Abinee vê risco de isolamento do país no comércio mundial e cita 'custo Mercosul'

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A opção preferencial do Brasil de realizar acordos somente em conjunto com seus parceiros do Mercosul, em detrimento de acordos comerciais com países desenvolvidos, poderá fazer com que o país perca ainda mais espaço em seus mercados exportadores. O alerta foi feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que vê a necessidade do país buscar novos acordos comerciais, sob o risco de ficar isolado do comércio internacional.

A Abinee se refere particularmente aos produtos eletroeletrônicos, cuja balança comercial deverá fechar o ano com déficit da ordem de US$ 35 bilhões, valor 9% superior ao registrado em 2012, resultado de exportações de cerca de US$ 7 bilhões e importações de aproximadamente US$ 42 bilhões.

Em reunião, nesta terça-feira, 26, com mais de 80 diretores e executivos de empresas associadas à entidade em Minas Gerais, o presidente da Abinee, Humberto Barbato, observou que, nos últimos 12 anos, foram firmados pelo Brasil apenas três acordos internacionais (Egito, Israel e Autoridade Palestina), enquanto, no mundo, foram negociados 453 acordos, dos quais cerca de 300 notificados na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Isso nos permite dizer que, além do chamado custo Brasil, agora temos que suportar um novo custo, o custo Mercosul", disse Barbato.

Para o dirigente, a obrigação do país ter que realizar seus acordos em conjunto com seus parceiros do bloco, que vive uma paralisia no contexto comercial, faz com que a indústria eletroeletrônica fique sem novos mercados para seus manufaturados.

Desequilíbrio comercial

O último balanço divulgado pela entidade apresentou um déficit de US$ 27,17 bilhões no acumulado de janeiro a setembro deste ano, um aumento de 11% na comparação com igual período de 2012. Entre os segmentos que mais contribuíram para o desequilíbrio da balança comercial do setor o destaque foi telecomunicações. Somente em setembro, as exportações de bens de telecomunicações caíram 26%, enquanto as importações tiveram crescimento de 9%. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas externas do setor foram 15% menores e somaram US$ 351,8 milhões, e as importações registraram alta de 5,2%, totalizando US$ 2,1 bilhões.

Já as exportações de itens de informática somaram, em setembro, US$ 28,7 milhões, número 12,5% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 32,8 milhões). Já nos nove primeiros meses do ano as exportações de produtos de informática atingiram US$ 296 milhões, 7,9% superiores as realizadas entre janeiro e setembro de 2012 (US$ 274,2 bilhões).

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