Tecnologia está mudando noção do que significa ser humano, diz Gartner

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O Gartner anuncia suas principais previsões estratégicas para 2020 e os próximos anos. As projeções examinam como a condição humana está sendo desafiada à medida que a tecnologia cria expectativas variadas e em constante mudança para os seres humanos.

"A tecnologia está mudando a noção do que significa ser humano", diz Alvaro Mello, managing vice president do Gartner. "Conforme trabalhadores e cidadãos veem a tecnologia como um aprimoramento de suas habilidades, a condição humana também muda. Os CIOs (Chief Information Officers) devem entender os efeitos da mudança para os usuários e redefinir as expectativas quanto ao significado da tecnologia em suas organizações".

Aprimoramentos, decisões, emoções e companheirismo são os quatro aspectos que estão criando uma nova realidade para o uso humano da tecnologia. "Além de oferecer insights sobre algumas das áreas mais críticas da evolução da tecnologia, as previsões deste ano nos ajudam a ir além do pensamento sobre meras noções de adoção de tecnologia e nos levam a aprofundar as questões que envolvem o que significa ser humano no mundo digital", afirma Mello.

Segundo a consultoria, até 2023, o número de pessoas com deficiência empregadas nas organizações triplicará, devido à Inteligência Artificial e às tecnologias emergentes, reduzindo as barreiras de acesso – "As pessoas com deficiência constituem um conjunto inexplorado de talentos críticos", afirma Mello. "Inteligência Artificial (IA), Realidade Aumentada (RA), Realidade Virtual (RV) e outras tecnologias emergentes tornaram o trabalho mais acessível para funcionários com deficiência. Por exemplo, restaurantes estão começando a utilizar a tecnologia de robótica com Inteligência Artificial, o que permite que funcionários imóveis controlem garçons robóticos remotamente. As organizações que empregam ativamente pessoas com deficiência não apenas cultivam a boa vontade de suas comunidades, mas também têm taxas de retenção 89% mais altas, um aumento de 72% na produtividade dos funcionários e de 29% na lucratividade".
 
Até 2024, a identificação de emoções por meio da Inteligência Artificial influenciará mais da metade dos anúncios on-line que as pessoas veem – A inteligência emocional artificial (AEI, de Artificial Emotional Intelligence, em inglês) é a próxima fronteira para o desenvolvimento da IA, especialmente para empresas que esperam detectar emoções para influenciar as decisões de compra.

Vinte e oito por cento dos profissionais de marketing classificaram a Inteligência Artificial e o Aprendizado de Máquina (ML, de Machine Learning, em inglês) entre as três principais tecnologias que irão orientar o impacto futuro do marketing, e 87% das organizações de marketing estão atualmente buscando algum nível de personalização, de acordo com o Gartner.

A visão computacional, que permite à IA identificar e interpretar ambientes físicos, é uma das principais tecnologias usadas para reconhecimento de emoções e foi classificada pelo Gartner como uma das tecnologias mais importantes nos próximos três a cinco anos. "A inteligência emocional artificial possibilita que as experiências digitais e físicas se tornem hiper personalizadas, indo além dos cliques e do histórico de navegação, e mostrando como os clientes se sentem em um momento específico da compra.

Com a promessa de medir e envolver os consumidores com base em algo que antes era considerado intangível, essa área de 'marketing empático' possui um enorme valor para marcas e consumidores quando usada dentro dos limites adequados de privacidade", explica Mello.
 
Até 2023, 30% das organizações de TI estenderão as políticas de BYOD (Bring Your Own Device) com opções de "traga seu próprio aprimoramento" (Bring Your Own Enhancement – BYOE) para promover melhorias humanas (Augmented Humans) na força de trabalho – O conceito de "trabalhadores aumentados" (Augmented Workers) ganhou força em conversas nas mídias sociais em 2019, devido a avanços na tecnologia vestível (Wearable Technology).

