Executivos debatem os desafios da adoção da tecnologia 5G no Brasil

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O cenário e as demandas da adoção da tecnologia 5G no Brasil foram apresentados no painel organizado pela Futurecom, nesta terça-feira, 27, com o tema "5G Interconectando Tecnologias e Serviços, transformando Negócios" onde os palestrantes ressaltaram as mudanças de hábito de consumo e o desenvolvimento de novos negócios em segmentos promissores, como a educação, saúde e agricultura, indústria 4.0, entre outros.

Enquanto a concorrência do 5G não acontece no país, operadoras e fornecedores se preparam para competir nesse mercado, como explica Paulo Cesar Teixeira, CEO da unidade de consumo e PME da Claro, que anunciou o início da implantação de uma rede DSS ( Dynamic Spectrum Sharing), a tecnologia que permite compartilhar a mesma frequência entre diferentes padrões, como 3G, 4G e 5G. "Já implantamos uma rede entre São Paulo e Rio de Janeiro, cidades que concentram o maior trafego de telecomunicações, que será expandida para mais 12 cidades na semana que vem", explicou o executivo, acrescentado que solução similar foi adotada nos EUA, onde a Verizon oferece cobertura nacional com velocidade de até 400 bits por segundo para os portadores dos recém lançados iPhones 12.

Anunciou também a Motorola já tem um modelo de smartphone disponível, que em breve chegará o iPhone 12 e um modelo da Samsung; e no começo do ano, novos modelos da fabricante coreana com preços por de 2 mil reais serão anunciados.

Ele criticou as dificuldades em estabelecer frequência alta no Brasil, pois os municípios impedem colocação de novos sites, como exemplo de São Paulo, que impede colocação de antenas nas periferias.

Mas ele se mostra otimista com as mudanças de hábito de consumo da população, como por exemplo, o uso de videoconferência; e enxerga mercados promissores como o de agropecuária, Industria 4.0, teleducação e telemedicina (segmento onde fez uma parceria com Hospital Albert Einstein). "O uso de 5G traz velocidade, entrega superior e mais eficiência", enfatiza Teixeira.

Hugo Amaral Ramos, chief regional technologist CALA da Commscope, ressalta que a tecnologia 5G é uma geração de riqueza, pois oferece banda larga aprimorada, essencial para desenvolvimento de comunicação máquina-a-maquina (M2M), aplicações críticas (como de telemedicina), redes flexíveis para criação de novas aplicações, entre outras. Mas também salientou o problema da densificação que as redes exigem para assegurar qualidade da experiencia e latência ultrabaixa. Explicou que a Commscope adquiriu um portfólio completo de uma empresa norte-americana (Phluido) que desenvolve tecnologia de redes virtuais Open RUN. Disse ainda, que a adoção de tecnologia 5G vai trazer desafios para se estabelecer parcerias e preparar canais de vendas.

Marisol Penante, vice presidente LATAM Communications Sector Leader da IBM Services, acrescentou que também existe o desafio de se preparar o usuário para consumir essa tecnologia. Além disso, o trabalho para ensinar os profissionais como absorver esse conhecimento a fim de colocar novos serviços com agilidade no mercado.

Georgia Sbrana, vice-presidente de Marketing, Comunicação, Inovação, Relações Institucionais e Governo para Cone Sul da América Latina da Ericsson, disse que com as novas velocidades do 5G, os fornecedores precisam entender como os setores funcionam para criação de valor nos negócios.  

Os clientes dos diferentes setores vão ter KPIs diferentes que não levam em consideração só uso de dados, mas que têm de implementar a tecnologia de forma segura, com a orquestração desse ecossistema, com novas capacidades e perfis de profissionais. Como exemplo, citou o acordo que a Ericsson estabeleceu com as Fazendas São Martinho, para juntas desenvolverem aplicações de 5G para o agronegócio.

Citou ainda a relevância que o mercado de 5G tem para a Ericsson, que contabiliza 112 contratos fechados, 65 redes comerciais em 5 continentes, 33 países, 3 dos quais na América Latina.

A executiva finalizou dizendo que para "o país ter eficiência, precisa ter base de apoio e políticas para o Brasil se colocar como peça chave e ser competitivo internacionalmente no mercado do 5G".

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