Ford anuncia programa de desenvolvimento de aplicativos para carros no Brasil

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Já em funcionamento nos Estados Unidos desde 2010, a plataforma Sync AppLink da Ford foi anunciada para o Brasil nesta terça-feira, 28, durante a Campus Party 2014, em São Paulo. Além de ter um programa aberto para desenvolvedores brasileiros, com normas locais de segurança e ferramentas fornecidas pela montadora, o produto permite aplicativos para smartphones nos sistemas Android e iOS, com comandos específicos para carros, que integram funções do painel e são voltados à interface por comando de voz.

O programa para desenvolvedores já está disponível (pelo menos na versão em inglês) no site developer.ford.com e o sistema será lançado no País até a metade do ano em um novo modelo de veículo ainda não revelado pela empresa. Por enquanto, três aplicativos estão confirmados para o lançamento brasileiro: TuneIn, que sintoniza rádios pela Internet; Glympse, que permite compartilhar localização com amigos e familiares por meio de redes sociais; e o Napster, reformulado recentemente como serviço de streaming de música por assinatura.

Para submeter o aplicativo, o desenvolvedor precisa atender a uma série de requerimentos de segurança impostos pela Ford e baseados na regulamentação brasileira, além de passar por um processo de aprovação da montadora. A ideia é que toda a interface seja por voz, com reconhecimento e respostas totalmente em português do Brasil. "O conceito de segurança da Ford é de mãos no volante e olhos na estrada. Comandos em touchscreen não são a melhor alternativa", disse o vice-presidente de assuntos corporativos da empresa para a América do Sul, Rogério Golfarb.

O modelo de negócios da Ford é promover a conectividade como diferencial para seus carros, pois não há cobrança de parcela da receita dos desenvolvedores. Isso ajuda também porque, na verdade, os aplicativos são publicados nas lojas dos próprios sistemas Android e iOS, que já cobram uma parcela. A plataforma AppLink pode ser acessada por um site ou por meio de aplicativo próprio para os sistemas. De lá, o usuário encontra os programas específicos e, quando decide baixar, é encaminhado para a Google Play e para a App Store.

Facilidades para desenvolvedores

A Ford quer promover também o desenvolvimento de apps nacionais não apenas para as características do mercado brasileiro, mas também para ser usado em outros países. "Quando desenvolvemos carros e apps, somos ativos, e não passivos para o que vem de fora", diz Golfarb.

É possível aproveitar elementos dos próprios smartphones, como o controle de voz do Google, por exemplo, para evitar conflitos. O sistema também se integra a sensores de carros. "Se o usuário sair do veículo e retorna, basta dizer o nome do app que ele volta a funcionar", explica o supervisor de serviços de conectividade da montadora, David Borges.

O diretor de soluções conectadas da Ford, Doug VanDagens, afirma que isso é uma vantagem para os desenvolvedores porque não precisam se submeter ao time-to-market comuns de carros, que levam de três a cinco anos para implantar novidades. "Além disso, o código-fonte é fácil, permite o desenvolvimento rápido", diz ele, citando um dos eventos de maratona (hackathons) no qual foi possível escrever do zero um aplicativo em 12 horas. A este noticiário, Vandagens não descartou o desenvolvimento interno de aplicativos no Brasil, como já acontece nos Estados Unidos, mas se recusou a comentar sobre planos e acordos de lançamento de versões de apps populares de navegação, como o Google Maps e o Waze (também de propriedade do Google).

Upgrade

O sistema estará disponível também para automóveis já equipados com o AppLink em circulação no Brasil por meio de um programa de upgrade, que ainda será liberado mundialmente. A abertura para desenvolvedores e o lançamento da plataforma será também para toda a América do Sul, de acordo com a Ford. Atualmente, mais de 10 milhões de carros da marca possuem o Sync e dois milhões com o AppLink no mundo. A estimativa para 2015 é que 14 milhões de veículos possuam o Sync, sendo que "a maioria" teria o AppLink, segundo Doug VanDagens.

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