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Internet of The Next Big Thing

Postado em: 04/02/2015, às 19:38 por Adriano Oliveira

Você que gosta de tecnologia, ou pelo menos assistiu ao filme "O Sexto Dia" com Arnold Schwarzenegger numa Sessão da Tarde, já deve ter ouvido falar na geladeira do futuro que verifica quando sua cerveja está acabando e compra mais uma caixa automaticamente no delivery do supermercado. Não coincidentemente, esse filme é de 2000, época em que se começou a falar sobre IoT (Internet of Things), e ano em que a LG lançou de fato o primeiro refrigerador com internet do mundo, o Internet Digital DIOS, que custava USD 20.000. Só para se ter uma ideia de quão inovadora foi essa tecnologia, naquele mesmo ano a Google, hoje referência mundial em tecnologia para Internet (e não só Internet), teve um lucro de USD14 milhões… só que negativo!

Bom, claro que IoT não se refere apenas a geladeiras. IoT é, ou são, de forma simplificada, coisas ligadas à Internet. Sim, qualquer coisa: geladeira, sapato, bola de futebol, aparelho de barbear, carros, gatos, caldeiras de siderúrgicas e até o seu coração.

As aplicações de IoT são inúmeras e estão relacionadas à transparência de informações e ao maior controle pelos usuários finais. Na área de planejamento urbano, poderíamos ter, por exemplo, uma gestão otimizada de iluminação controlando a intensidade e o acionamento das luminárias de acordo com a quantidade de pessoas e carros trafegando. Outro exemplo é o controle inteligente de coleta de lixo, com lixeiras automonitoradas, informando tanto aos cidadãos quanto às centrais de coleta de lixo, se já estão cheias para que os caminhões passem para retirá-las. Outra possibilidade é a gestão de crescimento demográfico, instalando-se sensores nas cidades capazes de monitorar a poluição, calor, ruído e densidade populacional e assim permitir direcionar investimentos em infraestrutura de maneira mais eficiente.

Na área médica, remédios poderiam ter RFIDs – Identificadores por Rádio Frequência – que se comunicariam com algum dispositivo como smartphone ou tablet do paciente, indicando a dosagem correta e informando automaticamente ao médico quais medicamentos estão sendo utilizados.

Na área de automação, poderíamos tanto ter um controle mais efetivo de temperatura dentro de casa com medidores espalhados e gerenciados por smartphones, quanto controle de iluminação e acionamento de eletrodomésticos e eletrônicos remotamente. Ou seja, em breve eu poderei controlar à distância quais canais minhas filhas podem ver na TV e até que horas poderá ficar ligada. Bem, mais pra frente vou até poder saber se elas saíram de casa, se voltaram, pra onde foram… Legal né?

No varejo, produtos hoje já utilizam os mesmos tipos de RFID para transmitir, tanto ao lojista quanto às marcas, informações para gestão de logística e estoque.

Outra tecnologia que vem sendo utilizada no varejo é o Beacon – hardware que usa bluetooth para transmitir mensagens a um smartphone – que personaliza a experiência do consumidor na loja em tempo real, exibindo ofertas personalizadas e informações de produtos a medida que se aproximam deles (alguém aí se lembrou do filme Minority Report?). Assim, atrelando-se os produtos aos consumidores finais, as marcas tem ainda mais insights sobre público-alvo de acordo com o comportamento de compra individual.

Mas você deve estar se perguntando se essa tecnologia é tão bacana e já existe há 14 anos, por que a geladeira mais avançada que consigo comprar no shopping, de automático mesmo mal faz o gelo? O que deu errado? Se em 14 anos essa tecnologia não vingou, por que o termo IoT está voltando à tona como "The Next Big Thing"? Pois é, para responder a essas perguntas, precisamos primeiro contextualizar um pouco sobre os avanços tecnológicos da última década.

