Queda no mercado de celular em 2020 foi menor do que o previsto, segundo a IDC

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Como todos os mercados, o de celular também sofreu os impactos da pandemia de covid, mas bem menos do que se esperava. Com um total de 48.744.173 milhões de aparelhos vendidos no Brasil em 2020, o ano fechou em queda de 8% e ficou em linha com o movimento mundial, que recuou 7%.

"Quando a pandemia começou, projetamos três cenários: otimista, pessimista e provável. Em linha com o mercado, a tendência era de um cenário provável, com queda de 19%, mas felizmente o mercado reagiu muito melhor, o celular se mostrou como um dispositivo ainda mais indispensável e iniciativas de fomento ao consumo, como a liberação do auxílio emergencial, equilibraram a categoria", explica Renato Murari de Meireles, analista de pesquisa e consultoria em Mobile Phones & Devices da IDC Brasil.

Segundo Meireles, o resultado de vendas de celulares no Brasil em 2020 é reflexo de todo um contexto, que vai da aceleração tecnológica provocada pela pandemia à alta do dólar, do comportamento dos entrantes na era digital aos hábitos de compra de usuários que já estão em seu quarto ou quinto aparelho.

"Dificilmente há um único fator para justificar um movimento de mercado, mas para fechar a conta de 2020 é preciso ainda mais moderação. No segundo semestre, por exemplo, o mercado apontou uma curva em "V", com uma queda acentuada provocada pelo fechamento dos comércios, e uma rápida recuperação após a sua abertura. Houve uma demanda inesperada por parte do consumidor, provocando uma crise de supply (abastecimento) em nível global, com falta de componentes na indústria e,consequentemente, queda de produtos ofertado no varejo", reflete o analista da IDC Brasil, acrescentando que o e-commerce foi outro aliado que ajudou na retomada da categoria. "Há uma relação fiel e cultural do brasileiro em buscar as lojas físicas como opção de compras, mas com o período de lojas fechadas ele se rendeu aos canais de vendas on-line, ainda que nem sempre tenha encontrado o aparelho que queria pelo preço que gostaria". Segundo ele, nem a Black Friday foi tão boa como em anos anteriores e também sofreu com a falta de produtos.


Ainda para contextualizar o ambiente em que se deu a queda do mercado, Meireles lembra das cotações históricas do dólar no período. "Para se ter ideia, o ticket médio cresceu 24% no ano de 2020, enquanto em 2019 essa média não passou de 3%", Ainda assim, os modelos que mais cresceram em vendas em 2020 na comparação com 2019 foram os da faixa de preço entre R$ 1.100 e R$ 1.999 (83%) e de R$ 2.000 a R$ 2.999 (88%), mostrando a disposição do consumidor em adquirir um aparelho melhor, com mais recursos.

"A pandemia acelerou a adoção da tecnologia em todos os sentidos. Para videoconferências de trabalho, aulas remotas, streaming nos momentos de lazer e até atividades simples como pedir comida aumentaram o uso de aplicativos. O celular ficou ainda mais indispensável. Idosos, por exemplo, que ainda resistiam, migraram do feature phone para o smartphone ou investiram em um aparelho melhor com o recurso do WhatsApp, por exemplo, para falar com filhos e netos", disse o analista da IDC Brasil.

Dos aparelhos vendidos em 2020, 46.176.185 foram smartphones e 2.567.988 feature phones, representando, respectivamente, quedas de 6% e 34% em relação a 2019. Nesses volumes de vendas estão incluídos os aparelhos comercializados no mercado cinza (3,8 milhões de smartphones e 204 mil feature phones), que embora tenham registrado queda ainda são um problema que impacta tanto os negócios dos fabricantes e varejistas que operam legalmente como na arrecadação de impostos e na segurança do consumidor.

"Graças a uma mobilização da indústria, do comércio, associações e governos, principalmente os market places diminuíram suas ofertas de produtos não oficiais e de origem duvidosa, e a partir do 3º trimestre observamos uma desaceleração do grey market. Para se ter ideia, no 4º trimestre a queda nas vendas de feature phones que entraram ilegalmente no país ou mesmo falsificados foi de 64% e a de smartphones de 48%. No entanto os números do grey market ainda são preocupantes e o consumidor precisa se conscientizar e suspeitar sempre quando o preço for muito inferior ao praticado pelo mercado", informa Meireles.

Em 2020, a receita total do mercado de celulares no Brasil foi de R$ 71,7 bilhões, crescimento de 16% em relação a 2019.

Mercado de celular no 4º trimestre de 2020

De outubro a dezembro de 2020, foram vendidos 13.390.500 milhões de aparelhos, 7% a menos do que no mesmo período de 2019. Desse total, foram 11.927.642 smartphones no mercado oficial e 702.558 no mercado cinza, e 717.646 feature phones no mercado oficial e 42.654 no grey market. No período, a receita foi de R$ 20,5 bilhões, 19% maior do que no 4º trimestre do ano passado. Os dados são do estudo IDC Brazil Mobile Phone Tracker Q4/2020.

Projeções da IDC Brasil para 2021

A pandemia de covid continuará provocando efeitos no mercado de celular, mas não responderá sozinha pelo desempenho do setor em 2021. O valor do dólar, o consequente repasse de preços e a desconfiança do consumidor também contribuirão para um crescimento tímido, de 3% no mercado oficial e 4,5% no mercado cinza. "O consumidor está cauteloso, e a indústria e o varejo têm equilibrado melhor suas ofertas", explica Meireles.

A IDC Brasil também prevê que, neste e nos anos seguintes, a demanda por smartphone será ainda maior ante a procura por feature phones. "A indústria tem investido no design, recurso e em tecnologias para manter os feature phone atrativos, como o KaiOS e aplicativos embarcados, mas o estudo IDC Consumer Behavior 2020 apontou que os consumidores planejam gastar mais no próximo celular em relação ao que gastaram em seu atual, mostrando a importância que os smartphones ganharam, às vezes até como substituto dos computadores". O IDC Consumer Behavior 2020 foi realizado entre dezembro de 2020 e janeiro deste ano, com mais de 1200 representantes das gerações Z, Y, millenials e baby boomers, de ambos os sexos e de todas as regiões do país.

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