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Governo admite entraves para atrair fabricantes de chips, mas vê boas perspectivas

Postado em: 20/09/2011, às 19:20 por Gabriela Stripoli

Apesar das inúmeras tentativas do governo brasileiro para atrair grandes fabricantes internacionais de semicondutores para o país, não apenas para produzir para o mercado interno, mas também obter a transferência de capacitação na produção de chips e componentes eletrônicos em geral, a realidade é que os resultados obtidos até o momento têm sido pífios. O Brasil ainda não conseguiu deslanchar uma política de incentivos e condições de produção capaz de convencer algumas grandes empresas a virem para cá.

“A indústria brasileira ainda tem muito a se desenvolver para atrair grandes fabricantes”, reconhece Ricardo Gonzaga, especialista em cooperação industrial internacional da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), criada pelo governo federal com a missão de promover a execução da política industrial, em consonância com as políticas de ciência, tecnologia, inovação e de comércio exterior. Ele ressalta, porém, que isso não significa que o governo não esteja negociando com fabricantes. “Existe o interesse e estamos tentando atender às exigências para convencer os empresários”, afirma Gonzaga.

De fato, alguns fabricantes de chips já se mostraram interessadas no mercado brasileiro, mas eles sempre apontam o elevado custo para montagem da planta e na falta de condições do país para abrigar uma fábrica de semicondutores. O processo de fabricação de chips compreende três fases distintas: design, foundry e back end. Na primeira, engenheiros ultraespecializados em microeletrônica concebem os novos dispositivos. Na foundry são fabricadas as "bolachas" (wafer) de silício que constituem os chips, e no back end os chips são encapsulados, montados e, em alguns casos, testados. Apenas nas fases de fabricação de wafers e de encapsulamento os custos podem ultrapassar R$ 5 bilhões.

Embora muitos especialistas apontem que, até por razões econômicas, o país não possui condições para abrigar uma foundry, mas de apenas implantar partes do processo, Gonzaga é otimista. Para ele, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) pode negociar com os governos estaduais desonerações fiscais ainda maiores do que aquelas anunciadas no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis) e no Plano Brasil Maior, para que haja o barateamento do custo da produção local. Além disso, ele defende que o BNDES participe desse processo, seja por meio financiamentos, seja por meio de participação em empresas.

Gonzaga também reconhece que um dos principais entraves para atrair algumas grandes empresas para cá é a falta de qualificação profissional. Ele estima que hoje existam cerca de 500 engenheiros projetistas capacitados para atuar nessa cadeia, o que é insuficiente para atender a uma produção em larga escala. “É necessário haver políticas que integrem governo, universidades e empresas”, pontua o professor Cylon Gonçalves, presidente da Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada), especializada na produção de chips. Ele cita como exemplo a chegada da indústria de telecomunicações nas décadas de 1950 e 1960. Gonçalves diz que o centro está em negociações com algumas instituições e adianta que alguns resultados concretos devem aparecer já no primeiro semestre do ano que vem.

Além de o Brasil não dispor de infraestrutura para uma foundry, a operação de back end, que seria uma boa possibilidade para o país, já que requer mão de obra menos sofisticada, esbarra no problema logístico brasileiro, que é muito ruim. Diante desses entraves, uma saída para impulsionar a produção local de chips, apontada pelo coordenador geral de microeletrônica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Henrique de Oliveira Miguel, é alavancar o uso de chips em projetos voltados para outros setores da economia. Como exemplo ele cita a criação do “chip do boi”, usado para monitorar e controlar a pesagem do gado, eliminando a necessidade de apontamentos manuais. O coordenador de microeletrônica do MCTI considera, contudo, que o Brasil está preparado para receber fábricas de grandes multinacionais, principalmente devido à demanda por componentes.

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