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Empresas dos EUA temem represália da China com denúncia por espionagem cibernética

Postado em: 20/05/2014, às 18:07 por Redação

A U.S. Stell e a Allegheny Technologies, duas das maiores siderúrgicas americanas, tiveram arquivos confidenciais que dão acesso às suas redes de computadores roubados. A maior fabricante de painéis solares dos Estados Unidos, a SolarWorld, também teria sido vítima de furto de segredos tecnológicos, dados de custos de produção, projeções de fluxo de caixa e detalhes de sua estratégia. O Sindicato dos Metalúrgicos dos EUA é outro que diz que seus registros de computador contendo estratégias de política comercial e discussões sobre os metais de terras raras e de autopeças foram violados.

Além do roubo de dados, quase todas as quatro corporações têm algo a mais em comum: cada uma estava no meio de uma disputa contra as políticas comerciais da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), com ajuda do Departamento de Comércio dos EUA.

As já bastante delicadas relações políticas e comerciais entre os dois países tendem agora a sofrer outro abalo com o indiciamento pelo Departamento de Justiça (DOJ) dos EUA, na última segunda-feira, 19, de cinco oficiais do Exército chinês, acusados de roubo de segredos industriais e comerciais dessas empresas. Segundo a acusação, os militares chineses operaram através de uma rede de espionagem cibernética, a partir de um centro militar de computação em Xangai. Os cinco chineses estão na lista dos mais procurados do FBI, indiciados por espionagem e invasão de computadores.

O governo chinês reagiu prontamente e declarou que as acusações são mentirosas e comprometem as relações entre os dois países. O ministério de defesa externa chinês também emitiu nota negando veementemente qualquer irregularidade e aproveitou para ressaltar que são os EUA que mantêm um extenso programa de coleta de informações, citando os documentos vazados pelo ex-colaborador da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), Edward Snowden, que expuseram os abusos das ações de espionagem do governo americano.

Embora o indiciamento dos oficiais chineses tenha peso simbólico, para mostrar que o governo americano está monitorando a espionagem comercial feita pela China, os desdobramentos das disputas entre os dois governos pode gerar uma situação desconfortável para muitas empresas americanas, bem como empresas da União Europeia e em outros países, segundo analistas. As denúncias de espionagem contra Pequim, e até mesmo o alerta de governos estrangeiros para questões comerciais, pode levar a graves consequências.

Empresas ocidentais que operam na China têm consciência de que podem ser suscetíveis a espionagem pelas autoridades, dizem os analistas. Elas também têm enfrentado processos judiciais sob alegação de corrupção, venda de alimentos contaminados e outras impropriedades para o qual as empresas chinesas, particularmente as empresas estatais, raramente são investigadas.

A diferença nesta acusação do DOJ contra os oficiais chineses é que eles vivem e trabalham nos Estados Unidos. "Será que a China estabelece novas regras, de modo que se você denunciá-la na OMC ou levar o caso para o Departamento de Comércio, então você vai ser punido", indagou David Zweig, diretor do Centro de Relações Transnacionais da China na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong. "Se for assim, as empresas podem desistir de contestar China", disse ele ao New York Times.

Vigilância constante

A vigilância da China a seus próprios cidadãos é tão profunda que alguns executivos ocidentais que fazem negócios com o país dizem que aceitá-la é quase uma condição e não se deve preocupar com isso. "As pessoas simplesmente devem assumir que tudo está sendo observado. Eu sempre assumi que cada e-mail que eu envio é lido, todas as conversas que tenho são ouvidas", disse um executivo ocidental, que pediu anonimato.

O executivo observa, porém, que os EUA estão longe de ser inocentes. Ele observou que os documentos vazados por Snowden revelam que a NSA também reúne informações ao redor do mundo. Tanto que o governo americano assume que faz espionagem para coletar inteligência militar, política e econômica, emora afirme que ela é fundamentalmente diferente e menos intrusiva do que a espionagem para obter vantagem comercial.

A Câmara Americana de Comércio em Pequim (AmCham China) divulgou um comunicado nesta terça-feira, 20, endossando, essencialmente, esta posição. "A questão da segurança cibernética é uma importante e crescente preocupação para a comunidade de negócios", diz o comunicado. "Apesar de não podemos comentar sobre as especificidades de cada caso concreto, a AmCham China acredita que há uma diferença fundamental entre coleta de informações para fins de segurança nacional, legítima, e coleta de informações para roubar segredos comerciais. Além disso, a definição de segurança nacional não deve incluir os interesses económicos. Exortamos os governos a alcançarem um acordo sobre as regras sobre cibersegurança incorporando esta distinção." A Amcham China é uma coalizão de empresas e indivíduos que fazem negócios com a China, e é independente dos EUA.

Apenas duas das supostas vítimas de violação de seus sistemas, citadas pelo Departamento de Justiça, não estão em disputas comerciais com a China. Uma delas, a Westinghouse, está construindo quatro reatores nucleares no leste da China para empresas estatais. Outra companhia, a Alcoa estava em negociações para a aquisição de uma empresa de mineração chinesa. A acusação diz que os projetos confidenciais da Westinghouse para canalizações e suportes de tubos foram roubados, juntamente com as estratégias da empresa no mercado chinês e os seus planos de prevenção para revender suas tecnologias a empresas chinesas.

Algumas indústrias americanas, no entanto, já atingiram um grau de confiança com Pequim que pode isolá-las da pressão. Uma delas é a indústria cinematográfica. A China já é o segundo maior mercado de cinema do mundo, o que tem levando alguns estúdios de Hollywood a submeterem roteiros de filmes aos censores chineses para a produção de filmes. Eles também formaram joint ventures com empresas controladas pelo Estado chinês e até convidaram autoridades chinesas a participar das decisões criativas em alguns locais de filmagem para garantir que os filmes não serão proibidos nos cinemas chineses.

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