Os dispositivos vestíveis estão impulsionando a produtividade e a segurança do local de trabalho na maioria dos setores, incluindo as indústrias automotiva, de petróleo e gás, varejo e saúde. Embora os equipamentos vestíveis sejam apenas um exemplo de aprimoramentos físicos disponíveis hoje, os seres humanos procurarão mais melhorias desse tipo que irão melhorar suas vidas pessoais e ajudá-los a realizarem seus trabalhos.

"Os líderes de TI certamente veem essas tecnologias como impactantes, mas é o desejo dos clientes de se aprimorar fisicamente que impulsionará a adoção dessas tecnologias primeiro", avalia Mello. "As empresas precisam equilibrar o controle desses dispositivos em suas iniciativas ao mesmo tempo em que habilitam os usuários a utilizá-los em benefício da organização. Isso significa abraçar e explorar os benefícios do aprimoramento físico humano por meio da implementação de uma estratégia de BYOE".
 
Até 2025, 50% das pessoas com um smartphone, mas sem uma conta bancária, usarão uma conta de criptomoeda acessível para dispositivos móveis – Os principais marketplaces e plataformas de mídias sociais começarão a suportar pagamentos de criptomoeda até o final do próximo ano. Pelo menos metade dos cidadãos do mundo que não utilizam uma conta bancária usarão esses novos serviços de contas de criptomoeda habilitados para dispositivos móveis oferecidos pelas plataformas digitais globais até 2025. Isso abrirá oportunidades comerciais para compradores e vendedores em economias em crescimento, como a África Subsaariana e Ásia-Pacífico.
 
Até 2023, uma associação auto reguladora para supervisão de designers de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina será estabelecida em pelo menos quatro dos países do G7 – "A regulamentação de produtos tão complexos quanto os algoritmos de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina não é tarefa fácil. As consequências das falhas em escala de algoritmos, que ocorrem nas principais funções da sociedade, estão se tornando mais visíveis. Por exemplo, falhas relacionadas à Inteligência Artificial em veículos e aeronaves autônomos já mataram pessoas e atraíram muita atenção nos últimos meses", explica Mello.

A demanda do público por proteção contra as consequências de algoritmos com mau funcionamento, por sua vez, produzirá pressão para atribuir responsabilidade legal pelos efeitos nocivos da falha do algoritmo. O impacto imediato da regulação do processo será aumentar os tempos de ciclo para o desenvolvimento e a implementação de algoritmos de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina. As empresas também podem se preparar para gastar mais em treinamento e certificação para profissionais e em documentação de processos, além de salários mais altos para pessoal certificado.
 
Até 2023, 40% dos trabalhadores profissionais irão orquestrar suas experiências e recursos de aplicações corporativas, como fazem na experiência de streaming de música – O desejo humano de ter um ambiente de trabalho semelhante ao ambiente pessoal continua a aumentar – um local em que eles possam organizar seus próprios aplicativos para atender aos requisitos pessoais e de trabalho de maneira self-service. A consumerização da tecnologia e a implementação de novas aplicações elevaram as expectativas dos funcionários quanto ao que é possível a partir de suas aplicações corporativas.

"Os aplicativos costumavam definir nossos trabalhos. Atualmente, estamos vendo organizações projetando experiências de aplicações em torno dos funcionários. Por exemplo, as tecnologias móveis e em Nuvem estão liberando muitos colaboradores de entrar em um escritório e, em lugar disso, estão oferecendo suporte a um ambiente de 'trabalho em qualquer lugar', superando os modelos de negócios tradicionais", diz Mello. "Do mesmo modo que os humanos personalizam sua experiência de streaming, eles podem personalizar e se envolver cada vez mais com experiências de novas aplicações".
 
Até 2023, pelo menos 30% do conteúdo mundial de notícias e vídeos serão autenticados como reais pelo Blockchain, combatendo a tecnologia Deep Fake (que usa Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina para criar conteúdos falsos, mas realistas) – As Fake News representam desinformação deliberada, como propagandas que são apresentadas às audiências como notícias reais. Sua rápida proliferação nos últimos anos pode ser atribuída a contas controladas por bots nas mídias sociais, atraindo mais espectadores do que notícias autênticas e manipulando a ingestão humana de informações.    

