Pacto Global da ONU Brasil anuncia plataforma internacional de sistemas alimentares

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Depois do chamado do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, na Cúpula de Sistemas Alimentares (UN Food Systems Summit), em setembro passado, para que o mundo se unisse e as empresas trabalhassem no tema de sistemas alimentares, a iniciativa — fundamental nesta Década de Ação para a entrega dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030 — começou a se concretizar, por meio da International Action Platform on Food Systems. O projeto vem sendo desenvolvido pelas redes locais do Pacto Global da ONU Brasil, Colômbia, Dinamarca, Estados Unidos, França e Noruega e já tem o patrocínio da Lloyd's Register Foundation, instituição filantrópica do Reino Unido.

O processo de definição do escopo foi iniciado em outubro de 2021 e as Redes locais estiveram juntas em fevereiro de 2022 para iniciar a preparação para a primeira reunião em Dubai, que iniciou o escopo oficial do projeto. Após, houve mais dois encontros, um reencontro presencial no início de maio, na Colômbia. Como próximo passo, em junho, as Redes locais convocam as empresas interessadas em discutir o tema para workshop em Roma, na Itália, nos dias 23 e 24 de junho.

O objetivo desse seminário é estruturar a plataforma e construir coletivamente a estratégia a longo prazo de planejamento e financiamento com parceiros e os temas que serão foco de projetos globais, como segurança alimentar e rastreabilidade. Nesta ocasião, representantes do Pacto Global terão encontros com equipes da FAO (Food and Agriculture Organization da ONU) e World Food Program. O lançamento oficial será na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 19 de setembro. O report sumário do processo de escopo do projeto será lançado na COP 27, em novembro, quando as principais descobertas serão apresentadas e nortearão os rumos após o lançamento da plataforma. Esta etapa abrirá a plataforma para a participação de um grupo maior de atores. Já existem mais de 17 Redes locais representando seus países que estão interessadas em levar mais longe esta iniciativa e envolver empresas nacionais em todo o mundo.

O tema de sistemas alimentares é crítico para o alcance dos ODS e envolve necessariamente todos os elos da cadeia, da produção no campo à distribuição, de tecnologia a transportes, inclusive setor financeiro. Por isso, é fundamental o compromisso de todos os stakeholders neste âmbito, a fim de vencer os desafios globais como a fome, a pobreza, a desigualdade e as mudanças climáticas. A convocação feita na Cúpula por Antonio Guterres visa sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e equitativos, além de abordagem de sistemas alimentares em que o setor privado seja um ator-chave. Para tal, sete coalizões foram lançadas. O Pacto Global faz parte da Coalizão 'Blue Food', com foco em alimentos e algas marinhas. E o Pacto Global da ONU Brasil é uma rede local que já tem iniciativa no tema: a Plataforma de Ação pelo Agro Sustentável. Há uma série de iniciativas iniciadas no setor de alimentos por outras redes incluindo Noruega, Dinamarca, Tailândia e outros. Mas essa escala internacional será um impulsionador dos esforços feitos até agora.

"Não tem cadeia produtiva mais abrangente, que impacte os 17 ODS, como sistemas alimentares. Por outro lado, as questões impactam de forma diferente os países e as regiões do planeta", diz Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU Brasil.

Kim Gabrielli, Diretor Executivo do Pacto Global na Noruega, ressalta a importância do engajamento global com atuação local. "A International Action Platform on Food Systems terá uma Visão e objetivos globais, mas atuará localmente com as questões relevantes para cada região ou país".

Declaração apresentada no Food Summit aponta como progressos em cinco áreas-chave — a níveis nacional e regional — equivaleriam a uma mudança global no alcance dos ODS, garantindo direitos humanos fundamentais para todos. As cinco áreas, segundo estudos do grupo científico de parceiros independentes que trabalham em apoio à Cúpula, são: (1) Nutrir todos os povos; (2) Mudar para padrões de consumo sustentáveis ; (3) Impulsionar Soluções Baseadas na Natureza; (4) Avanço de meios de subsistência equitativos, trabalho decente e comunidades empoderadas; (5) Aumentar a resiliência a vulnerabilidades, choques e tensões.

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