NSA tem ferramenta que pode vigiar "quase tudo" que o internauta faz na web, diz jornal

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Na luta que trava para tentar evitar sua extradição para os Estados Unidos, o ex-técnico da CIA Edward Snowden parece ter ainda muita munição estocada contra o governo americano. Dois meses depois de denunciar a existência do programa de espionagem Prism, da Agência Segurança Nacional (NSA) dos EUA e do FBI (polícia federal americana), o jornal britânico The Guardian, para o qual ele passou as informações em primeira mão, revelou nesta quarta-feira, 31, detalhes sobre o que seria uma das mais poderosas ferramentas de espionagem da NSA — o X-Keyscore, que estaria sendo usada inclusive no Brasil, a qual permite a analistas da inteligência daquele país supervisionar "quase tudo o que um usuário comum faz na internet".

De acordo com o jornal inglês, o X-Keyscore é considerado pela NSA como o de maior amplitude, já possibilita que as agências vejam o histórico de navegação dos internautas e monitorem, em tempo real, e-mails, buscas na web, sites, redes sociais e praticamente qualquer atividade online de um usuário.

Uma apresentação de 32 páginas, datada de fevereiro de 2008, explica o que é o X-Keyscore, ferramenta que, aliás, é mencionada em outro documento da NSA vazados por Snowden. Algumas das páginas foram ocultadas, supostamente por descrever detalhes das operações que o ex-técnico da CIA preferiu não revelar. O relatório estima que havia 850 bilhões de "eventos de chamada" coletados e armazenados nos bancos de dados da agência de segurança, e cerca de 150 bilhões de registros de internet.

Em resposta ao The Guardian, a NSA afirmou que as "alegações de acesso generalizado e sem controle de coleta de dados simplesmente não são verdadeiras". Segundo a agência, o X-Keyscore, bem como todas as outras ferramentas analíticas da NSA, é limitado apenas às pessoas que necessitam de acesso para suas tarefas.

A NSA ainda qualificou o programa como parte de sua estratégia contra o terrorismo, afirmando que a ferramenta foi útil para que os EUA prendessem mais de 300 terroristas. "Esses tipos de programas nos permitem coletar as informações para realizar nossas missões com êxito, para defender a nação e para proteger as tropas americanas e aliadas no exterior", conclui a agência em comunicado.

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