criptografa dados e exige um "resgate" para devolução) de janeiro a julho de 2021, um aumento de 62% em relação ao ano anterior.

Diante desse cenário preocupante, as empresas precisam atualizar constantemente seus programas de proteção e reduzir os pontos de ameaça. Migrar para nuvem ajuda muito nesse aspecto porque os serviços oferecem no pacote medidas efetivas de segurança, além de constantemente atualizarem suas tecnologias e mecanismos de recuperação. Além disso, agências reguladoras mundiais estão bastante focadas em exigir segurança dos dados dos clientes, sob pena de multas. O Brasil, por exemplo, criou a Lei Geral de Proteção de Dados (13.709), que entrou em vigor em agosto de 2021, com esse propósito.

Com todo esse processo complexo em andamento, o investimento em nuvem, além de gerar eficiência, também impulsiona o crescimento das organizações. Quase todos os citados na pesquisa Capco citam maiores receitas em três anos, resultantes do uso da nuvem para criação de novos produtos, serviços e modelos de negócios. A média desses ganhos é de 4%, embora cerca de um terço das companhias prevejam aumentos de até 15%.

"A prática acaba levando realmente aos lucros, elevando significativos ganhos cumulativos", comenta o partner da Capco Brasil. Além dos ganhos com receita e lucratividade, outros benefícios detectados foram: maior participação no mercado e aumento da base de clientes; maior retenção e satisfação dos clientes, mais trabalho equipe e cultura corporativa mais forte, melhor planejamento e tomada de decisão e, por fim, compliance e gerenciamento de riscos mais eficazes. "Para que as instituições do setor de serviços financeiros atendam todas as demandas e continuem crescendo, elas precisarão ser orientadas por dados, lançar produtos mais rápido no mercado e serem ágeis e resilientes na execução", salienta Luciano Sobral.

Obstáculos a serem enfrentados

Alguns insights sobre adversidades que podem surgir também foram apurados na pesquisa da Capco. O maior desafio é a falta de estratégia no uso da nuvem: 44% citam esse fator como barreira. Isso acontece porque as tecnologias em nuvem têm sido tradicionalmente aplicadas em nível departamental para corrigir problemas específicos, como precisão e velocidade de inserção de dados ou até mesmo para melhorar fluxos de trabalho, o que as deixa "presas" em departamentos. Isso leva a uma demora para estruturar roadmaps de uma jornada digital por toda a organização.

O setor financeiro, em comparação com outros estudados na pesquisa (como seguros e mercado de capitais), está um pouco atrás no uso de recursos digitais, mas os investimentos mostram que estão a ponto de se igualarem ou até mesmo liderarem no futuro próximo.

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