Quais mudanças a inovação traz para sua carreira?

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O ranking das companhias mais valiosas do mundo traz uma indubitável evidência de como a capacidade de inovar está e continuará sendo determinante na definição de quais serão as empresas exponenciais da chamada 4a Revolução Industrial.

Em 2006, a ExxonMobil ocupava o topo, avaliada em US$ 362,5 bilhões, e a Microsoft era a única representante do setor de tecnologia, com US$ 279 bilhões. Passados 10 anos a lista é bem diferente. Das seis primeiras colocadas, cinco são unicórnios legítimos representantes da nova economia de bits e bites – Apple (US$ 571,4 bilhões), Alphabet / Google (US$ 530,6 bilhões), Microsoft (US$ 445,5 bilhões) e Facebook (US$ 355,6 bilhões).

A companhia de petróleo caiu da primeira para quinta posição, com uma avaliação de US$ 356 bilhões, e nenhuma das outras quatro empresas que figuravam entre as seis primeiras há uma década aparecem agora no cume da pirâmide, sendo que três delas eram do setor de combustíveis – Exxon, BP e Shell. Se você é um profissional da área do petróleo, comece a refletir sobre estas mudanças (Energia será o tema do meu próximo artigo).

Economias inovadoras geram negócios inovadores.

Desde 1979, o Fórum Econômico Mundial vem mensurando a competitividade entre 138 países a partir de uma série de fatores que indicam o nível de produtividade de uma nação. Um dos pilares levado em consideração no 'The Global Competitiveness Report' para análise das economias mais competitivas é a inovação e sofisticação dos negócios, considerados motores para construção de economias fortes e com PIB crescentes.

No ano passado, figuraram nas cinco primeiras posições a Suíça, Singapura, Estados Unidos, Holanda e Alemanha. O Brasil, não chega a ser uma surpresa, aparece apenas no 81o lugar e caiu 6 posições na comparação com 2015. De acordo com o relatório, "a incerteza política e as dificuldades nas finanças públicas ainda são impedimentos para consolidar uma agenda favorável ao crescimento e ganho de competitividade na maior economia da América Latina".

Na série de artigos que publiquei no ano passado, venho abordando o impacto das novas tecnologias em diversas áreas, como a revolução da Internet das Coisas, da robótica e da moeda eletrônica, a redefinição dos modelos das operadoras de telecomunicações, o avanço do carro autônomo e as transformações que já estão e seguirão mudando nossas vidas e nossos hábitos, criarão novas profissões e novos negócios disruptivos capazes de enterrar modelos tradicionais seculares e lideranças até então incontestáveis em setores diversos, como finanças, agribusiness, medicina, comércio e transporte.

Pelo 24o ano consecutivo a IBM registrou mais de 8 mil patentes (número superior ao de gigantes como Google e Microsoft). A empresa vem apostando muito em inteligência artificial e robótica. Tanto que já assinou seu primeiro contrato para substituir a mão de obra humana. No Japão, seus robôs irão assumir os postos de 34 funcionários de uma seguradora. Nos Estados Unidos, a empresa já fornece a tecnologia de inteligência artificial do robô ROSS, desenvolvido para substituir os advogados.

A revolução tecnológica vem eclodindo em velocidade jamais vista nas revoluções anteriores, catalisada por uma sociedade global cada vez mais conectada e claramente disposta a aderir a produtos e serviços que venham facilitar tarefas cotidianas e incrementar a produtividade no trabalho, seja chamar um carro – em Singapura a startup NuTonomy já iniciou testes de uma frota de táxis autônomos; pagar uma conta – no Quênia e na Tanzânia o serviço M-Pesa possibilita realizar transações diretamente dos celulares; gerenciar o estoque – a Amazon já "emprega" 45 mil robôs em 20 centros de distribuição, ou dirigir – a Tesla acaba de contratar o engenheiro chefe da Apple (criador da linguagem Swift) para aprimorar seu Programa de Piloto Automático para seus veículos que possuem recursos avançados anticolisão.

Mas como se manter competitivo frente aos novos desafios trazidos pelos avanços das tecnologias e em uma sociedade global cada vez mais movida pela inovação?

Os avanços da medicina vêm garantindo uma maior longevidade à raça humana. O Fórum Econômico Mundial prevê que em 2020 as pessoas com mais de 65 anos irão ultrapassar a população de crianças com 5 anos de idade. Pela primeira vez na história da humanidade, os idosos serão a maioria. Ou seja, a crise da Previdência que vemos nos noticiários do Brasil será constante e crescente.

