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Novas extensões de domínios e modelos de comercialização

Postado em: 17/04/2017, às 22:05 por Roosevelt Nascimento

O futuro das novas extensões de domínios e o modelo de comercialização foram os temas mais discutidos na WorldHostingDays Global 2017, maior congresso da indústria de hospedagem de sites, cloud computing e infraestrutura, realizado em Rust, na Alemanha.

As novas extensões de domínios têm 3 características básicas: contextual, específica e simples. Um contexto de uso aliado a um bom trabalho de conteúdo podem render boas posições nos buscadores da Internet, indicando se é um blog (.blog) ou uma loja (.store), por exemplo. A especificidade pode ser usada por um governo, como foi o caso das Olimpíadas 2016, com o .rio, ou ainda para divulgação de estabelecimentos comerciais em uma cidade (.berlin). E quanto mais simples e curto, mais fácil para divulgação e memorização do endereço.

Nos últimos anos o órgão internacional que regulamenta nomes e endereços na Internet, a ICANN, vem selecionando empresas ao redor do mundo para administrar as novas extensões comerciais como, por exemplo,.blog, .store, .club, .nyc, .miami, .uol, .rio, .ong, .bradesco e assim por diante.

A seleção se parece com uma concorrência pública na qual as empresas interessadas oferecem um lance inicial, e a vencedora passa por um escrutínio técnico, jurídico e se comprometem a um pagamento anual de taxa de afiliação que varia de 25 mil a 75 mil dólares. Só depois da aprovação a empresa escolhida pode comercializar as extensões para o cliente final.

Quando a ICANN anunciou a liberação das novas extensões, o mercado agitou e, assim foi dada a largada para uma espécie de "corrida do ouro": dezenas de investidores e empresas pagaram fortunas para gerenciar as extensões consideradas premium. A extensão .shop foi arrematada pelo valor de US$ 41,5 milhões pela GMO Registry em  2016, batendo gigantes como Google e Amazon na disputa.

O investimento é justificado, pois a maior empresa registradora, a Verisign, que administra as extensões .com e .net, detêm aproximadamente 142 milhões de domínios, segundo relatório de fechamento do ano de 2016, divulgado em seu próprio site. Se cada domínio é vendido e renovado por aproximadamente US$ 10, isso gera um potencial de receita anual de US$1,4 bilhões só na gestão de endereços.

De posse do direito de comercializar os novos endereços, os investidores oferecem descontos agressivos e incentivos de marketing para empresas de hospedagem de sites venderem domínios das novas extensões, para serem usados em e-mail, sites, lojas virtuais, blogs etc. É a forma mais rápida de popularizar as extensões e aumentar a receita dos revendedores com a inclusão desse novo produto no portfólio.

Quem se destacou neste mercado foi Frank Schilling, maior proprietário das novas extensões até a presente data. Sua empresa administra mais de 22 extensões, entre elas: .cars, .diet, .help, etc.

Na contramão da estratégia adotada pelo mercado, Schilling anunciou um aumento significativo no valor de venda e renovação de duas de suas extensões, a .juegos e a .hosting, na semana anterior ao evento. Segundo o próprio Frank, gerenciar uma extensão com poucos clientes tem um custo elevado e por conta disso os proprietários dos domínios precisam pagar por isso.

Apesar da lógica financeira por trás desse movimento explicar a motivação, o mercado reagiu mal a este anúncio visto que o consumidor final é quem vai pagar a conta. Além disso, esse movimento racendeu a discussão se as novas extensões se tornarão relevantes e comercialmente rentáveis.

Não há dúvida de que as novas extensões têm um futuro promissor pela frente. Cada vez mais a contextualização, especificidade e a simplicidade do endereço ganham relevância nas ferramentas de busca. Além disso, as grandes empresas se interessam pelo registro das novas extensões para protegerem suas marcas ou ainda para planejar ações de marketing como a prefeitura da cidade carioca na divulgação das Olimpíadas 2016, com o uso do .rio.

Entretanto, o mercado começou a questionar se os altos valores pagos pela gestão das novas extensões é um modelo rentável, e se isso pode gerar desconfiança no consumidor final, visto que o valor pode alterar de acordo com o humor dos mandatários destas extensões.

Todavia, Schilling teve coragem de desafiar o mercado, mudando seu modelo de negócio e aumentando a responsabilidade da ICANN na gestão e na definição de regras de gestão de domínios. Outra discussão que veio à tona foi a importância e a necessidade de ativar o uso das novas extensões. Passada a euforia do lançamento inicial, as empresas detentoras das novas extensões estão concentradas no uso e na ativação desses novos endereços, para aumentarem suas participações no mercado de domínios.

Se por um lado há muito ceticismo na popularização do uso das novas extensões, é importante lembrar que a geração millenium usa a internet de uma forma diferente e está mais aberta a este tipo de endereço. A popularização de extensões do tipo .io para mobile e internet das coisas (IoT) mostra que há um enorme mercado a ser explorado.

Aqui no Brasil, a venda destes novos domínios começou no ano passado, por algumas poucas empresas do setor, e normalmente estão associadas às promoções ou preços convidativos, aproveitando o aumento substancial da extensão .br, no início deste ano, promovido pelo órgão brasileiro que regulamenta os domínios .br, a registro.br, depois de mais de 10 anos sem alteração.

Roosevelt Nascimento, diretor de produtos do UOL.

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