Utilize o BYOA a favor da sua empresa

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O fenômeno conhecido pela sigla BYOD (bring your own device, ou traga seu próprio dispositivo) está evoluindo. Já bastante disseminado no ambiente corporativo, o conceito agora avança com o BYOA (bring your own application, ou traga seu próprio aplicativo), em que os usuários utilizam e baixam seus próprios aplicativos corporativos, colocando em risco as informações vitais das empresas.

À medida que os funcionários assumem a produtividade nas próprias mãos, a TI perde o controle. Isso ocorre porque os departamentos de TI, muitas vezes, não estão cientes de aplicativos que entram no local de trabalho e não fornecem aos funcionários softwares corporativos "aprovados".

O BYOA, no entanto, pode ser benéfico, aumentando a produtividade e o envolvimento dos funcionários. Mas, para que funcione em harmonia com o da TI, as atitudes devem mudar. "A área de TI não está acompanhando as mudanças nas demandas e nos padrões de comportamento da nova força de trabalho, mobilizada e consumível", afirma Richard Absalom, analista de tecnologia de impacto no consumidor da Ovum. "Se os funcionários estão trazendo os próprios aplicativos para realizar seu trabalho, então a TI não está fornecendo as ferramentas certas, nem uma experiência suficientemente boa para o usuário."

Além do e-mail e calendário

A tendência de levar dispositivos, como tablets, ao trabalho foi precursora do fenômeno BYOA — e ainda é crucial para ele. Quase 70% dos funcionários que têm smartphone ou tablet, usam esses dispositivos para acessar dados corporativos, de acordo com a Ovum. Os números mostram que 15,4% dos empregados fazem isso sem conhecimento do departamento de TI, e 20,9% fazem apesar da existência de uma política anti-BYOD.

Enquanto isso, o mercado de tablets continua em franco crescimento. Com o número de funcionários em período integral que têm tablets passando de 28,4% para 44,5% nos últimos 12 meses, mais empresas veem esses dispositivos e os aplicativos associados a eles em suas redes.

De acordo com a Ovum, os funcionários usam e-mail e calendário em dispositivos fornecidos pela empresa e também em equipamentos pessoais. No entanto, eles também usam aplicativos de produtividade de nova geração na nuvem, como redes sociais corporativas, sincronização e compartilhamento de arquivos, e mensagens instantâneas ou VoIP. E as evidências indicam uso em larga escala: 25,6% dos funcionários descobrem seus próprios aplicativos de redes sociais corporativas. Enquanto isso, 22,1% estão descobrindo seus próprios aplicativos de sincronização e compartilhamento de arquivos, e 30,7% utilizam aplicativos de mensagens instantâneas ou VoIP.

Porém, tentar interromper essa mudança é inútil e pode representar ainda mais riscos. "Ficar no caminho da mobilidade consumível provavelmente será um exercício danoso e fútil", diz Absalom. "Acreditamos que as empresas são mais bem servidas ao explorar esse comportamento para aumentar o envolvimento e a produtividade dos funcionários, além de promover os benefícios da mobilidade corporativa."

Gestão de segurança

De acordo com a Ovum, o novo desafio para a TI é atingir o equilíbrio entre atender às exigências e necessidades do funcionário para evitar que comportamentos saiam da linha de visão e do controle de TI ao mesmo tempo em que mantém os dados corporativos protegidos.

Embora seja difícil para as empresas evitar que funcionários levem os próprios aplicativos ao local de trabalho, a segurança deve ser gerenciada. A gestão de dispositivos móveis (MDM, na sigla em inglês), frequentemente em vigor como parte de uma estratégia de BYOD, pode resolver alguns problemas de segurança causados pelo BYOA. Gerentes de TI e CIOs podem utilizar serviços como divisão para separar aplicativos corporativos e pessoais, e executar medidas para eliminar o dispositivo se ele for perdido ou roubado.

Ainda assim, isso não necessariamente protege as empresas de aplicativos maliciosos baixados acidentalmente pelos funcionários. Além de aplicar medidas como criptografia, outra opção é utilizar uma loja corporativa de aplicativos, que guia os funcionários para soluções de negócios 'aprovadas', dando mais visibilidade a TI.

Lojas de aplicativos corporativas estão ganhando popularidade, de acordo com a empresa de análises Gartner, que afirma que 25% das empresas terão uma loja em vigor até 2017. Elas aumentam a segurança ao prometer maior controle sobre os apps utilizados por funcionários, além de limitar gastos com software e dar às empresas impulso de negociação com fornecedores de aplicativos.

"Aplicativos baixados de lojas públicas para dispositivos móveis atrapalham as estratégias de TI para segurança, aplicativos e compras", adverte Ian Finley, vice-presidente de pesquisas do Gartner. "Lojas corporativas de aplicativos prometem uma solução parcial, mas, apenas se profissionais de TI responsáveis pela segurança, aplicativos e compras puderem trabalhar em conjunto para aplicar com sucesso o conceito de loja corporativa à suas empresas", diz Finley. E acrescenta: "Quando tiver sucesso, as empresas poderão aumentar o valor oferecido pelo portfólio de aplicativos e reduzir os riscos associados, taxas de licença e despesas com administração".

À medida que a tendência do BYOA evolui, é essencial que as empresas controlem a enxurrada de aplicativos que entram no local de trabalho. Ao gerenciar softwares de produtividade introduzidos por funcionários e delinear uma estratégia clara, a tendência pode ser utilizada, na verdade, em prol da companhia. Uma loja corporativa de aplicativos, ou lista de aplicativos 'aprovados', dá aos funcionários a chance de tomar a produtividade nas próprias mãos, sem que a TI perca o controle.

*Wagner Bernardes é head de integração de soluções e consultoria da Orange Business Services Brasil.

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