Dados pessoais: entrada em vigor do GDPR causa tensão entre Google e editoras globais

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Com a aproximação da entrada em vigor do Regulamento Global de Proteção de Dados da União Europeia, que entra em vigor nesta sexta-feira, 25, o Google informou que está empenhado em "compilar" as exigências legais e que está trabalhando com um grupo de editores que representam cerca de 4 mil veículos de comunicação para atender as regras do novo regime, que foi projetado para dar às pessoas mais controle sobre como seus dados são usados para publicidade direcionada.

Segundo a publicação AdAge, no entanto,  alguns executivos das editoras afirmam que as declarações públicas do Google não correspondem às suas ações, argumentando que a empresa está realmente usando seu domínio no ecossistema de anúncios digitais para melhorar sua vantagem, ao mesmo tempo em que dá aos editores a vantagem mínima.

Os quatro departamentos comerciais  da editoras  Digital Content Next, European Publishers Council, News Media Alliance e News Media Association  estão entre os convidados para reuniões privadas nesta quinta-feira nos escritórios do Google em Nova York, Londres, São Francisco e Washington, junto com executivos seniores das equipes de parcerias, produto, jurídica e engenharia do Google.

Fontes ligadas ao assunto dizem que os editores recusaram-se a participar das reuniões, sem antes o CEO do Google Sundar Pichai responder as varias questões que eles expuseram em abril de 30 de abril criticando fortemente a política Digital Content Next, European Publishers Council, News Media Alliance e News Media Association da empresa.

O Google rebate essas informações, dizendo que a empresa realizou centenas de reuniões ou webinars sobre atualizações de políticas do GDPR.

"O GDPR é uma grande mudança para todos", disse uma porta-voz do Google em um comunicado. "Durante o ano passado, nos engajamos com mais de 10.000 de nossos editores, anunciantes e agências em quase 60 países por meio de eventos, workshops e conversas sobre as mudanças que estamos fazendo para estar em conformidade com o GDPR, continuaremos a abrir nossas portas para os nossos parceiros editores se envolverem nessas discussões sobre a conformidade com o GDPR."

Os requisitos do GDPR são complexos e cada país provavelmente terá regras diferentes, principalmente porque a União Europeia deixou cerca de 70 cláusulas abertas à interpretação. Vale ressaltar que as empresas correm risco com as regras violação de GDPR, que pode implicar em multas de 4% de sua receita ou US$ 25 milhões, o que for maior.

Até mesmo uma editora norte-americana que considera que 2% do tráfego on-line da Letônia precisa ser compatível com GDPR. O mesmo se aplica aos fornecedores que coletam dados de qualquer um dos 28 países que compõem a comunidade europeia, informou a AdAge.

O Google desenvolveu uma ferramenta de solicitação de consentimento livre que é opcional para os editores usarem. Muitos editores se queixaram de que a ferramenta só oferece espaço para os editores listarem 12 fornecedores de tecnologia de anúncios e de dados. Muitos usam hoje até dez vezes mais parceiras.

O Google é proprietário do DoubleClick Bid Manager, a maior plataforma usada pelos profissionais de marketing para comprar anúncios. Também funciona no DoubleClick for Publishers, a maior plataforma usada para vender anúncios. E ele administra o Adx, a maior de troca de anúncios.

Data Protection Forum

No próximo dia 29 de maio, a TI INSIDE realiza a 1a edição do Data Protection Forum, que além de discutir o impacto dos primeiros dias de vigência do GDPR, também abordará a regulamentações de dados pessoais e demais regulações envolvendo privacidade, com a participação de juristas, advogados e especialistas em tecnologia, compliance e governança.

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