É PIX, é PIX: 5 aprendizados após 1 ano do pagamento instantâneo brasileiro

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Em outubro de 2020, uma nova forma de realizar pagamentos foi lançada no mercado nacional, o PIX. Segundo o Banco Central, só nos três primeiros meses de uso da modalidade, a função já acumulava mais de 200 milhões de transações mensais.

Criado pelo Banco Central com o intuito de facilitar o dia a dia dos empreendedores, comerciantes e pessoas que utilizam os serviços bancários e pensando na experiência do usuário, foi desenvolvido um sistema que disponibiliza pagamentos 24 horas por dia, sete dias na semana, em poucos segundos e sem burocracia, basta ter a chave PIX cadastrada. Uma grande revolução para o mercado nacional e até mundial.

Ainda de acordo com o Banco Central, 274 milhões de brasileiros já utilizaram o PIX pelo menos uma vez durante esse um ano de funcionamento. Já a Spin Pay, serviço de pagamento instantâneo, afirma por meio de uma pesquisa que o PIX está crescendo, por mês, 50% acima da média.

Todo esse salto se dá, sem dúvidas, pela facilidade que a ferramenta proporciona, e após a adesão dos comércios e e-commerces a essa modalidade de pagamento, pensando na experiência do cliente no ato da compra, o PIX ganhou ainda mais visibilidade e garantiu seu lugar ao sol, já que ambos os lados envolvidos na transação garantem benefícios e vantagens.

Após um ano de uso do sistema instantâneo de pagamentos, aprendemos muito. Por isso, listo 5 lições observadas ao longo da sua utilização. Confira:

  1. Segurança do cliente vem em primeiro lugar

Desde a implementação do PIX, alguns pontos de melhoria foram levantados, e a segurança do usuário foi um fator crucial que motivou a mudança de alguns termos e funcionalidades da ferramenta.

Para evitar problemas com fraudes, roubos e vazamentos de informações confidenciais, novas restrições foram estabelecidas recentemente com o intuito de prezar pelo bem-estar e segurança dos clientes. Afinal, é uma ferramenta que veio para facilitar o dia a dia.

Portanto, um fator de aprendizado importante é escutar os relatos e experiências de diversos usuários e entidades financeiras que possuem maiores acessos à essas informações para assim, implementar melhorias que garantam a confiabilidade no serviço oferecido.

  1. Eficiência e competitividade no setor varejista

Ao disponibilizar uma ferramenta didática, prática, fácil e acessível, o Banco Central abriu a oportunidade dos comerciantes e varejistas mudarem as suas estratégias para apresentar preços e diferenciais competitivos em seus negócios. Além, claro, de dar a oportunidades de negócios menores surgirem e ingressarem na era digital.

Proporcionando uma experiência do consumidor cada vez mais eficaz e satisfatória, conquistam um público maior pela facilidade na forma de pagamento e garantem o recebimento da receita com taxas menores. É uma excelente oportunidade de expansão e crescimento para um dos setores que mais movimenta a economia do País.

  1. O mercado precisa ser adaptável

É fato que o lançamento do PIX veio para trazer uma nova perspectiva para todos, inclusive para o mercado financeiro – que antes tinha o cliente à sua mercê quando se tratava de transações bancárias. Porém, o consumidor mudou e está exigindo cada vez mais flexibilidade, agilidade e praticidade das empresas do mercado, o que nos leva a um cenário em que o cliente hoje é ativo nas decisões e divide grande parte das decisões com as marcas.

Dessa forma, o mercado precisa ser adaptável e, ao entender as necessidades do cliente, encontrar meios de colocá-las em prática de uma forma benéfica para ambos os lados. Isso culmina em maior troca entre marca e consumidor, garantindo um vínculo forte e duradouro.

  1. Preocupação com a experiência do consumidor

Não podemos falar dos aprendizados do PIX sem citar a experiência que ele proporciona para os adeptos da ferramenta. Voltado para aprimorar e simplificar o contato do consumidor com transações bancárias, a proposta do PIX é tornar as operações mais fáceis e acessíveis, com segurança e comodidade para os clientes.

Uma inovação tecnológica que teve rápida adesão e aceitação do público e, hoje, já lidera os rankings de transações realizadas, desbancando opções como boleto bancário, TED e DOC. E a grande sacada é a inclusão de diversos tipos de contas com bancos tradicionais, digitais e fintechs, fazendo com que ainda mais usuários utilizem a funcionalidade.

  1. Facilidade no acesso

Grande parte da população é desbancarizada, ou seja, não está vinculada a nenhum banco específico. O PIX foi uma forma de permitir fácil acesso a meios de pagamentos digitais e aumento do uso de carteiras digitais e pagamentos via wallet – principalmente para evitar o contato físico durante a pandemia.

Então, a ferramenta permitiu que uma nova parcela da sociedade fosse inserida nas compras on-line e proporcionaram facilidade, praticidade e agilidade em seu dia a dia. Garantindo maior segurança nas transações e rapidez no retorno.

Mudanças de regras e novas funcionalidades

Ao longo da sua implementação e utilização, alguns pontos de melhoria foram detectados. Uma delas – e talvez a mais relatada dentre os usuários – é o valor do limite de transferência, que até agosto de 2021 não era definido, o que causava muitos problemas com fraudes e até sequestros relâmpagos que exigiam em troca da liberdade um PIX com um alto valor. Então, sabendo disso, o Banco Central decidiu, a partir desta data, estabelecer um limite de mil reais por transferência entre às oito da noite até às seis da manhã.

Ainda no ano de 2021, novas funcionalidades foram pensadas e implementadas, como o PIX troco, que melhora a experiência no comércio, permitindo que o comerciante pegue o troco por meio da ferramenta de pagamento, caso não possua a quantia em caixa. O PIX offline também já está se tornando realidade, em que as transações podem ser realizadas mesmo sem conectividade, ampliando a facilidade do acesso a plataforma. Algo que chamou a atenção é o PIX saque, que permite o saque em qualquer estabelecimento cadastrado.

Até 2022, o Banco Central pretende trazer funcionalidades que vão tornar o dia a dia ainda mais prático, como o PIX em programação de débito automático e o PIX cobrança, que informa o valor e a chave para transferência para a pessoa que precisa realizar o pagamento.

É fato que o sistema bancário brasileiro é bastante avançado tecnologicamente e tem destaque internacional nesse tema. Certamente, outras inovações surgirão, mas é sempre preciso ajustar a rota e entender se a estratégia é correta para os padrões nacionais. Vale ficar de olho.

Julio Hanada, head da vertical Financeira & Seguradoras da Plusoft.

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