Basicamente, três grandes pilares que sustentam o IoT se desenvolveram muito nesse período: Infraestrutura, Protocolos e Processos. Hoje em dia, 25% das casas no mundo tem WiFi, sendo 80% na Holanda (líder no ranking) e 58% nos EUA. No Brasil, 49% das residências tem computador, e 62% das pessoas acessam a Internet via smartphone por WiFi, seja em casa ou no trabalho.

Os avanços em relação aos protocolos de comunicação também foram significativos. A adoção de tecnologias como IPv6 para acesso a web e webservices abertos, facilitaram muito a integração entre os sistemas e o desenvolvimento multiplataforma.
A adoção crescente de dispositivos inteligentes como smartphones e tablets, mudou a maneira como as pessoas interagem com as máquinas e compartilham informações com elas.

Fato é que a IoT hoje é uma realidade. A Gartner estima que 69% das pessoas terá pelo menos um equipamento IoT e especialistas dizem que esse será um setor que movimentará USD1,7 trilhões em 2019, tornando-se o maior mercado de devices no mundo. Grandes empresas no vale do silício já investem nesse mercado, tendo como exemplo a Google que adquiriu a Nest, especializada em dispositivos inteligentes para casa, por USD 3,2 bilhões em janeiro desse ano.

Já sabemos que a Internet das Coisas é algo que veio pra ficar e terá um grande impacto em nossas vidas nos próximos anos. Mas será que sua empresa está preparada para essa nova era de inovação? Além de melhorar a qualidade de vida das pessoas, a IoT representará um aumento de formas como os clientes interagem com sua empresa. Hoje temos os smartphones e redes sociais como novos canais de comunicação, mas em breve deveremos lidar com os desejos dos clientes na hora exata em que eles, por exemplo, abrem suas geladeiras. Baseado nos hábitos de seus clientes, qual seria a melhor opção, um refrigerador com freezer maior para armazenar a comida congelada para toda família, ou uma específica pra gelar as latas de cerveja? Sabendo que o cliente vai comprar uma casa na praia para ir com a esposa e três filhos, qual a melhor sugestão de refrigerador para esse novo imóvel? E os outros eletrodomésticos como fogão e lava-louças? E quando o cliente vai até a loja física, como tratá-lo de forma diferenciada chamando-o pelo nome e já atende-lo sabendo quais os produtos de seu interesse? E se o cliente abrir um chamado técnico direto da tela do refrigerador?

Ainda teremos, com certeza, muitas reflexões e discussões sobre o tema nos próximos anos. Enquanto isso, peço sua licença para ir ao supermercado comprar mais cerveja que aqui em casa acabou. Hasta la vista, baby!

Adriano Oliveira, executivo de Negócios da UNEAR

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Internet_Digital_DIOS
http://www.forbes.com/sites/parmyolson/2014/06/24/google-nest-smart-home-internet-of-things/
http://betanews.com/2014/09/08/gartner-makes-the-silliest-claim-yet-regarding-internet-of-things-adoption/
http://www.valor.com.br/empresas/3594682/metade-dos-domicilios-do-brasil-tem-computador
http://www.alexandra.dk/uk/about_us/publications/documents/iot_comicbook_businessedition_low.pdf
http://en.wikipedia.org/wiki/Internet_of_Things
http://www.strategyanalytics.com/default.aspx?mod=pressreleaseviewer&a0=5616
http://www.businessinsider.com/the-internet-of-everything-2014-slide-deck-sai-2014-2?op=1
http://www.businessinsider.com/how-the-internet-of-things-market-will-grow-2014-10

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1 Comentário

  1. Avatar Renato Serrano disse:

    Bela reportagem. Esse tema é realmente muito interessante e a parte que você menciona a respeito dos dispositivos inteligentes para casa são, na minha opinião, as que mais evoluirão e crescerão em termos de vendas e evolução tecnológica. Além disso, é um mercado que pode trazer muitas oportunidades para quem estiver atento e for empreendedor. Grande abraço.

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