Dados vão definir o sucesso dos seus negócios, dizem painelistas

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Diante de um cenário de negócios em constante evolução e níveis de incerteza sem precedentes, a 2ª edição do Data Management Fórum, que começou nesta quarta-feira, 28,  discutiu como as empresas devem criar uma estratégia de uso de dados para desenhar novos modelos de negócios e serviços, com uma política de gerenciamento de dados, com governança e de acordo com a LGPD,  com o objetivo de ampliar os fluxos de receita das organizações.

O primeiro painel do Fórum – Monetização de dados – como extrair mais valor dos insights?  – reuniu um grupo de especialistas para trazer luz uma questão vital para o mundo dos negócios data-driven, que é monetizar dados em seu potencial máximo e deles extrair insights que podem ser usados para direcionar atividades tão variadas quanto segmentação de clientes, previsão de demanda e rotatividade, otimização de preços, marketing, gerenciamento de custos, etc., trazendo mais valor em seu uso tanto no mercado B2B quanto B2C.

Mauricio Nakamae Kikuchi, CIO da Ituran Brasil, conceituou a monetização de dados como a oportunidade de dar às empresas uma vantagem competitiva única, proporcionada por dados. Segundo ele, os dados de forma geral dentro das organizações, podem ser classificados como dados endógenos e exógenos. "Para fins de análise os dados endógenos, de dentro a organização, são aqueles que podemos melhorar e conhecer e trabalhar em vários processos internos", disse. "Já os dados exógenos que são vindos de fora das companhias e que possuem inúmeras correlações com outras fontes, como IBGE, CEP, etc., aos quais se agregam as novas práticas da LGPD, pois pertencem aos indivíduos, são aqueles que ajudam as organizações a entender melhor e qualificar estes dados e transformá-los em informação relevante para os negócios".

Para Kikuchi a conexão entre os dois tipos de dados traz o resultado das análises, os insights que são fundamentais para o negócio. "Sua correlação para as ações das corporações é traduzida na melhor eficiência operacional dessa organização. É neste momento que se verifica que a recontextualização, seu reuso e uma abordagem de valorização fará com que os gestores entendam que ao dedicar mais tempo para entendê-los melhor irão aplicá-los e mais benefícios serão obtidos".

Ele aponta ainda seis parâmetros habilitadores para que as empresas estejam no rumo data driven e incorporem essa análise à cultura das organizações como catalisadores da mudança: a) ser uma organização orientada pelos dados; reunir e dar valor aos nichos de dados informacionais; c) ter dados limpos – a qualidade cadastral; d) adaptar os sistemas aos dados e sua permanente manutenção; e) proporcionar mais qualidade dos dados a fim de dar mais agilidade ao seu uso; f) Pensar os dados sempre de forma estruturada e correlacionar os diversos data lakes.

Esses passos permitem que as companhias se reinventem no futuro e monetizem a própria companhia por meios de seus dados", finalizou.   

O GPM de Dados da OLX, Alexandre Dedavid, lembrou que no contexto de dados não importa o tamanho da empresa, as dores são comuns a todos. "A falta de agilidade para gerar insights, a falta de confiabilidade dos  dados e um ecossistema ineficiente e pouco escalável impedem as organizações de gerar valor por meio dos dados e que este possa em última análise otimizar sua estratégia de crescimento ou mesmo ter insights lucrativos", reiterou.

"Neste momento os gestores que pensam alavancar suas empresas por meio de dados e passar a desenvolver uma cultura data driven devem também empoderar as pessoas da empresa, pois insights podem vir de qualquer pessoa", disse Dedavid, "Além disso, se apoiar nos pilares estratégicos  já definidos para obter insights mais rápidos, ter confiabilidade e segurança quanto aos dados, e desenvolver um ecossistema eficiente e sustentável para que os objetivos se cumpram".

Para Carlos Salvador, diretor de pré-vendas América Latina da Informática, a monetização de dados requer dos gestores capacidades sólidas de gestão e para isso, plataformas de gestão e governança de dados inteligentes são a chave. "O trabalho com dados requer habilidades de todo o conjunto de atores focados neste objetivo. Por isso, trabalhar dados centralizadamente, encurta o caminho para obter o valor de todo este montante de dados", exemplificou o executivo.

Segundo ele, "o sucesso de suas estratégias de negócios depende de disponibilizar todos os dados como um recurso compartilhado para toda a sua organização". Aqueles que têm sucesso neste cenário são aqueles que estabelecem uma estrutura flexível e uma base de gerenciamento de dados adaptada para fornecer dados confiáveis ??para todos os novos modelos de negócios ou novas análises e até mesmo novos usuários em toda a organização".

"Estratégias bem-sucedidas de negócios centradas em dados são construídas com uma base de dados confiáveis, relevantes e úteis. Vencer neste ambiente requer uma arquitetura e uma competência distinta em gestão de dados", reforça Salvador. Para ele, "a Era da codificação manual, dos produtos pontuais e das ferramentas de escolha dos desenvolvedores acabou. Essas abordagens não pertencem ao futuro".

"Para construir uma estratégia de negócios com competência e baseada em dados que atenda às necessidades atuais, com flexibilidade de gerenciamento para se adaptar aos novos ambientes, deve-se pensar em termos de dados integrados, modulares e plataformas inteligentes", ponderou o executivo.

Mauricio Fernandes, presidente da Dedalus, ressalta que hoje  está claro que a competição do mercado de dados se dá em escala planetária a mesma forma como ocorreu num passado , não tão distante com a cloud computing.

"A performance das organizações bem sucedidas está sendo determinada por uma estrutura de dados moderna em contraponto com as estruturas convencionais. Essa ruptura já ocorreu. Os dados são foco dos negócios é preciso que transferir esta capacidade em benefício para a estratégia das empresas", argumentou o presidente da Dedalus, "É do diálogo e do entendimento desses dados que nasce a monetização para as organizações".

Maurício enfatizou que hoje os dados deixaram de ser custo para as empresas e passaram a ser a grande oportunidade de novos negócios. Segundo ele, após crises como a que vivemos agora com a pandemia, há a necessidade das organizações se reposicionarem, a fim de manter e aumentar seus mercados.

"Os dados são diferentes da informação, é preciso transformá-los em ativos informacionais úteis. É preciso limpar, processar para trazer o retorno, a fim de que retorne com insights relevantes. Não há mais espaço para ter silos diferentes de dados nas organizações. A informação obtida dos dados é um bem comum a todos dentro da organização", reforçou o executivo.

Ele também lembrou um outro grande gargalo no mercado nacional, pois além das ferramentas disponíveis hoje, é preciso de mão de obra altamente qualificada para executar este trabalho, reiterando o quanto é fundamental nas companhias data-driven o trabalho do cientista de dados.

"A monetização dos dados está transformando as empresas, principalmente aquelas que querem sobreviver no mundo dos negócios. A cultura data driven é algo para se ter em toda a companhia e entre todos envolvidos nos negócios, qualquer que seja a área de atuação, é preciso envolver todos para se ter sucesso", finalizou.

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