Os mais jovens enfrentarão o desafio de construir uma economia que continue garantindo uma aposentadoria tranquila. E assegurar um lugar no mercado de trabalho será cada vez mais difícil, especialmente aos que não se adaptarem aos novos tempos para exercer profissões que ainda sequer foram criadas.

Professores da universidade de Oxford preveem que em 25 anos cerca de 47% dos empregos irão desaparecer. Qual pergunta você escolheria para sua carreira?
Pergunta A: "Como iremos proteger estes empregos ?"
Pergunta B: "Quais novos empregos irão surgir e como posso me preparar?"

Como se preparar então para sobreviver na economia da inovação?

Em primeiro lugar é preciso entender que o mercado de trabalho como conhecemos, com escritórios gigantescos e decorados ao gosto do funcionário, cartão de ponto, carga horária de 8 horas e 1 hora para almoço estão com os dias contados. Quem precisa passar horas inúteis preso no trânsito se você pode otimizar seu tempo e atuar em diversos projetos?

Os profissionais mais requisitados e que não correm o risco de perder seu lugar para inteligência artificial são aqueles que tiverem habilidade para planejar, analisar, criar, tomar decisões, enfim, os que são dotados do chamado "creative thinking".

A formação dos millenials precisará cada vez mais, então, contemplar aspectos sócio-emocionais ao invés de simplesmente prepará-los para memorizar conteúdos e passar no vestibular. Eles precisarão reunir múltiplas habilidades que já estão fazendo da tecnologia um recurso tão indispensável quanto a máquina à vapor, a eletricidade e o microchip nas revoluções anteriores.

Na indústria digital, os empregos não mais existirão como conhecemos. De acordo com estudo da Ardent Partners, 30% da força de trabalho já é formada por empregados que não trabalham 'full time' para uma mesma empresa.

A vida profissional não estará mais atrelada necessariamente a passar anos à serviço de uma organização e a tendência com a globalização é que a disputa de talentos também desconsidere as fronteiras, dando a luz à negócios alimentados por inovações engendradas em laboratórios criativos instalados em qualquer lugar do planeta.

Mas as empresas precisam acordar rápido para esta nova realidade e no preparo dos profissionais para a economia da inovação. O 'The Human Capital Report 2016', outro relatório do Fórum Econômico Mundial que avalia como 130 países estão preparando seus profissionais, traz um alerta: somente 65% dos talentos mundiais vêm sendo desenvolvidos para atender os requisitos do atual e futuro mercado de trabalho. Isto sugere que a formação e a educação são (e serão) os gargalos da empregabilidade e, consequentemente, da geração de renda.

O ranking é liderado pela Finlândia, Noruega e Suíça, que utilizam 85% do capital humano. Mais uma vez, o Brasil mostra que ainda tem muito a fazer para uma educação capaz de formar líderes inovadores, aparecendo na 83a posição, atrás de economias na América Latina como Paraguai, Peru, El Salvador e Bolívia.

No estudo 'The Future of Jobs', o Fórum conclui que as profundas mudanças na economia global irão levar ao extermínio de 5 milhões de empregos nos próximos cinco anos, mas gerar crescimento de oportunidades em setores alicerçados pela inovação, trazendo a urgência de revisitar quais habilidades precisaremos desenvolver para trabalhar nas empresas filhas da 4a revolução, além de quais medidas precisamos adotar com urgência para que nossos talentos sejam competitivos e tenham maiores chances de vencer na economia global da inovação. O Brasil, infelizmente, ainda joga contra com leis trabalhistas obsoletas e um sistema sindical pouco representativo.

Novos desafios e paradigmas irão surgir com o avanço da mão-de-obra robótica, entre eles:
a.) Se toda economia terá a produtividade mensurada pela capacidade produtiva dos seus robôs, qual será a diferença de talento entre um robô do país A e do país B se ambos são "máquinas iguais"?
b.) Se mais pessoas estarão fora do mercado de trabalho e sem renda, como o consumo será afetado?
c.) Se os robôs não serão contribuintes previdenciários e as pessoas de mais de 65 anos serão a maioria, como os sistemas de previdência irão gerar seguridade social se terá cada vez menos contribuintes?

Portanto, se já está no mercado de trabalho, é bom atualizar suas habilidades. Se está planejando seu futuro, entenda, antes que seja tarde, que o mundo não é mais o mesmo. Ou, quando menos esperar, é bom tomar cuidado, irá encontrar um robô sentado em seu lugar. Ou, dependendo das escolhas que você fizer para sua carreira nos dias de hoje, os robôs poderão ocupar o lugar dos seus filhos.

Omarson Costa, formado em Marketing, tem MBA e especialização em Direito em Telecomunicações. Em sua carreira, registra passagens em empresas de telecom, meios de pagamento e Internet.

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