IoT começa a movimentar diversas iniciativas na indústria

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Durante o IoT Business Forum, realizado nesta terça-feira, 19 de junho, empresas de diferentes setores da economia, como agronegócio indústria automobilística (veja case da Ford), manufatura, varejo, serviço e telecomunicações, apresentam projetos e modelos de negócios de adoção de Internet das Coisas no Brasil.

A Embraco, multinacional fabricante de compressores herméticos de refrigeração, com sede em Joinville, em Santa Catarina, já utiliza uma plataforma batizada como Diili –  Data Information Insight Learning Intelligence – e pretende expandir o seu uso para além das fronteiras nacionais. A Dilli ajuda marcas de bebidas e alimentos a gerenciarem de forma efetiva a performance de seus freezers e geladeiras comerciais nos pontos de venda. A solução tem o hardware fabricado na unidade China da Embraco e a parceria da Amazon, para hospedagem dos dados na nuvem, e da também brasileira CI&T, de Campinas, para o desenvolvimento das interfaces e aplicativos para a coleta e transmissão dos dados.

Atualmente, o Brasil conta com cerca de quatro milhões de refrigeradores e a Dilli impede roubos de máquinas e aumenta a eficiência energética em até 15%, uma vez que a IoT permite minimizar os custos de consumo de eletricidade e o desperdício e perda de alimentos estocados, como sorvete,  nos refrigeradores.

A conexão é realizada através de técnicas de conectividade de referência no mercado e adequadas a aplicação M2M (Machine-to-machine), permitindo a conexão do equipamento com a internet. Isso o transforma em um equipamento inteligente que transmite informações para nuvem em tempo real.  Uma vez recebidas as informações, começa a fase da inteligência, onde as análises se baseiam em acontecimentos, como por exemplo: se a geladeira precisa de manutenção preventiva, se a temperatura está adequada para o tipo da carga, se tem produtos suficientes para as vendas, se o equipamento está no lugar autorizado, etc.

No agronegócio, a Agrotools oferece uma plataforma voltada a IoT em parceria com a Logicalis, denominada Eugenio, que oferece tecnologia de software e hardware, segurança e governança, integração de sistemas e usa a abordagem "dentro da porteira", que é tudo o que acontece no interior da fazenda. Também conta com outras plataformas: Terramatrix – de inteligência territorial, responsável pela identificação geográfica, sistema de GIS (coleta de informações); concentra os atores do agronegócio e usa a abordagem "fora da porteira"; e a AgroTools Hub, para empresas e aplicações de transformação digital do campo.

"A ideia foi conceber uma plataforma que possa ser utilizada por toda a cadeia do agronegócio nacional (indústria, fazendas, cooperativas, pequenos produtores, startups, etc), que é diferente do agro da Europa, Argentina ou outras regiões, tanto pela dimensão geográfica do País como também pela característica climática", explica Lucas Tuffi, diretor comercial da Agrotools quando sinaliza que companhia busca constantemente parceiros para tornar as soluções criativas e inovadoras para o mercado.

Na indústria de equipamentos médicos, a FANEM – empresa nacional que fabrica produtos nas áreas de neonatologia de laboratórios – começou a monitorar a temperatura das câmaras de conservação imunobiológicos e hematológicos substituindo os controles em papel por relatórios eletrônicos, incluindo outros parâmetros que controlam tudo por meio do cloud. Hoje, por meio da plataforma MultiConnect FANEM, as câmaras fabricadas no parque industrial da companhia dispõem de conexões wi-fi, ethernet e bluetooth e monitoram, inclusive por dispositivos móveis. Dessa forma é possível saber como estão as temperaturas no interior das câmaras, quantas vezes foram abertas as portas e as condições do sistema elétrico e consumo de energia.

"Esse ano estamos com a proposta de conectar vários produtos da empresa por meio do FANEM Connect, dos quais somam cerca de 40 itens em seu portfólio. Hoje, menos de 10% disso é conectado", comenta Rodrigo Moreni, Head of Laboratory Design Department da FANEM, quando explica ser essa ferraent a alavanca para a IoT da companhia.

Operadora das coisas como serviço B2B

A Oi compartilhou sua visão do mercado para a estruturação de projetos de IoT. A companhia possui uma primeira camada que inclui os equipamentos e sensores, mas também os serviços de campo –  no que diz respeito a instalar, reparar, evoluir e finalmente retirar equipamentos.

Além disso, há uma camada de conectividade que é o DNA de uma operadora. "Temos atuado na prospecção e construção de projetos de IoT para utilização da faixa de 450Mhz. Entendemos ser uma faixa nobre devido seu raio de cobertura e potencial de conexão. A gestão dos dispositivos é parte integrante de qualquer projetos de IoT e na visão operadora conseguir gerar valor correlacionando dados de disponibilidade conexão com  dados do dispositivo", explica Paulo Victor Peixoto Noronha, responsável da área de projetos de IoT e colaboração para o segmento B2B da Oi.

Dessa forma, se um determinado elemento para de transmitir, o cliente da Oi pode saber se há uma falha na conectividade ou uma falha no próprio equipamento, direcionando melhor a ação para reestabelecer seu funcionamento. Finalmente, a operadora conta com outras duas camadas: uma de suporte à aplicação e outra de negócios.

Segundo Noronha, tudo começou com a solução de Gestão de Frotas. A área de Novos Negócios estabeleceu uma parceria com a empresa Thinc que deu a Oi a propriedade intelectual da solução de Gestão Frotas. A princípio, a solução foi utilizada internamente, gerindo a frota própria e a das prestadoras de serviço da Oi, chegando hoje a mais de 20 mil veículos monitorados.

Essa mesma solução foi adaptada para ser vendida para clientes e hoje a operadora conta com mais de 60 clientes, ente empresas privadas e órgãos públicos, melhorando a gestão, reduzindo gastos e otimizando a operação. "Já consideramos nossa solução de Gestão de Frotas como uma primeira solução IoT e aqui entregamos todas as camadas, do equipamento instalado no veículo até a aplicação em nuvem. A mesma estratégia estamos adotando para o IoT com a solução de Gestão de Facilities".

Atualmente, a companhia está fazendo provas de conceito em bancos, onde são monitoradas salas técnicas das agências para abertura de porta, temperatura e energização dos equipamentos. Esses dados estão sendo correlacionadas com nossos sistemas de monitoramento de conectividade, assim se uma sala técnica de uma agência bancária fica sem energia, tanto a Oi quanto o cliente são informados que a conectividade também pode ser afetada – e que o cliente precisa acionar a distribuidora de energia.

Isso permite que o cliente saiba se as agências mais afetadas por falta de eletricidade – onde ele pode colocar baterias e geradores – onde ele pode otimizar o uso de ar condicionado, onde a sala está tendo muitas visitas (abertura de porta) não previstas e como isso impacta a disponibilidade dos equipamentos e etc. Dando efetivo ganho operacional e ajudando no planejamento e alocação de recursos. "Também iniciamos uma aplicação similar para empresas de água e esgoto, onde monitoramos bombas reservatórios de água, que são equipamentos de alto valor e que garantem a distribuição de água para nossas casas. Neste caso medimos pressão de retaguarda, energização, bamba armada, temporizador, garantindo ganho operacional e informação em tempo real de falhas".

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