Até 2021, ao menos as 10 principais organizações de notícias usarão o Blockchain para rastrear e provar a autenticidade de seu conteúdo publicado para leitores e consumidores. Da mesma forma, governos, gigantes da tecnologia e outras entidades estão lutando contra grupos industriais e regulamentos propostos. "A organização de TI deve trabalhar com as equipes de produção de conteúdo para estabelecer e rastrear a origem do conteúdo gerado pela empresa usando a tecnologia Blockchain", afirma Mello.
 
No mesmo ano, as iniciativas de transformação digital de empresas tradicionais levarão em média duas vezes mais tempo e custarão o dobro do previsto – É improvável que as expectativas dos líderes de negócios em relação ao crescimento da receita sejam alcançadas a partir de estratégias de otimização digital, devido ao custo da modernização da tecnologia e aos custos imprevistos da simplificação das interdependências operacionais. Essa complexidade operacional também impede o ritmo da mudança, juntamente com o grau de inovação e a adaptabilidade necessários para operar como um negócio digital.

"Na maioria das organizações tradicionais, a diferença entre ambição digital e realidade é grande", observa Mello. "Esperamos que a alocação do orçamento dos CIOs para modernização de TI cresça 7% por ano até 2021 para tentar fechar essa lacuna".
 
Até 2023, as atividades individuais serão rastreadas digitalmente por uma "Internet do Comportamento" para influenciar a elegibilidade de benefícios e serviços para 40% das pessoas em todo o mundo –  Por meio do reconhecimento facial, rastreamento de localização e Big Data, as organizações estão começando a monitorar o comportamento individual e vincular esse comportamento a outras ações digitais, como a compra de uma passagem de trem.

A Internet das Coisas (IoT) – em que os objetos físicos são orientados a fazer uma determinada coisa com base em um conjunto de parâmetros operacionais observados em relação a um conjunto desejado de parâmetros operacionais – agora está sendo estendida às pessoas, conhecida como Internet do Comportamento (IoB, de Internet of Behavior, em inglês). "Com a IoB, julgamentos de valor são aplicados a eventos comportamentais para criar o estado desejado de comportamento", explica Mello.

"Nos países ocidentais, o exemplo mais notável de um modelo de negócios baseado no uso e no comportamento é o seguro de propriedade e de acidentes. A longo prazo, é provável que quase todas as pessoas que vivem em uma sociedade moderna sejam expostas a alguma forma de IoB que se funda com as normas culturais e legais de nossas sociedades pré-digitais existentes".
 
Até 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificará as compras on-line como um distúrbio viciante, pois milhões abusam do comércio digital e enfrentam estresse financeiro – Os gastos dos consumidores por meio de plataformas de comércio digital continuarão a crescer mais de 10% por ano até 2022.

A facilidade das compras on-line causará estresse financeiro para milhões de pessoas, na medida em que varejistas on-line usam cada vez mais a Inteligência Artificial e a personalização para atingir efetivamente os consumidores e levá-los a gastar uma renda ilimitada que eles não possuem.

A dívida e as falências pessoais resultantes causarão depressão e outros problemas de saúde trazidos pelo estresse, o que está atraindo a atenção da OMS. "Os efeitos colaterais da tecnologia que promovem comportamentos viciantes não são exclusivos dos consumidores. Os CIOs também devem considerar a possibilidade de perda de produtividade entre os funcionários que deixam de lado o trabalho para realizar compras on-line e outras distrações digitais. Além disso, os regulamentos de apoio às práticas responsáveis de varejo on-line podem forçar as empresas a fornecer avisos aos possíveis clientes que estão prontos para fazer compras em ambientes virtuais, semelhante a empresas de cassinos ou de cigarros", explica Mello.

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