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A inovação tem um método?

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Em um curto espaço de tempo, o uso da tecnologia passou de complementar a indispensável: aumento do número de smartphones, carros conectados à internet, o crescimento do conceito Internet das Coisas. Estima-se que até 2020, cerca de 25 bilhões de coisas estarão conectadas à internet. Para acompanhar essa revolução da tecnologia, e ainda assim permanecerem competitivos e inovadores, alguns mercados da atualidade diversificam sua linha de produtos até duas vezes ao mês!

Mas como fazer com que essa mudança seja aceita no mercado, considerando a heterogeneidade do mesmo? Como garantir que os produtos atendam às necessidades atuais de diferentes culturas, gostos e padrões? Como prever necessidades ainda inexistentes, ou seja, vender algo que as pessoas ainda não sabem que precisam?

Conhecido como um método para inovação, o Design Thinking surgiu para proliferar a forma de pensar de um designer, como resposta para todos os tipos de problemas.

Trata-se de um método sem preconceito e democrático, pois não é necessário ter habilidades específicas ou ter uma formação elevada. Basta apenas ter vontade de resolver problemas e expor opiniões, sem se preocupar com o que os outros vão pensar. Dessa forma, aconselha-se que o grupo formado para desenvolver o método seja bem eclético, multidisciplinar, transformando diferentes visões de mundo e formações em ideias inovadoras e efetivas.

Usado por muitas empresas multinacionais e de vários seguimentos como varejo, software, educação, financeiro, o método é algo que veio para ficar, não se atendo apenas a uma inovação de caráter comercial, mas de caráter social.

É o caso da incubadora de bebês feita com partes de carros, a Neonurture. Por meio do processo de Design Thinking, mães, médicos, mecânicos e habitantes locais chegaram a uma solução para a alta taxa de mortalidade dos bebês: uma incubadora fabricada com partes de automóveis.

Mas como chegaram a essa solução? Simples. Uma das maiores carências dos países em desenvolvimento são as incubadoras. Isso se dá por dois motivos:

  1. Incubadoras novas são muito caras
  2. O conserto destes aparelhos é muito caro, pois quando quebram é difícil encontrar mão de obra especializada para consertar.

Levando em conta essas questões e indo a campo para entender mais a fundo o cenário dos países em desenvolvimento, chegou-se à conclusão de que um dos recursos de maior abundância disponíveis eram partes e peças de carros. Além dessa farta “matéria-prima”, também era possível encontrar manutenção em praticamente toda esquina: os mecânicos de automóveis.

Assim, foi possível a confecção de um equipamento ao mesmo tempo sustentável e capaz de atender às necessidades desses países, pois fazia uso de matéria-prima farta e de fácil manutenção.

A partir do caso descrito, pode-se dizer que o método consiste em basicamente três passos, mapeados com post-its: imersão, ideação e prototipação, explicitados a seguir. Os post-its serão utilizados ao longo de todo o processo, pois para cada problema levantando na etapa de imersão, um post-it será usado para descrever a questão de forma simples. Para a etapa de ideação, um post-it trará uma ideia que solucione o problema, ajudando na visualização do caso como um todo.

O processo de imersão é quando se conhece a fundo as dificuldades, colocando-se no lugar das pessoas que as vivem. No exemplo da Neonurture, os conhecedores do método foram até os países em questão para entender o problema e conversar com as pessoas locais, em busca de um conhecimento aprofundado da situação.

A ideação, como o próprio nome já diz, é a parte de geração de ideias para os problemas levantados. Para cada problema, é pensada uma ideia para mitigá-lo. Depois de resolvidos todos, elabora-se uma ideia macro que contemple todas as outras. A partir daí, chega-se ao protótipo.

E é na prototipação que a ideia ganha forma, representada por folhas, revistas, cartolinas e papelão, possibilitando visualizar e remodelar, caso necessário, o que será construído.

Voltando às questões iniciais, podemos pensar sobre uma frase dita por Steve Jobs, na época CEO da Apple: “Muitas vezes, as pessoas não sabem o que querem até você mostrar para elas. Design não é somente o que se vê ou o que se sente. Design é como funciona”.

A frase de Jobs exprime exatamente o que o Design Thinking promove: o design como uma funcionalidade pensada, não apenas um estereótipo. Dessa forma, é possível atender aos diferentes clientes, com suas diferentes necessidades, seguindo exatamente os três passos já citados, alcançando um produto inovador e até mesmo gerar uma demanda que antes não era prevista.

O Design Thinking é um meio, mas cabe às empresas aplicarem o método para atingir os seus clientes e objetivos. Como disse Tim Brown, presidente e CEO da IDEO, a empresa referência que promove o método pelo mundo: “Design Thinking é uma abordagem centrada no ser humano para a inovação, chamada de kit do designer para integrar as necessidades das pessoas, as possibilidades da tecnologia e os requisitos para o sucesso do negócio”. Então, para inovar, eis a dica: pegue seu “kit do designer” e mãos à obra!

Referências:

[1] Martin, Roger L. (2010) Design de Negócios: por que o design thinking se tornará a próxima vantagem competitiva dos negócios e como se beneficiar disso, Rio de Janeiro: Elsevier.

Vivian Metzner, analista de Gestão de Produto da Unear.

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