Depois de gastar US$ 5,2 bilhões, Lenovo planeja fechar mais duas aquisições neste ano

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Depois de comprar a divisão de servidores low-end da IBM e a unidade de celulares da Motorola no começo deste ano e desembolsar mais de US$ 5 bilhões, a chinesa Lenovo afirmou ter condições de fechar pelo menos mais duas aquisições bilionárias neste ano. A declaração foi dada por Wong Wai Ming, diretor financeiro (CFO) da Lenovo, ao The Wall Street Journal, nesta quinta-feira, 22.

"Se for um negócio de US$ 10 bilhões, está fora no nosso alcance, mas se forem poucos bilhões, podemos fechá-lo", disse o executivo ao jornal americano. E completou: "Nós mantemos nossos olhos abertos, pois fusões e aquisições são como namoro. Se vem pelo caminho certo para você e você não levá-lo, ele ou ela vão para outra pessoa".

No fim de janeiro, a fabricante chinesa de computadores anunciou a compra da Mototola Mobility, por US$ 2,91 bilhões, do Google, apenas uma semana depois de ter assinado um acordo de US$ 2,3 bilhões para adquirir a unidade de servidores da IBM. Os dois negócios ainda dependem da aprovação de órgãos reguladores norte-americanos, e a Lenovo espera concluí-los até o fim deste ano.

Mas a declaração de que pode fechar dois grandes negócios fez com que alguns investidores e analistas questionassem se a Lenovo não está dando um passo maior que a perna com sua onda de compras. Mas Wai Ming ressaltou que a empresa tem dinheiro suficiente para financiar sua expansão — e mais aquisições, se necessário —, mesmo depois dos gastos para adquirir a Motorola e a IBM.

Em 31 de março, a Lenovo tinha cerca de US$ 3,5 bilhões de reserva de caixa líquidos e US$ 455 milhões em empréstimos bancários. Em fevereiro, a empresa também obteve um reforço de caixa, com a venda para o Google 5,9% de participação, por US$ 750 milhões. Além disso, recentemente, a companhia levantou US$ 1,5 bilhão para uma oferta de títulos no mercado. "A emissão de títulos foi tão bem que, se quiséssemos, poderíamos levantar algumas centenas de milhões a mais", disse Wai Ming. Mas ele se recusou a dizer qual é o perfil ou segmento de atuação de empresa que a Lenovo está pensando adquirir.

Ele explicou que o Google e a IBM queriam vender seus ativos, e a Lenovo não foi a única a negociar com as empresas. "Você não pode ir ao Google e simplesmente dizer: 'Dê-me seis meses. Se a Lenovo não comprasse [a Motorola Mobility], alguém teria comprado, e teríamos que lidar com um concorrente maior no mercado mundial de smartphones", disse Wai Ming.

A Lenovo, que no ano passado ultrapassou a HP como maior fabricante de computadores pessoais do mundo em volume, está tentando encontrar novas fontes de crescimento, além da atuação nos mercados de smartphones e servidores. "Nós definitivamente sabemos que o negócio de PC convencional não vai continuar a garantir nossa rentabilidade", observou Wai Ming.

No primeiro trimestre deste ano, a Lenovo foi a quarta maior fabricante de smartphones do mundo, com uma participação de mercado de 4,6%. Embora atrás da também chinesa Huawei Technologies, que ficou em terceiro lugar, com market share de 4,9%, as líderes Samsung e Apple ainda estão muito à frente, com fatias de 30% e 16% do mercado, respectivamente, segundo a empresa de pesquisa IDC.

Mas Wai Ming acredita que a Lenovo pode fechar uma lacuna deixada pela Samsung e Apple, em parte porque o crescimento do mercado mundial de smartphones está ocorrendo mais em mercados emergentes, como Indonésia, Brasil e Rússia, devido aos preços mais baixos de seus aparelhos. Ele também ressaltou o reconhecimento da marca Motorola na América do Norte e alguns outros mercados desenvolvidos, bem como a forte relação que a empresa tem com as operadoras de telecomunicações, o que vai ajudá-la a expandir a presença global dos smartphones da marca.

"Assim como o mercado de PCs se tornou maduro, com margens relativamente baixas, o mercado de smartphones também se tornará", ressaltou Wai Ming, acrescentando que mesmo com margens baixas, a Lenovo conseguiu construir um negócio lucrativo, de forma consistente.

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