Estudo aponta insegurança e sobrecarga de desenvolvedores em início de carreira

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Uma pesquisa realizada pela Codenation — startup de Florianópolis (SC) especializada em recrutamento e aceleração de carreiras na área de desenvolvimento — mapeou as principais dificuldades encontradas por desenvolvedores ao entrar no mercado de tecnologia e o perfil desses novos profissionais no Brasil. O intuito da análise foi criar um panorama sobre as pessoas iniciando carreira em tecnologia e de que forma empresas do ramo podem se aprimorar para receber tais profissionais, preenchendo a grande lacuna de vagas existentes no setor. Ao todo, foram entrevistadas 2.134 pessoas que utilizam a plataforma Codenation entre 21/11/19 e 05/12/19. O estudo está disponível na íntegra neste link.

Cerca de metade das pessoas entrevistadas já atuam profissionalmente na área de desenvolvimento, enquanto a outra metade ainda está se capacitando e em busca de uma oportunidade no setor – seja em nível júnior ou pleno. Ao serem questionadas sobre as dificuldades para entrar no mercado de tecnologia, três obstáculos se sobressaem: falta de experiência (56,6%), falta de conhecimento alinhado às necessidades do mercado (42,4%) e falta de oportunidades locais (27%). Esses obstáculos refletem porque apenas 22,8% dos respondentes não encontraram dificuldades para entrar no ramo tecnológico.

Atrelado à escassez de profissionais na área de desenvolvimento, o estudo mostra que há uma tendência, por parte das empresas, de exigir conhecimentos avançados mesmo para posições em níveis mais baixos, mostrando um desalinhamento de expectativas entre partes contratantes e partes contratadas. Essa característica acaba gerando duas consequências frequentes no início de carreira da programação: a sensação de sobrecarga (por logo receber responsabilidades acima do seu nível de experiência) e de insegurança (justamente por não terem utilizado ou aprendido os conhecimentos requisitados pelas empresas).

Falhas da ambientação e retenção de talentos nas empresas

Ao conseguir uma oportunidade dentro do setor, novos problemas surgem, sobretudo no processo de internalização da pessoa contratada. Mais de 68% das pessoas entrevistadas não conta com mentoria interna na empresa, o que prejudica muitos pontos ligados a essa ambientação inicial – como o conhecimento das regras do negócio, de documentações e processos que orientem o trabalho, noção do seu papel e perspectiva de crescimento dentro da empresa. Buscando por uma alternativa, mais de 40% das pessoas entrevistadas dizem procurar auxílio de mentoria profissional fora do ambiente de trabalho. Além disso, ao considerar-se apenas as pessoas empregadas (50,1% dos entrevistados), 26,58% sentem não estar se desenvolvendo profissionalmente na posição que ocupam – o que está diretamente ligado às principais motivações de profissionais ao mudar de emprego.

Por fim, o estudo apresenta um panorama sobre a retenção de talentos dentro das empresas. Ao serem questionadas sobre as motivações para trocar de emprego na área, 42,1% afirmam que a vontade de aprender outras tecnologias é um grande estímulo, junto com a insatisfação com o ambiente de trabalho (30,7%) e o desalinhamento com a cultura da empresa (24,2%). Ainda nessa linha, apenas 1,5% dos entrevistados sinalizaram o salário como uma motivação para troca de emprego no ramo tecnológico, evidenciando a predominância de incentivos relacionados ao desenvolvimento profissional para criar ações efetivas de retenção de talentos.

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