Com ligeira queda em Telecom, crescimento do mercado de TICs no Brasil atingirá 2,2%, aponta IDC

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O mercado de TI experimentará uma retomada já neste primeiro semestre de 2018 e avançará 5,8% no ano. Já o mercado de Telecom deverá permanecer praticamente estável em relação a 2017, caindo apenas 0,1% no ano. Assim, mesmo com as incertezas comuns em anos eleitorais, o mercado de TIC no Brasil deve crescer 2,2% em 2018. A estimativa é da IDC Brasil, que tradicionalmente realiza o estudo IDC Predictions, antecipando as tendências e movimentos de mercado para os 110 países em que atua.

Os motivos principais apontados para estabilidade do mercado de operadoras de telecom é devido a ferrenha concorrência entres os players, que lançaram planos de uso ilimitado diminuindo o ARPU; pela queda do uso de voz na telefonia fixa e diminuição de receitas do serviços de dados, entre outros.

Já o mercado de TI foi alavancado por diversos fatores impulsionados pela transformação digital e a necessidade de agilidade nos negócios das empresas, crescimento da adoção de serviços de cloud, investimento em segurança, big data, analytics, IoT, entre outros.

Denis Arcieri, country manager da IDC Brasil, alerta que a Transformação Digital (DX) continua em curva ascendente em todo o mundo e que organizações que ainda não se atentaram para isso ou estão no que ela chama de "impasse digital", estão correndo riscos. "A Transfomação Digital é um processo contínuo pelo qual as organizações se adaptam às mudanças disruptivas ou criam essas mudanças. Temos visto mais empresas se capacitarem digitalmente, mas ainda há uma distância significativa entre os pioneiros e os retardatários, e haverá consequências para as que não conseguirem fazer a transição para um modelo digital nativo".

Setores

Entre as previsões apontadas pela IDC Brasil para 2018 nos segmentos de smartphone e tablets, está o crescimento do uso deles no mercado corporativo, que surge como uma oportunidade após a retração dos consumidores do varejo.

"Grandes fabricantes já começaram a se estruturar para isso, montando times específicos para vendas corporativas e formando parcerias. Esse deve ser o início de um movimento consistente de crescimento para os próximos anos", diz Reinaldo Sakis, gerente de Pesquisa e Consultoria de Consumer Devices da IDC Brasil. Segundo ele, em 2018, a estimativa é de que o mercado corporativo demande 3,5 milhões de tablets e smartphones, o que representará 6% do volume total de vendas desses dispositivos no Brasil.

Já no mercado doméstico, a previsão da IDC Brasil é que IoT (Internet das Coisas) avance mais rapidamente. "Estima-se que 4% das residências brasileiras já possuam algum tipo de dispositivo conectado, como controles de câmeras de segurança, temperatura e ar condicionado, por exemplo, mas há um grande interesse da população pelo assunto e vontade dos fabricantes em aumentar a oferta de produtos de IoT domésticos, apesar das barreiras", diz Sakis. "Os assistentes eletrônicos, por exemplo, precisam aprimorar a compreensão do português do Brasil e ganhar escala para terem preços compatíveis com o bolso do brasileiro", completa o analista, lembrando que, em 2018, o mercado doméstico de IoT no Brasil será responsável por US$ 612 milhões.

Plano Nacional de IoT

A IDC entende que a iniciativas dentro do âmbito do Plano Nacional de Internet das Coisas poderá representar um mercado superior a US$8 bilhões, alavancadas pelos segmentos prioritários do Plano que inclui as áreas da saúde, indústria, agricultura e infraestrutura urbana. Além disso, novas tecnologias como Blockchain e Inteligência Artificial incorporadas ao IoT ajudarão a incrementar essa previsão. Mas o ponto principal que confirmará ou não essa previsão é a definição de tarifação, que deve ser divulgada pela Anatel ainda neste primeiro semestre.

