Microsoft amplia acordo com Samsung para fazer frente à sua arquirrival histórica Apple

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A decisão da Samsung de passar a vender o popular pacote de escritório Microsoft Office já pré-instalado de fábrica em alguns de seus modelos de tablets parece, à primeira vista, agradar mais os acionistas da gigante do software do que os investidores da fabricante coreana de dispositivos móveis. Devido às margens de lucro maiores com software, qualquer aumento da participação de mercado pode ser mais interesante para a Microsoft do que para a Samsung.

Apesar de não ter fornecido detalhes do acordo feito com a Samsung, o anúncio feito na segunda-feira, 23, pelo CEO da Microsoft, Satya Nadella, é um sinal claro de que pretende, em seu segundo ano no comando da operação, proteger a todo custo a liderança da empresa no mercado para enfrentar a atual transição de tecnologia, em que os softwares de produtividade usados em PCs no local de trabalho estão cada vez mais sendo substituídos por aplicativos móveis. Esses aplicativos normalmente são vendidos por não mais do que alguns dólares, ou, como neste caso da Samsung, são oferecidos "gratuitamente" com smartphones e tablets.

A notícia surge após decisão da Samsung, no início deste mês, de pré-instalar no Galaxy S6, seu mais recente smartphone, o software de mensagens de voz e vídeo Skype, também da Microsoft, e vários aplicativos de negócios baseados na internet, segundo o jornal USA Today.

Graças a esses acordos, Nadella terá, dentro de poucos meses, aplicativos do Office e os chamados serviços de nuvem em dispositivos da fabricante coreana, que liderou o mercado mundial de smartphones no ano passado.

Benefícios da parceria

Analistas ouvidos pelo jornal americano obervam que, visto que a Microsoft não tinha essa presença no mercado móvel quando Nadella assumiu o cargo mais de um ano atrás, isso é uma grande vitória para a empresa. Ao que parece, segundo eles, a fabricante de software finalmente se rendeu à realidade do mercado e agora está disposta a distribuir gratuitamente produtos, como o Word, Excel e PowerPoint, os quais tradicionalmente sempre cobrou um preço elevado.

Já para a Samsung, os benefícios da parceria são menos claras, a não ser que ela acredite que os consumidores vão comprar mais smartphones e tablets de sua marca porque eles vêm com o Office, observam analistas. O benefício mais provável no curto prazo pode ser o que o marketing da Microsoft está disposto a pagar para "figurar" na tela inicial dos dispositivos para a fabricante coreana.

O acordo costurado por Nadella com a Samsung é um movimento fora do manual da Microsoft, mas parece que os investidores começam a entender que a empresa está sendo forçada a adotar o chamado modelo "freemium", em que funções básicas do software são fornecidas e os usuários pagam apenas por características especiais.

Nadella já havia feito a mesma coisa em novembro do ano passado, quando a Microsoft colocou uma versão móvel gratuita do Office na App Store da Apple e na loja virtual Play, do Google. São decisões ousadas do CEO visando a fidelização dos usuários, pois trata-se de uma mercado no qual os sistemas operacionais dominantes são o Android, do Google, e iOS, da Apple, não o Windows.

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