O colaborador está rendendo menos ou estamos esperando demais?

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Temos vivido tempos difíceis e – quase – todos percebem isso. Não foram somente fatores econômicos que afetaram os brasileiros: o isolamento social acabou prejudicando a saúde mental de todos e os jovens foram os que mais sofreram, segundo pesquisa da empresa Inteligência em Pesquisa e Consultoria – Ipec, que confirmou a informação com 79% dos entrevistados.

Em relação ao mercado de trabalho, o isolamento obrigou profissionais e lideranças a adotarem novos modelos de atuação, em que nem sempre a adaptação foi rápida ou fácil. Em muitos negócios houve queda na performance dos profissionais, o que exigiu dos gestores posturas cada vez mais proativas para entender o momento e ajustar rotinas, trabalho e equipes para garantir entregas e engajamento.

Faz parte da essência de um líder saber identificar essas habilidades, assim como reconhecer a baixa performance do colaborador por algum motivo. Afinal, são inúmeras as possibilidades para o funcionário não estar entregando tudo o que pode, como questões pessoais, saúde debilitada ou até mesmo a perda do interesse em seu cargo atual.

Como líder, estar atento a estes aspectos relacionados aos liderados auxilia na manutenção da motivação do setor – falo do setor como um todo, pois acredito que a falta de motivação seja "contagiante" assim como o contrário também é. Temos a possibilidade de proporcionar ao colaborador a mudança de olhares para com seu trabalho e seu know-how. Ao identificar o baixo rendimento na equipe ou projeto, podemos redirecionar o profissional para trabalhos diferentes dentro do time, fazendo a rotatividade de suas habilidades e até mesmo a descoberta de novos interesses e talentos.

Funcionários engajados fazem a empresa lucrar 21% mais do que aquelas que não tratam esse tema como prioridade, diz uma pesquisa da Gallup. É bom lembrar que engajamento e satisfação têm significados diferentes, mas se complementam.  Um funcionário pode estar satisfeito porque os benefícios que a empresa oferece são bons ou porque o horário é flexível e ele tem mais tempo livre para se dedicar aos seus projetos pessoais. No entanto, se ele não tiver motivos para vestir a camisa, dificilmente ele se tornará engajado, apenas cumprirá suas tarefas.

O workspace ideal nunca irá existir, pois apesar de criarmos tecnologia e softwares, são pessoas de verdade que estão trabalhando atrás das máquinas. Todos temos nossos dias, semanas e até meses ruins, então é imprescindível que o gestor tenha compreensão e ofereça flexibilidade para a equipe lidar com suas questões internas.Oferecer possibilidades de desenvolvimento dentro da empresa, não somente relacionadas ao salário, mas às habilidades do profissional, além de novas experiências para crescimento da carreira, pode fazer o empregado se tornar mais engajado.

Cabe ao gestor ser não somente o demandante de projetos e ciclos de propósitos, mas também um líder de fato, que identifica potencialidades para conduzir as pessoas em todos os momentos da jornada, tornando as entregas mais eficientes e alinhadas com o momento de vida de cada pessoa. Porque, afinal, quanto mais olharmos para o contexto de vida de cada ser humano pertencente à organização, mais empáticos seremos, o que, sem dúvidas, resultará em entregas de qualidade em curto, médio e longo prazos.

Milton Felipe Helfenstein, CCO da Envolti.

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