Segundo Pietro Delai, gerente de pesquisa e consultoria de infraestrutura, dentre os 55 projetos de IoT em curso analisados pela IDC, apenas 7 deles não terão crescimento de dois dígitos até 202, mostrando o potencial desse mercado. No entanto, ele alerta sobre a necessidade de se investir em segurança (contra ataques tipo DDoS, por exemplo) e em privacidade, como o que está sendo exigida pela nova lei do GDPR na Europa que prevê multas elevadas, que podem chegar até 4% do faturamento das empresas infratoras

Big Data e Analytics  

Outro mercado que faz parte das previsões da IDC Brasil e que deve estar entre as prioridades das empresas que precisam se mover mais rápido e assertivamente rumo à transformação digital é Big Data/Analytics (BDA). Segundo Luciano Ramos, gerente de Pesquisa e Consultoria de Software e Serviços, houve um amadurecimento sobre o que é BDA e agora as empresas têm um propósito. "Elas buscam extrair algum valor das iniciativas de Big Data/Analytics e essa busca acelera a contratação de serviços. Além disso, as iniciativas de BDA vêm sempre a reboque de alguma demanda e acabam movimentando todo um negócio", diz. Diante disso, as expectativas para o Brasil são otimistas: em 2018, os serviços de consultoria relacionados à Big Data/Analytics vão crescer cerca de 18% em relação a 2017, e os gastos totais, incluindo infraestrutura, software e serviços vão atingir US$3,2 bilhões no país.

Já o segmento de aplicações de computação cognitiva também tendem a crescer, apesar de apresentara números mais modestos."Por enquanto, os investimentos são discretos, mas o crescimento deve ficar acima de 50% em relação ao ano anterior. A tendência é que outras verticais – além de finanças e saúde – invistam no uso da inteligência artificial para atendimento e engajamento de clientes, funcionalidades que têm sido exploradas e representam os casos mais emblemáticos atualmente no Brasil, como sistemas de diagnóstico e tratamento e análises de fraudes e investigação", explica Ramos.

Cloud pública

Mas sem sombra de dúvidas a IDC considera animador o mercado de cloud pública. Ela prevê que a contratação de infraestrutura, plataforma e Software como Serviço (SaaS) em cloud pública atingirá US$ 1,7 bilhão em 2018 e praticamente o dobro até 2020. "A demanda por cloud pública cresce intensamente e abre oportunidades para novos datacenters", explica Pietro Delai. Além disso, as exigências em termos de performance e disponibilidade pressionam as empresas por uma infraestrutura com alto nível de confiança e baixo tempo de resposta, o que também gera demanda para datacenters e outras soluções de TI. E, segundo Delai, até projetos de IoT, ainda que iniciantes, dão margens a planos de descentralização do armazenamento e/ou processamento e adoção de Edge Datacenters, fomentando esse mercado. Ainda com relação a cloud, a IDC Brasil confirma que o multicloud é uma realidade no país e prevê a continuidade da adoção de vários provedores cloud. "O número de médias e grandes empresas que têm apenas um provedor é praticamente igual ao de empresas que usam mais de um provedor, e soluções híbridas continuarão predominando nos próximos anos no Brasil", afirma o consultor.

"40 das médias e grandes empresas imaginam contratar cloud pública de um broker ou Cloud Service Management (MSS)", enfatiza Delai.

Telecom

Na área de Telecom, as previsões da IDC Brasil apontam que os projetos de SD-WAN se tornarão uma realidade no país. "Ainda há muitos PoCs (Proof of Concept) em execução no mercado para testar o conceito e provar para os usuários finais que a tecnologia tem realmente os benefícios prometidos", analisa André Loureiro, gerente de Pesquisa e Consultoria de TIC da IDC Brasil. Segundo ele, as operadoras já estão se estruturando mais proativamente e os clientes estão mais amadurecidos em relação às suas necessidades, e a  previsão é que haja uma aceleração em projetos relevantes que levem o mercado de SD-WAN  a mais do que dobrar em 2018. "O SD-WAN é um habilitador de projetos para o CIO", conclui o analista.

Quanto aos provedores regionais de Telecom, já têm grande relevância no mercado B2C e tendem a avançar este ano no B2B, com uma oferta maior no mix de produtos corporativos e foco principalmente em pequenas empresas. "O ambiente também está favorável a fusões e aquisições", acredita Loureiro.

Segurança

A IDC Brasil está otimista também em relação ao mercado de segurança da informação. 63% das médias e grandes empresas entrevistadas pela IDC afirmaram que ampliaram seus orçamentos em segurança e, além disso, investiram ou estão investindo formalmente na estruturação de suas áreas de segurança, com novos CSOs e novas ideias. Serviços como MSS (Managed Security Services) e consultorias de segurança também vêm ganhando importância e uma fatia maior nos orçamentos com segurança.

Segundo o IDC Predictions Brasil 2018, os gastos com segurança, incluindo infraestrutura, software e serviços, devem crescer cerca de 9% em 2018, atingindo US$ 1,2 bilhão. Entretanto, lembra Luciano Ramos, "certos serviços devem crescer ainda mais, como o MSS, que deve avançar quase 15% neste ano".

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