Nações Unidas alertam para perigo de transformação de tecnologias digitais em armas

0

Em debate sobre as ameaças da segurança cibernética, em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que os perigos de transformação das tecnologias digitais em armas têm aumentado a cada ano.

Na sessão realizada esta quinta-feira, 20,  no Conselho de Segurança, o líder das Nações Unidas chamou a atenção para a escalada da atividade maliciosa no ciberespaço. Os envolvidos são atores estatais, agências não estatais ou criminosos declarados.

Entre os graves incidentes de segurança cibernética, o secretário-geral listou as violações de serviços públicos essenciais como saúde, bancos e telecomunicações.

Guterres mencionou ainda a ação daqueles que chamou de mercenários cibernéticos com "atividade ilícita implacável, incluindo por organizações criminosas".

Para ele, a lista de ameaças inclui "comerciantes de ódio enchendo a superestrada da informação com medo e divisão" e o "uso crescente do ciberespaço como outra arma em conflitos armados que está em andamento".

O discurso assinalou o emergir dos usuários de atividades de computação que promovem causas políticas, sociais ou ideológicas. Para o chefe da ONU, os chamados "hacktivistas" dissipam as fronteiras entre combatentes e civis.

Uso indevido da tecnologia digital  

Ele apontou ainda a fragilidade da crescente integração de ferramentas digitais com sistemas de armas, incluindo os autônomos. Para Guterres, ao mesmo tempo, o uso indevido da tecnologia digital se torna mais sofisticado e furtivo.

Essas ações são alargadas pela ação dos que usam códigos maliciosos, como malware, wipers e trojans, e pelas operações cibernéticas apoiadas pela inteligência artificial.  O secretário-geral destacou que a computação quântica pode quebrar sistemas inteiros com a capacidade de violar a criptografia.

Entre as áreas em perigo da atividade maliciosa estão as instituições públicas© Unsplash/Markus Spiske Entre as áreas em perigo da atividade maliciosa estão as instituições públicas

A ação de bloquear dados por códigos para depois exigir resgate às vítimas para terem acesso é "um exemplo grave de vulnerabilidades de softwares sendo exploradas e recursos de intrusão cibernética vendidos pela internet". Guterres aponta o ransomware como uma "ameaça às instituições públicas e privadas e à infraestrutura crítica da qual as pessoas dependem".

O discurso enfatiza estimativas revelando que em 2023 os pagamentos totais de ransomware atingiram US$ 1,1 bilhão.

Custos financeiros e para a paz  

O chefe da ONU destaca que além dos custos financeiros estão a consequências do tipo de atividade para a paz, a segurança e a estabilidade dentro e fora dos países.

Entre as áreas em perigo da atividade maliciosa estão as instituições públicas, os processos eleitorais e a integridade online quando é afetada a confiança, são alimentadas as tensões e até mesmo disseminada a violência e o conflito.

Para Guterres, a Nova Agenda para a Paz enfatiza a prevenção nos esforços de paz. Ele defende que os avanços no ciberespaço devem ser orientados para o bem e que a tecnologia digital oferece oportunidades por um "futuro mais justo, igualitário, sustentável e pacífico para todos."

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.