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Por um mundo digital mais acessível

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45 milhões de brasileiros têm por volta de R$ 11 bilhões* por mês livres para gastar, mas não conseguem comprar quase nada on-line. São as pessoas com deficiência (PcD) que, diariamente, são barradas por 99% dos sites nacionais. Muito lentamente, o mercado começa a olhar para esse segmento que reúne 21% da população brasileira e perceber seu potencial.  

Ainda há um longo caminho pela frente com pontos que demandam mais recursos, mas muita coisa pode ser aplicada rapidamente. Como pessoa com deficiência (tenho atrofia muscular espinhal tipo 3 e sou cadeirante) , acredito que o mais importante é compreender e começar. 

Acessibilidade é a principal barreira que a PcD enfrenta on-line e que passou muito tempo sendo compreendida apenas como um conjunto de boas práticas para PcD. Hoje, vemos que é preciso mudar o comportamento e encará-la como uma poderosa ferramenta de negócios. É frustrante para o usuário com deficiência, além de não se ver representado em campanhas publicitárias, não conseguir comprar um produto via e-commerce, nem contratar um serviço on-line. Já parou para pensar? 

Mesmo que ele tenha dinheiro, nada disso foi pensado para atendê-lo. Todo cliente quer estar em um lugar agradável, ter facilidade no acesso aos produtos e, principalmente, poder escolher o item que deseja com total autonomia. No universo digital, não seria e não é diferente.  

Todo brasileiro tem o direito à acessibilidade garantido por lei. Segundo o artigo 63º da Lei Brasileira da Inclusão, toda empresa com sede ou representação comercial no Brasil é obrigada a ter seus canais digitais acessíveis para pessoas com deficiências. Com a ressignificação da PcD sob a perspectiva de marketing, é preciso pensar em recursos que permitam que as campanhas publicitárias possam impactar e conquistar também esse público.  

Na prática, a análise técnica é importante para avaliar a acessibilidade na web. Essa checagem realiza testes com validadores automáticos, que usam os critérios dos padrões internacionais de acessibilidade na web, diretamente no código-fonte HTML.  

No Brasil, temos os critérios de sucesso interpretados do Modelo de Acessibilidade do Governo (o eMAG), que, por sua vez, tem como base a Web Content Accessibility Guidelines, mais conhecida como WCAG – conjunto de diretrizes sobre acessibilidade para conteúdos disponíveis na internet. Ela é a base que estipula os padrões que devem ser seguidos pelos sites para tornar o conteúdo digital acessível para todos os usuários.  

Mas, para ter uma página (site, blog, app ou rede social) com acessibilidade comprovada, a avaliação humana é essencial. Sabe por quê? Porque os validadores automáticos, por exemplo, apontam se todas as tags de imagens presentes no código HTML possuem um atributo <alt> relacionado. Ou seja, se todas as imagens contêm um equivalente textual para descrevê-la.  

Porém, apenas uma pessoa poderá dizer se esta descrição está, de fato, acessível. 

Aqui, o fator relevante é a falta de conhecimento, principalmente de quem trabalha com o digital, em relação à realidade de usuários com deficiências, o que gera um ciclo de ações humanas que produzem (e reproduzem) conteúdos e padrões inacessíveis.  

E isso resulta no cenário super excludente em que nos encontramos atualmente – com acessibilidade presente em menos de 1% dos sites brasileiros, segundo pesquisa de 2019 do Movimento Web para Todos e da plataforma de dados BigDataCorp.  

Precisamos mudar a percepção para compreender que acessibilidade diz respeito a pessoas e não só aos processos. Não adianta cumprirmos um checklist de técnicas e boas práticas. É preciso que um ser humano passe por todas as etapas desses processos para entender quais recursos podemos implementar e em quais lugares. 

Além disso, é necessário manutenção contínua para que essa frente não se torne só uma fachada – como se fosse uma vitrine toda enfeitada. Mas quando as pessoas com deficiência entram, percebem a quão insatisfatória é a experiência. 

A gente só consegue parar para pensar em uma solução quando conhece o problema a fundo. E é esse o problema que quero dividir com você, caro leitor. 

*Segundo o censo de 2010, existem mais de 45 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência gastando mais de R$ 11 bilhões de reais por mês (isso de renda disponível, sem contar os valores das despesas mensais). LINK PARA A PESQUISA DO IBGE COM FILTROS APLICADOS 

Amanda Lyra, líder do Time de Acessibilidade da i-Cherry. 

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